4 de junho de 2026

Conselho de Ética discute “furada de fila” na sessão que decidirá destino de Cunha

Para postergar os trabalhos e evitar votos a favor da cassação de Cunha, aliados pediram que registro da sessão do Conselho fosse refeita. Após duas horas de discussão, advogado começa a apresentar defesa

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Jornal GGN – Com sessão marcada para às 14h desta terça (1º), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados tem como item principal da pauta a votação do relatório preliminar que pede a continuidade da investigação interna que pode culminar na cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Casa, acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre possuir contas na Suíça – descobertas no âmbito da Operação Lava Jato. A leitura é que Cunha, se derrotado nessa votação, dificilmente sairá vitorioso ao final do processo.

Por isso, aliados de Cunha tentam postergar, ao máximo, a votação em torno de relatório preliminar. A manobra da vez foi deflagrada pelo deputado Jovair Arantes (PTB), que saiu em reportagens da Folha, em outubro, como o candidato de Cunha para a presidência da Câmara, caso o peemedebista perca, de fato, o mandato.

Jovair iniciou um debate, que perdurou por quase duas horas, sobre o registro de presença de deputados suplentes de um mesmo bloco partidário na sessão do Conselho. Segundo o petebista, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM) furou uma fila que estava sendo formada desde às 13h30 por aliados de Cunha, do lado de fora da sala, na tentativa de influenciar a votação.

Quando a sessão foi iniciada, de acordo com relatos da Folha, apenas 5 dos 21 deputados titulares do Conselho de Ética estavam presentes. Quando titulares não comparecem à sessão, os suplentes ganham o direito de votar, de acordo com a ordem de chegada. Onyx, do bloco DEM, PTB e PMDB, quis registrar presença rapidamente, para ter a oportunidade de votar a favor da investigação contra Cunha.

“Eu quero votar a favor do prosseguimento do processo. E há trabalho político sendo construído aqui para evitar que o relatório seja acolhido e a investigação continue”, disparou. “Eu cheguei aqui às 13h56. Tentei registrar presença lá fora, mas não consegui. Disseram que tinha uma fila para votar. Eu entrei, sentei na minha cadeira e aguardei olhando o computador. Quando deu 14h, o sistema abriu e eu marquei minha presença. Não tenho culpa se alguns se distraíram”, relatou Onyx.

Segundo Onyx, a regra da Casa diz que abrindo o sistema eletrônico no horário determinado pelo presidente do Conselho, a colheita da digital começa automaticamente. E ele inseriu a digital, independente da fila que existia fora da sala. “O problema aqui é que tem gente que prometeu alguma coisa que talvez não possa entregar”, disse, sugerindo que haveria um acordo entre aliados de Cunha para emplacar suplentes que votariam a favor do peemedebista. “Se eu tiver a oportunidade de votar na ausência de um titular, vou exercê-lo”, disse.

Em meio à discussão, o presidente do Conselho de Ética se negou a abrir os registros, uma vez que foi feito de maneira eletrônica. Mas diante da troca de ofensas – aliados de Cunha disseram que Onyx estava “burlando” a ética que se espera do grupo, ao furar fila – chegou a cogitar suspender a sessão para instaurar uma sindicância e apurar os fatos. Foi freado pelo deputado Alessandro Molon (Rede), que pediu para dar continuidade aos trabalhos.

PT sob tensão

Enquanto isso, segundo relatos da Folha, o clima é de tensão entre os três deputados federais do PT que participam da sessão. José Geraldo (PT) teria circulado pelo plenário e trocado conversas ao pé do ouvido com Paulinho da Força e Jovair Arantes. Leo de Brito (PT) também levantou mais de uma vez de sua cadeira para falar com Hugo Motta (PMDB), outro aliado do presidente da Câmara dos Deputados. O jornal diz que há pressão do Planalto para que os petistas votem a favor de Cunha, sob a perspectiva de evitar um processo de impeachment como retaliação à cassação do presidente da Câmara.

Manobra

Não é a primeira vez que aliados tentam postergar os trabalhos do Conselho de Ética para ajudar Cunha. A ideia, hoje, é gerar situações até que a ordem do dia do Congresso seja iniciada, às 19h. O presidente Renan Calheiros (PMDB) programou uma sessão importante para o governo, pois está na pauta a alteração da meta fiscal, quatro vetos presidenciais e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016.

Defesa

Após duas horas de discussão sobre a furada de fila, o advogado de Eduardo Cunha, Marcelo Nobre, iniciou a leitura da defesa do parlamentar. Ele começou sustentando que denúncia do Ministério Público Federal não configura comprovação de crimes, já que o Supremo Tribunal Federal ainda não aceitou o pedido de inquérito.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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13 Comentários
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  1. Ivan de Union

    1 de dezembro de 2015 6:19 pm

    “O jornal diz que há pressão

    “O jornal diz que há pressão do Planalto para que os petistas votem a favor de Cunha, sob a perspectiva de evitar um processo de impeachment como retaliação à cassação do presidente da Câmara”:

    Mentira pura do “jornal”:  simplesmente nao existe caso “do Planalto” interferindo em outros poderes, nem no senado, nem no congresso.

  2. Ana Torres

    1 de dezembro de 2015 6:32 pm

    Circo

    E todo esse circo infame pago com o meu, o seu, o nosso dinheiro !

    1. Marco Vitis

      1 de dezembro de 2015 6:51 pm

      Criminosos

      Ana Torres

      São criminosos que se apoderaram do Parlamento, cujas campanhas foram patrocinadas por empresas com interesses inconfessáveis.

  3. Daniel Klein

    1 de dezembro de 2015 6:58 pm

    governo segurando o Cunha

    É trágico ver o governo e Cunha se aliarem, cada um segurando o outro. Um abraço de náufragos. Como não há nenhum fato comprovado que possibilite o impeachment, a situação sugere a existência de fatos que o governo teme serem descobertos ou provados.

    1. Ivan de Union

      1 de dezembro de 2015 7:46 pm

      “É trágico ver o governo e

      “É trágico ver o governo e Cunha se aliarem”:

      Ler antes de comentar.

    2. alexis

      1 de dezembro de 2015 9:08 pm

      Ainda bem

      Ainda bem que eu fico procurando informações e tomando minhas impressões pessoais, pois, com apenas ver e acreditar o que o PIG fala estaria pensando igual que você.

      Para um pouco e pensa sobre isso.

      1. Ivan de Union

        1 de dezembro de 2015 9:35 pm

        O comentario eh burro demais

        O comentario eh burro demais pra nao ser do Alianca -essa eh a razao que as 1 estrelinhas proliferam nos outros comentarios. Pre-emptive starring!

    3. Frederico69

      1 de dezembro de 2015 11:42 pm

      quem apoiou cunha para a presidencia da camara, foi o psdb!

      não vem querer empurrar a conta do cunha pro pt. pro pt a melhor saida é finalizar o cunha, o mais rápido possível!

  4. alexis

    1 de dezembro de 2015 9:13 pm

    Show

    Show de Deputados para a TV

    O Deputado Lorenzoni não conhece história nenhuma antes do ano 2003. Apareceu Deus, o Universo, Brasil e a corrupção. Antes era o paraíso. Ele não lembra nem da sua juventude.

    fazem de tudo para que o PT, ao votar, independente de qual lado, irão dizer: foi pressionado, ou pelo Governo ou pelos Deputados catões. Isso que é um patrulhamento de voto.

  5. Marcelo M Sena

    1 de dezembro de 2015 9:15 pm

    Jovair Arantes, proprietário

    Jovair Arantes, proprietário do PTB-GO, é um deputado à altura de seu partido e da média dos parlamentares de seu Estado. Ou seja, é do mais baixo nível possível.

  6. lenita

    1 de dezembro de 2015 10:15 pm

    Ai que vergonha !

    Ai que vergonha !

  7. Anax

    1 de dezembro de 2015 10:19 pm

    Só sei de uma coisa, se os

    Só sei de uma coisa, se os Deputados do PT votarem pelo arquivamento, 2014 foi o ultimo voto que dei a esse partido.

  8. paulo jales

    2 de dezembro de 2015 2:36 am

    Conselho

    Quem julga o Conselho de Ética?

     

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