
Jornal GGN – De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada no último domingo, 81% dos entrevistados defendem a cassação de mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, enquanto 65% apoiam a abertura de processo que pode tirar a presidente Dilma Rousseff do poder.
A pesquisa do Datafolha também mostra que 56% não acreditam que Dilma será afastada, enquanto 36% creem nesta possibilidade. Já a taxa de desaprovação ao Congresso chegou a 53%, o segundo pior indíce desde abril de 1993.
Do O Tempo
Não está certo que Cunha cumprirá o prometido no início do mês e reiterado na última semana. Embora ele tenha sugerido que pode anunciar nesta segunda o destino de sete pedidos de impedimento que ainda restam sobre sua mesa, um adiamento não é descartado. Mesmo com pareceres sobre os pedidos já prontos, o peemedebista pode preferir esperar a reunião do Conselho de Ética, marcada para esta terça, para ver como os três petistas do colegiado se posicionarão na votação sobre a admissibilidade de seu processo de cassação.
Fato é que, enquanto esperava o melhor momento para decidir e negociava com governo e oposição, Cunha perdeu apoio popular para sua própria empreitada. Enquanto 81% dos entrevistados são favoráveis à perda de mandato de Cunha, apenas 7% dos brasileiros são contrários à cassação. Outros 4% se dizem indiferentes ao tema.
Por outro lado, o índice dos que defendem um impeachment da presidente Dilma Rousseff oscilou para baixo, mas dentro da margem de erro, se for levado em consideração um levantamento anterior do Datafolha. No início de agosto, eram 66% os que queriam o impeachment da petista e 28% os que não apoiavam a ideia. Agora, são 65% os que defendem o impeachment e 30% os que são contrários. Nos dois casos o percentual dos que não se manifestaram foi de 5%.
Apostas. Mesmo querendo que a presidente caia, muitos duvidam que isso acontecerá. Quando a pergunta é se o entrevistado acha que Dilma Rousseff será afastada, 56% das respostas são negativas e só 36% dos brasileiros acreditam que isso vá ser efetivado. O índice dos que não souberam responder à essa questão foi de 7%. Os números mostram que caiu, no limite da margem de erro, a crença no impeachment, já que, em agosto, eram 38% os que achavam que Dilma seria afastada e 53% os que não achavam. Naquela ocasião, 9% não souberam responder.
O Datafolha perguntou se a presidente deveria renunciar. Aproximadamente dois terços dos brasileiros (65%) acham que sim, enquanto pouco mais de um terço dos que foram questionados (35%) acha que não.
Caso o presidente da Câmara acolha o pedido, ele será analisado pelos deputados. Dois terços da Casa (pelo menos 342 deputados) precisam aprová-lo para que o processo continue. Se isso acontecer, Dilma Rousseff é afastada provisoriamente e o Senado vota se derruba ou não a presidente.
A pesquisa
Dados. O levantamento do Datafolha foi realizado nos dias 25 e 26 de novembro, com 3.541 entrevistados em 185 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou par amenos.
Pessimismo
Inflação. Para 77% dos entrevistados pelo Datafolha, a inflação irá aumentar no próximo período, taxa altíssima na comparação com os anos anteriores e praticamente inalterada desde março. Na opinião de 67%, o poder de compra irá diminuir, um recorde (63% pensavam assim em junho).
Desemprego. Além disso, o emprego, tema forte no discurso de Dilma, também é visto com inédito pessimismo pelos eleitores. Para 76%, o nível de desemprego irá aumentar ante 73% que acreditavam nisso na última pesquisa.
Subindo. A taxa vem crescendo desde outubro de 2014, véspera do segundo turno das eleições. Era 26% naquele mês e já havia disparado para 62% no início do segundo mandato de Dilma.
Congresso tem pior avaliação desde 1993
BRASÍLIA. A grande rejeição ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), coincide com um processo de rápida deterioração da já historicamente debilitada imagem do Congresso Nacional. A taxa dos que avaliam o desempenho de deputados e senadores como ruim ou péssima vinha caindo desde o início do ano, de 50% para 42%, na pesquisa de junho. Mas agora deu um salto para 53%.
Esse patamar de desaprovação ao Congresso é o segundo pior desde abril de 1993. Em setembro daquele ano, 56% anotaram ruim ou péssimo na pesquisa.
Hoje, os que acham o trabalho dos parlamentares bom ou ótimo é de apenas 8%, enquanto o avaliam como regular.
Apesar da ampla rejeição ao Congresso, o número ainda é melhor do que o do governo da presidente Dilma Rousseff, mesmo após a primeira melhora desde agosto de 2014. A reprovação à gestão da petista caiu de 71%, naquele mês, para 67%.
O novo índice, ainda assim, é a segunda pior marca numérica desde a posse, em 2011. Além disso, a queda de quatro pontos na reprovação não significou um aumento proporcional na aprovação. Agora, 10% julgam o governo Dilma como bom ou ótimo, só dois pontos acima dos 8% apurados em agosto. Outros 22% consideram o governo regular (eram 20%).
Fabio de Sampa
1 de dezembro de 2015 5:03 pmOu os 2 são golpes, ou nenhum
Ou os 2 são golpes, ou nenhum é golpe.
Aliás, quem está em terceiro?
MarFig
1 de dezembro de 2015 5:55 pmTosco.
Tosco.
Ivan de Union
1 de dezembro de 2015 7:46 pmAte a pergunta eh tosca.
“Aliás, quem está em terceiro?”:
Aecio Neves.
marcos nunes
1 de dezembro de 2015 5:49 pmDiversionismo pouco é bobagem
E pesquisa de “popularidade” do governo Alckmin, tem não?
MarFig
1 de dezembro de 2015 5:55 pmSó no DataPrado.
Só no DataPrado.
veranis
1 de dezembro de 2015 5:58 pmPrá que? Isso não vem ao
Prá que? Isso não vem ao caso!!!!!
Palhares
1 de dezembro de 2015 6:07 pmJanot também tem medo do Cunha? Vala-me Nossa Senhora!
PT deve trocar mandato de Dilma pela cassação de Eduardo Cunha?
No blog da Cidadania, Eduardo Guimarães pela primeira vez apresenta de maneira claríssim a dramaticidade da situação atual. Por onte anda o Janot? Ou será que deveremos esperar o Godot?
O Blog consultou parlamentares do Congresso Nacional e cientistas políticos e chegou a uma conclusão: dificilmente Eduardo Cunha será cassado mesmo que o Conselho de Ética aprove abertura de processo de cassação contra ele.
Na verdade, a força do presidente da Câmara é tanta que até o STF, que inovou pedindo a prisão de um senador da República – fato inédito na história do país -, encolhe-se diante dele.
Cunha intimida testemunhas, faz ameaças públicas a Deus e o mundo, usa o cargo para atrapalhar as investigações – muito mais do que descobriu-se que Delcídio do Amaral fazia -, mas continua no cargo.
Quem deveria agir contra ele (o Ministério Público e o STF), não o faz. Por que? Mesmo após a pesquisa Datafolha que revelou que 81% dos brasileiros querem que Cunha seja cassado, a tendência é a de que tanto o Legislativo quanto o Judiciário, bem como o Ministério Público, não derrubem o poderoso presidente da Câmara dos Deputados.
Por que Cunha inspira tanto terror nos três Poderes da República?
Segundo os parlamentares com os quais o Blog conversou, essa “cunhofobia” deriva do fato de que uma eventual delação premiada do presidente da Câmara atingiria em cheio o dito “baixo clero”.
Ou seja: a chantagem que Cunha faz ao governo (sobre deflagrar o processo de impeachment caso o processo de cassação de seu mandato seja aberta) não é a única. A maioria parlamentar que o elegeu presidente da Câmara tem medo do que ele possa dizer se perder o mandato e for preso.
Mas não é só. Há quem diga que setores do STF e do MP também temem revelações de Cunha que ele ainda não fez para ter moeda de troca com esses órgãos.
Apesar de Cunha ter sido apoiado fortemente pelo PSDB e pela banda antipetista do PMDB por ser considerado “o único que pode derrubar Dilma”, agora a mídia joga o presidente da Câmara no colo do PT em vez de cobrar do MP e do STF que ajam com ele como agiram com Delcídio do Amaral.
Cunha sabe muito bem que o governo Dilma não tem poderes para interromper ou promover investigações. Porém, culpa Dilma pelas acusações de que é alvo sob um cálculo elementar: ela pressionaria o PT a aliviar contra si.
É possível que o Conselho de Ética, que tem poucos membros, aceite o processo contra Cunha, sobretudo se ele tiver votos favoráveis do PT. Porém, no plenário da Câmara a história será outra.
Mesmo em votação aberta, o medo das revelações que ele pode fazer o livrará da cassação.
Ao votar pela abertura de processo contra Cunha, o mais provável é que o PT veja Dilma ser derrubada e o presidente da Câmara ficar impune.
Por outro lado, é inaceitável o que ele está fazendo. Se este fosse um país sério, se essa pretensa nova postura da Justiça de não distinguir ninguém ao tomar decisões fosse verdadeira, MP e STF já deveriam ter pedido a prisão do presidente da Câmara pelo mesmo motivo que pediram a de Delcídio: atrapalhar as investigações.
Essa Justiça é a mesma que mantém paralisados há mais de um ano o mensalão tucano e o escândalo dos trens de São Paulo. É uma Justiça que é uma leoa com o PT e uma gatinha com o PSDB.
Há mais um fato a considerar: ninguém duvida de que se acrescentarmos um governo provisório – decorrente do afastamento de Dilma por 180 dias após abertura de um processo de impeachment – às atuais incertezas sobre o país, a economia irá afundar muito mais rapidamente, com aumento exponencial do desemprego, da inflação e da recessão.
Apoiar ou não o voto do PT contra Cunha no Conselho de Ética, portanto, é uma escolha de Sofia. Para o PT.
Alguns dirão que, com o mandato sob risco devido a sofrer um processo de cassação, Cunha “não terá moral para conduzir o impeachment”. Bobagem. Não mudará nada. Ele terá o cargo, a caneta e apoio para levar o processo adiante.
Como Cunha gosta de dizer, ele não cairá sozinho…
E é óbvio que a oposição e a militância antipetista, que apoiaram Cunha até um minuto atrás, agora têm todo interesse em que o PT derrube Dilma votando contra o presidente da Câmara, de modo que votarão de modo oposto.
É difícil não ficar dividido.
Por um lado, se o PT votar contra Cunha é muito provável que Dilma seja afastada por 180 dias – e, se isso ocorrer, ela não volta mais. Além disso, a economia vai entrar em coma. Por outro lado, ceder à chantagem de Cunha é ceder a tudo que este país precisa combater.
Este Blog atua formando opinião há cerca de uma década. Pela primeira vez, porém, é a vez do leitor de formar a opinião do Blog.
O que você acha? Vale a pena o PT trocar o mandato de Dilma e o naufrágio da economia pela cassação de Cunha? Por outro lado, vale a pena o partido se submeter a um chantagista barato como esse, que, lá na frente, poderá fazer novas chantagens?
Carla Antonia
1 de dezembro de 2015 7:27 pmFora todos
Gostaria muito de perguntar a esse 65% do Fora Dilma se sabem dizer qual seria a causa da cassação.
Só isso.
Ricardo Gonçalves
1 de dezembro de 2015 7:38 pmQual o sentido de ficar
Qual o sentido de ficar repercutindo pesquisa do Datafolha?
ljunior
1 de dezembro de 2015 9:59 pmSinceramente…
… com o perdão do termo: CAGUEI pro Datafolha.
Luiz Antonio Antunes Machado
2 de dezembro de 2015 12:03 amCredibilidade
Dersculpem o cinismo, mas a credibilidade deste datafolha, ou mesmo da folha de São Paulo, está comprometida há muito tempo. Estão comparando pessoas com currículos morais bem distintos: De um lado a Dilma, cujo governo eu tenho muitas , mas muitas reservas e críticas, mas cujo caráter até agora me parece correto, e de outro o Cunha, político conhecido pelo seu oportunismo e com ligações bastante comprometidas com o chamado “mal feito”, pelas informações que chegam de todas as partes. Tirar a Dilma, cujo governo eu não gosto, é forçar a barra por um terceiro turno. Querer tirar o Cunha é uma tentativa, não sei se exitosa, de recuperar um pouco a credibilidade deste congresso.