10 de junho de 2026

Riscos diferentes do Brasil, da Argentina e da Venezuela, por J. Carlos de Assis

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Riscos diferentes do Brasil, da Argentina e da Venezuela

Por J. Carlos de Assis

A extrema divisão interna da sociedade está encaminhando a Argentina e a Venezuela para a tragédia de uma revolução social. Nós também corremos o mesmo risco, porém com uma atenuante: aqui, depois do fim da Guerra Fria, as divisões ideológicas são menos acentuadas, e as divergências políticas nas elites dirigentes são superficiais. Com isso, é muito difícil identificar uma diferença essencial entre seguidores de Lula e de Fernando Henrique. Há diferenças, sim, mas fundamentalmente no campo emocional, como torcidas de futebol.

Antes que haja uma contestação, é bom lembrar que o principal ministro de Dilma, Joaquim Levy, na área central da administração pública, saiu das hostes tucanas. Então como dizer que há diferenças inconciliáveis entre as elites petistas e tucanas no terreno concreto da economia? Obviamente que há petistas indignados com a entrega a Levy do principal posto do Governo mas eles não contam como elite dirigente. Diante do fato, a única saída dos inconformados é estimular ações das bases contra o Ministro de forma puramente emocional.

 Essa situação foi criada não por Dilma, mas por Lula, com seu espírito de conciliação. Por diferentes razões isso funcionou com ele. Por diferentes razões isso já não funciona com ela. Dois fatores nos empurraram para o estado de pré-ruptura que nos aproxima de Argentina e Venezuela: a não aceitação por Aécio Neves, sem qualquer base jurídica ou política, de sua derrota eleitoral, e as consequências econômicas da Lava Jato, que empurrou o país para uma recessão a que se somou ao ajuste Levy. O resultado é uma contração que ameaça chegar a 5%  este ano, já se anunciando oficialmente mais 2% de contração no próximo.

Se o risco de ruptura na Argentina e na Venezuela se deve a divisões ideológicas e políticas, no Brasil o problema é de outra natureza: caminhamos para uma das crises econômicas e sociais mais agudas de nossa história, o que afeta interesses reais, não propriamente ideológicos e políticos, de milhões de pessoas desempregadas ou ameaçadas de desemprego e de queda de renda real. Essa base social, na medida em que tomar consciência de que não lhe oferecem esperança, pode explodir, não contra o PT ou contra o PSDB, mas contra toda a classe dominante e dirigente, por seu fracasso na condução da economia.

A mídia tem papel decisivo no processo de gerar combustão social. A máquina de magnificação de escândalos da Rede Globo, totalmente partidarizada, está criando condições emocionais para a explosão da crise na medida em que martela a opinião pública com denúncias ainda em fase de investigação tomadas como verdadeiras (veja o caso do filho do Lula). Acontece aí o que escrevi em “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”: a grande imprensa reproduz, como verdade, toda declaração da polícia, da promotoria ou do juiz a fim de explorar, de forma muitas vezes injusta, a emoção de cada caso..

Essa situação extrema requer soluções extremas. Ninguém tem dúvida de quão difícil é arquitetar um pacto social. Mas isso vem sendo tentado e teremos notícias em breve do compromisso que está sendo costurado em torno do DIEESE juntando trabalhadores e patrões. No próximo dia 3 será anunciado um acordo. Mesmo que não seja o ideal, nem completo, será o primeiro passo para a construção do que estou chamando de Grande Acordo Social em torno do objetivo comum de mudar a política econômica no rumo da recuperação e preservação do emprego, e da retomada imediata do crescimento econômico.

J. Carlos de Assis – Jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”,  Ed. Textonovo, SP.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Lionel Rupaud

    30 de novembro de 2015 12:17 pm

    Acho lógico que começam a pipocar

    acordos setoriais como o citado pelo articulista: o vazio político deixado pelas inépcias conjuntas da presidenta, dos partidos mais representativos da situação e da oposição (PT e PSDB respectivamente), dos poderes legislativos e judiciários, leva os atores do mundo real (emprego, salários, renda) a negociar uma saída a revelia dos poderes ineptos.

  2. Álvaro Noites

    30 de novembro de 2015 2:02 pm

    Aécio Neves entra para

    Aécio Neves entra para história como o mais deplorável e patético político do Brasil. Está a anos luz de qualquer político no quesito “ser ridículo”.

    Nunca imaginei que fosse testemunhar um candidato derrotado extremamente mimado como Aécio Neves, que me parece ter sentido o sabor da contrariedade pela primeira vez na vida quando de sua derrota na eleição presidencial. Ou seja, pela primeira vez na vida alguém teria negado algo para ele.

    No mais, o grande difusor desta divisão social que testemunhamos é a Rede Globo. Não tenho mais o hábito de assistir um programa sequer desta emissora, entretanto, ontem por um acaso sintonizei no “Fantástico” e vi que eles dedicaram longos minutos para dizer que o filho do Lula “xupinhou” texto da Wikipedia, em uma ação, a meu ver, bem distinta de jornalismo.

    Já a República do Paraná não mede consequências para atingir e acabar com um grupo político que “teima” em vencer eleições presidenciais a 12 anos. Trata-se de obtusos que, além de seus ótimos salários e benefícios, não seriam impactados com uma ecatombe econômica no país.

    Ante a tudo isso me pergunto: Uma vez que considero Globo e outras empresas familiares de mídia, Aécios, Moros, Dallagnols, Kataguiris et caterva meros peões, quem seria o grande financiador desta desetabilização?

     

  3. aliancaliberal

    30 de novembro de 2015 2:46 pm

    “as consequências econômicas

    “as consequências econômicas da Lava Jato, que empurrou o país para uma recessão “

    O país esta em recessão não pela lava jato mas unica e exclusivamente por causa do governo.

    Independente da lava jato o destino do país seria o mesmo.

  4. leonidas

    30 de novembro de 2015 3:25 pm

    E a midia que fez isso tudo

    É a midia que fez isso tudo né?

    rs

    Esse Assis não segura sua vocação de procurador geral petista mesmo.

    já passou do tempo de vcs terem a decencia de admitir que o caos e a divisão entre pessoas é fruto do modo CRIMINOSO E DELIBERADO da esqsuerda de construir essas divisões entre essas pessoas.

    O famoso nós contra eles onde não há nada de bom do outro lado, só gente má.

    Para a essquerda alguem deve ter direitos respeitados e garantidos não por ser cidadão, e sim por ser negro, gay, indio, proletario, mulher etc etc etc

    Depois fica com esse chororo bobo falando de sociedade civill incutida de ódio, por faovor…

     

    Obs: Voces andam tão quietos sobre a amada Venezuela com suas prisões de lideres estudantis ( aqueles que AQUI são tão defendidos por vcs ) algo a dizer sobre a situação do pais sobre o qual o demagogo Lula afirmou que o problema éra ter DEMOCRACIA EM EXCESSO ? RS 

  5. altamiro souza

    30 de novembro de 2015 3:35 pm

    iludem-se os que radiclizam e

    iludem-se os que radiclizam e não defendem esse

    acordo ou pacto social como sempre defendeu lula.

    sem acordo, sem politica, seria ou será o caos.

    ou voce imagina que essa maioria que conquistou benefícios

    vai entregar assim de bandeja esses importantantes avanços?

    esse é o processo histórico, que não será atravancado por

    infamias de um direita rançosa e raivosa….

     

  6. joao

    30 de novembro de 2015 3:40 pm

    O golpe no paraguai.
    Sim, estamos indo ao mar revolto e comecou ou indicou uma linha da fragilidade democratica que somada a crise do norte pipocou no sul do equador. Primeiro penso que corretamente a falha do governo Dilma e segundo a propria falha da atuacao destas novas democracia e estamos pagando um preco alto das ditaduras fomentando o estado atual como conseguencias. Nao ha razao consensual.
    Perdemos o que nunca tivemos em 2013 que foi a politica dos congressos locais e federal.
    Perdemos com o governo federal loucamente afirmando uma reforma politica e juntando aa vozes da nao representatividade.
    Estamos indo ao abismo com os ganhos sociais conquistados e a economia, tambem conseguencia da crise do capital na sua fonte primaria do norte, por consequencia da modernidade e transparencias. A voz do judiciario tao corrupto como os politicos que serviram de base para a uma camada social previlegiada.
    Lula funcionou pq colocou a realidade e introduziu uma camada marginalizada ah sociedade brasileira, deslocado regioes e padroes. A corrupcao e estes tres poderes nao foram invencao nem na venezuela, paraguai, bolivia, argentina e do Luula no Brasil. Avancos apareceram dos erros do passado nao corrigidos no tempo exato.
    A verdade da desigualdade e do capital previlegiado somou ao direito terah aguas a correr.
    A situacao nestes paises da america do sul esta de uma forma ou outra relacionada aos tres poderes e a repressao que o capital nao abre mao.
    Os atritos e choques sociais tendem a se agravar se cada poder defender seu territorio.
    O levante tem sido pequeno e minimo do capital e mercado.
    Agora com argentina passamos a america do sul ponto 3.0 e veremos.

Recomendados para você

Recomendados