4 de junho de 2026

Crédito bancário para empresas está mais difícil, revela CNI

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Jornal GGN – As dificuldades de acesso ao crédito bancário, por pessoas jurídicas, estão maiores do que no auge da crise financeira de 2008 e 2009, segundo avaliação da Sondagem Industrial elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador de facilidade de acesso ao crédito caiu pelo sétimo mês consecutivo e ficou em 29,9 pontos em outubro – conforme a metodologia da pesquisa, o indicador varia de zero a cem pontos e quando está abaixo dos 50 revela dificuldade na obtenção de financiamentos. Quanto menor o índice, maior é a dificuldade.

A sondagem revela, ainda, que os empresários estavam insatisfeitos com o lucro e com a situação financeira no terceiro trimestre. O indicador de margem de lucro operacional ficou em 32,7 pontos e o de satisfação com a situação financeira foi de 38,9 pontos, ambos abaixo da linha divisória dos 50 pontos. De acordo com os industriais, os preços das matérias-primas também subiram no terceiro trimestre. O indicador passou para  69,2 pontos e ficou acima dos 50 pontos, que separa o aumento da queda dos preços.

Apesar disso, a CNI observa que há alguns sinais positivos no horizonte. O primeiro é que a indústria reduziu o excesso de estoques.  O índice de evolução dos estoques efetivos em relação ao planejado caiu de 53 para 51,6 pontos. Ao aproximar-se da linha divisória de 50 pontos, o índice indica que os estoques estão se ajustando ao previsto pelos empresários. “O início de um processo de ajuste dos estoques é muito positivo, porque, se consolidado,  abre caminho para o aumento futuro da produção”, diz o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, em comunicado.

Em setembro, o indicador de produção ficou em 42 pontos e o de emprego alcançou 41,4 pontos. Ambos ficaram abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que indica queda na produção e no emprego. O índice de utilização da capacidade instalada ficou estável em 66%, e está seis pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

Outro ponto positivo apontado pela pesquisa é que aumentou o otimismo dos empresários em relação às vendas externas. O índice de expectativas de quantidade exportada nos próximos seis meses subiu de 50,2 pontos em setembro para 52,5 pontos em outubro. Os indicadores de expectativas variam de zero a cem pontos, e quando estão acima de 50 revelam otimismo dos industriais.

Além disso, a disposição dos empresários para investir melhorou um pouco. Depois de nove quedas consecutivas, o indicador de intenção de investimento subiu de 39,2 pontos em setembro para 40,7 pontos – quanto maior o número, maior é a propensão do empresário para investir na indústria. Contudo, o indicador de expectativa em relação à demanda caiu para 44,2 pontos e o de número de empregados recuou para 40,5 pontos. Os dois índices abaixo dos 50 pontos mostram que a indústria aposta na retração do consumo e pretende demitir  nos próximos seis meses.

A forte oscilação do dólar nos últimos meses fez com que a taxa de câmbio subisse do oitavo para o quarto lugar no ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria brasileira no terceiro trimestre.  A taxa de câmbio teve 27,5% das menções dos empresários, 11,8 pontos percentuais a mais do que no trimestre anterior. “A volatilidade do câmbio dificulta qualquer análise prospectiva das empresas em planejamento de exportação, formação de preços e investimento  necessário para o esforço exportador”, avalia a CNI. Entre os exportadores, a taxa de câmbio foi o terceiro maior problema do terceiro trimestre.

A elevada carga tributária, com 44,9% das respostas, continua em primeiro lugar no ranking geral dos principais problemas. Em seguida, com 42,2% das menções, vem a demanda interna insuficiente e, em terceiro, com 29,4% das assinalações, aparece a falta ou o alto custo da energia.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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