4 de junho de 2026

Pedido de impeachment dá aval moral para Cunha, por Janio de Freitas

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Jornal GGN – Em sua coluna na edição de hoje da Folha de S. Paulo, o jornalista Janio de Freitas diz que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, assinado por Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. e previsto para ser entregue hoje a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), subentende um aval moral para o presidente da Câmara e implica Bicudo e Reale Jr. na defesa contra a cassação do parlamentar. Além disso, para o jornalista, o documento representam a “balbúrdia ética e o nonsense” nas relações entre os Poderes, resultando em uma “perda generalizada de percepção da realidade”.

Em outra nota, Janio ressalta que Eduardo Cunha emitiu notas contestando a Procuradoria Geral da República através da Assessoria de Comunicação da Câmara. Para ele, o teor das notas são dizem respeito a Cunha, e não à Câmara, e, por isso, representam desvio de finalidade da Assessoria e abuso funcional de poder. 

Da Folha

Encontros e desencontros

Janio de Freitas

Se é em nome da ética e da lei que o ex-promotor Hélio Bicudo e o jurista Miguel Reale Jr. vão entregar a Eduardo Cunha, como previsto para hoje (20), o pedido de impeachment da presidente, está subentendido um aval moral que implica os dois também em atitude inversa: a defesa, contra a cassação já pedida, do personagem das manchetes mais recentes, aqui, e de investigações criminais na Suíça.

O documento e o ato providenciados pelo PSDB com Bicudo e Reale são oportunos em um sentido adicional. Configuram bem a balbúrdia ética e o nonsense instalados nas relações entre Poderes, no Congresso e em particular na Câmara, na imprensa e na contaminação epidêmica de ódios. De tudo resultando a perda generalizada de percepção da realidade, mesmo para ilustrados como Reale e Bicudo.

Ainda que ocorressem em dias ou semanas próximas, o falado afastamento de Cunha e a superação do impeachment não trariam a rearrumação em futuro próximo. O rescaldo desse ambiente caótico será grande e difícil. Mas nem por isso há quem esteja pensando nisso.

Em países primários é assim.

INDEVIDO

As notas do deputado Eduardo Cunha –por exemplo as de contestação crítica a informações procedentes da Procuradoria Geral da República– são emitidas como atos de responsabilidade da Assessoria de Comunicação da Câmara. O que as motiva e o seu teor, porém, não dizem respeito à Câmara. Também não à presidência da Casa. São pessoais. De interesse de Cunha na condição de citado e investigado em inquéritos, por fatos alheios ao exercício da presidência da Câmara.

As notas derivam de um desvio de finalidade imposto à Assessoria de Comunicação. São abuso funcional de poder.

NA LEI

Intelectuais de São Paulo, sobretudo professores, lançaram no fim da semana passada a sua carta apartidária contra o impeachment. Tardou, mas saiu.

A partir do Rio, quando o ataque ao mandato estava mais aceso, foi tentado, entre escritores, pessoal de cinema e teatro, e correlatos, um pronunciamento apartidário em defesa do Estado de Direito. Ou seja, para que tudo, fosse o que fosse, se passasse nos limites da legislação. A intenção não conseguiu avançar.

Mas não ficou claro se os consultados desistiram da responsabilidade de intelectuais, desistiram do Brasil ou desistiram da democracia. A continuada firmeza do silêncio, ou apatia, sugere as três desistências. Que não incluem a Lei Rouanet e outras fontes.

VÁ LÁ

Você é convidado do PMDB. O partido faz amanhã a solenidade festiva de inclusão do retrato de Cunha na galeria dos ex-líderes da bancada. A homenagem é justa: ninguém no PMDB das últimas décadas fez mais, e está fazendo, pela história do partido do que Cunha.

Não perca. Ao que Cunha reitera, e ontem voltou a fazê-lo em mais uma nota, você só terá outra oportunidade quando da inclusão de novo retrato na galeria dos que presidiram a Câmara. Por dois mandatos. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. CB

    20 de outubro de 2015 11:49 am

    Para combinar com a grandeza

    Para combinar com a grandeza do ato, o pedido de impeachment deveria ser impresso em papel higiênico.

  2. nilo

    20 de outubro de 2015 11:59 am

    Boa analise. Bicudo e Reali

    Boa analise. Bicudo e Reali Jr perderam totalmente o rumo, “a percepção da realidade” e tentam dar roupagem a um golpe totalmente injustificado. Movidos por ódios? recalques? vingança? inveja?… talves por todas essas razões…

    A responsabilidade da grande mídia impatriótica pelo grande e difícil rescaldo (do âmbiente caótico criado, manipulado, destrutivo, derrotista) é imenso e deve ser cobrada não apenas como um registro histórico mas por uma democratização urgente dos meios de informação.

    À propósito dessa cobrança ainda valendo o site de coleta de assinaturas para a Proposta de Lei:  Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática, lançado em 2013 pela Campanha Para Expressar a Liberdade (http://www.paraexpressaraliberdade.org.br).

    1. Lionel Rupaud

      20 de outubro de 2015 1:35 pm

      Reale Jr por favor, não suje o nome da bela familia Reali,

      que agora tem um braço na França, com a atriz Cristina Reali a mais conhecida, cuja pai teve que fugir da ditadura, apesar de ser empregado dos Mesquitas, umas das familias golpistas…

  3. saulogeo

    20 de outubro de 2015 12:39 pm

    “Pessoa física”

    Ao ser questionado sobre o fato de Cunha estar sendo acusado, Bicudo argumentou que é a pessoa física do Cunha que está sendo questionada.

    Isso lembrou um episódio pessoal quando tentava registrar, sem sucesso, uma reclamação contra a Telefônica, junto à Anatel.

    De saco cheio, a certa altura da conversa questionei o atendente da Anatel sobre o fato do então Presidente da Anatel, Renato Guerreiro, ter sido fotografado no Camarote da Telefôncia em evento da Fórmula 1. O atendende, na maior cara dura, disse que o Presidente estava lá como pessoa física……… Argumentei que também era pessoa física e nem por isso tinha sido convidado para o Camarote. Piii-Piii-Piiii. Fim da conversa.

  4. Regina Ferreirinha

    20 de outubro de 2015 1:19 pm

    Aval Moral

    Aval moral????O que dizer aos meus netos…Um, político acusado de enviar tanto dinheiro ao exterior…tem aval moral de juristas? Que juristas são estes para dar em nome de uma nação um aval moral?????Que paIS É ISSOE..QONDEJUÍZES ADMITEM QUE UMA PESSOA ENVIE DINHEIRO AO EXTEIROR DESTA FORMA?EQTO PAIRAR DÚVIDAS EM CONDUTAS DO JUDICIÁRIO…NINGUÉM CONSERTA NADA POR AQUI…LÁSTIMA…

  5. Fábio Capela

    20 de outubro de 2015 1:53 pm

    Ou seja, Cunha pratica Improbidade Administrativa

    “Em outra nota, Janio ressalta que Eduardo Cunha emitiu notas contestando a Procuradoria Geral da República através da Assessoria de Comunicação da Câmara. Para ele, o teor das notas são dizem respeito a Cunha, e não à Câmara, e, por isso, representam desvio de finalidade da Assessoria e abuso funcional de poder.”

    Trocando em miúdos, até na sua defesa o Cunha está praticando um delito, no caso improbidade administrativa. E, diga-se de passagem, outras autoridades — incluindo o Janot — já disseram o mesmo, em especial sobre o caso em que o Cunha tentou colocar advogados da Câmara para anular a coleta de provas contra ele na Lava Jato.

  6. Franbeze

    20 de outubro de 2015 2:06 pm

    A senhora Dilma merece

    toda essa campanha contra ela. Quem manda ela ser incompetente e covarde. E para piorar mantem o zé tacanalha no ministério da justiça. Ela tome cuidado pra não ser presa.  A incompetência dessa mulher me irrita.

     

  7. Jossimar

    20 de outubro de 2015 3:31 pm

    ” ex-promotor Hélio

    ” ex-promotor Hélio Bicudo”

    Como digo, temos de nos livrar desta praga chamado Ministério Público.

  8. Maria Rita

    20 de outubro de 2015 3:58 pm

    Não sei mais se Cunha é o

    Não sei mais se Cunha é o bufão dessa história toda, caçoando e rindo de todos, incluindo a oposição, ou se os dois juristas são os bufões de todos os golpistas. Mas esses últimos, o caso não é mais de rir. É de dar pena. Pena de tucano, ora bolas!

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