17 de junho de 2026

A injustiça racial retratada no filme A Cor Púrpura

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Do Obvious

A Cor Púrpura: 30 anos de histórias para ver, amar e pensar

POR FRANCISCO JULIO XAVIER

Filme não se assiste apenas. Pode causar riso, espanto, alegria e até algo mais. Quando é dramático, é impossível não sentir. Em se tratando de filmes clássicos, A Cor Púrpura tem muito para emocionar e fazer pensar.

O filme de 1985, A Cor Púrpura (The Color Purple) é um clássico, mais toda vez que reprisado, vem à tona o seu poder de impressionar por sua história de indecifrável comoção. Nos mostra os vários contextos nos quais está inserida a sociedade americana do início do século passado, nos âmbitos da cultura, comportamento e política, além de nos levar a náusea, ao confrontar-se com a mesquinharia humana e preconceitos, os quais estavam incutidos no meio social da época. Faz uma abordagem dramática sobre a discriminação racial e a sexualidade, e sobre a dificuldade dos excluídos em viver nesse meio.

O roteiro é baseado na obra homônima de Alice Walker, escritora estadunidense, que ganhou o Prémio Pulitzer, eternizando o legado para literatura. Recebem esse prêmio as personalidades que realizam trabalhos de excelência na área da literatura, do jornalismo e da música. A partir disso, se destacou no mundo a história das duas irmãs separadas, e se consagrou definitivamente quando virou roteiro adaptado para o cinema. Além do livro, publicado em 1982, a autora tem dezenas de outros romances de sucesso na literatura.

Além desses aspectos que causam indignação ao assistirmos, somada a uma carga tão profunda de desumanidade e perseguição racial pela elite dominadora americana, além de um roteiro com nível de descrição de sentimentos e atuação maestrina do elenco, a direção também se destaca com o fabuloso cuidado em transmitir emoção em todos os ângulos. O filme consegue ser ainda mais fascinante em nos mostrar contrapontos, pelos quais podemos fazer ligações com a comédia e o drama.

Quem vê Whoopi Goldberg atuando em papeis cômicos, como a espirituosa Oda Mae Brown, que ganhava a vida aplicando golpes e do charlatanismo em, Ghost (Do Outro Lado da Vida), ou ainda interpretando a personagem Irmã Mary Clarence, em Sister Act (Mudança de Hábito), talvez nem imagine que o filme com uma carga tão forte de drama, A Cor Púrpura, tenha sido estrelado pela atriz no início de sua carreira nos cinemas, na pele da personagem principal, Celie. É encantador entender que a personagem encontra o caminho para se redescobrir através de Shug Avery, uma cantora de Blues, interpretada pela atriz Margaret Avery. A primeira vista seria talvez encarada como um desamor na vida de Celie, mas a amizade e a cumplicidade despertada entre as duas abre novas perspectivas e descobertas na vida de ambas.
 

Outro contraponto é referente à direção do longa. O diretor de filmes como, Indiana Jones and the Last CrusadeE.T. the Extra-Terrestrial e Jurassic Park – todos clássicos de ficção produzidos para a telona – encantaram milhões de espectadores em todo o mundo, com seus efeitos especiais de encher os olhos. O que talvez a plateia voraz – consumista de produções como essas – e até mesmo fãs do diretor e de suas produções não tenham atentado é para esse outra faceta, ou até mesmo não reconheçam a grandeza e a proeza do maestro que orquestrou também o clássico dramático, que encantou o mundo em meados da década de 1980.

Steven Spielberg é também ‘o mestre’ em fazer de grandes histórias dramáticas, obras que marcam a história da sétima arte, a exemplo é o Schindler’s List (A Lista de Schindler), com duas indicações ao Oscar. A Cor Púrpura teve no ano de 1986, 11 indicações a Estatueta dourada, nas categorias Melhor Atriz Principal, para Whoopi Goldberg; duas indicações de Melhor Atriz Coadjuvante, para Margaret Avery e Oprah Winfrey; Melhor Roteiro Adaptado; Figurino; Fotografia; direção de Arte; Maquiagem; Trilha sonora e Melhor canção Original, com o sucesso Miss Celie’s Blues. Porém, o prêmio mais expressivo arrematado pelo longa foi o Globo de Ouro (Golden Globe Awards), coroando Whoopi Goldberg como melhor atriz.

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Outro grande nome que brilhou interpretando Sofia, fez da personagem símbolo da batalha contra a injustiça racial. Do tipo que não leva desaforo para casa, Sofia é a típica mulher forte que faz exercer seu direito na marra. Porém, reflexo disso e da opressão que os negros e pobres sofriam, surge daí os contratempos que a vida revela, levando-a para um destino de amarguras. O temperamento forte e a insatisfação com as injustiças a fez refém da crueldade, disfarçada de lei soberana contra as injúrias aos cidadãos de bem. Vê-se agora tendo que se sujeitar a desfazer-se do lar e da família para viver num inferno, sem expressão e aparência de alegria, apenas de sofrimento. Hoje, o brilho da alma forte – em duros anos de dor, perde toda a vivacidade. A extrema fragilidade é o que aparenta, ao passo que surgem os primeiros cabelos brancos. Transparece agora apenas o medo e a desesperança.

O filme tem um elenco extraordinário, e se não veio estatueta dourada, a película conseguiu um feito estupendo. Reservou duas indicações para atrizes coadjuvantes. E essa é outra história a parte que o filme traz. Hoje conhecida pela grande popularidade como apresentadora de TV e empresária, além de vencedora de vários prêmios Emmy, com o talk-show de maior audiência da história, Oprah Winfrey, que encanta em Selma, pela atuação como a ativista Annie Lee Cooper, tem sua história marcada de forma estrondosa pelo personagem Sofia.

A Cor Púrpura não marca apenas por ser uma bela história ou que profundamente nos faz refletir. Pode despertar em nós o forte repúdio as ações desumanas, a aversão à crueldade. Tem o poder de adentrarmos em sentimentos que, ao assistir, desperta até que meio involuntariamente. A Película não se vê apenas, se sente, faz transparecer a fragilidade, a maldade e a mesquinhez humana, ali, na alma. Analisamos e redirecionamos nosso olhar para a beleza da obra e concluímos: nos faz pensar, nos emociona e nos alerta para sermos menos seres e mais humanos. Em 2015 se completa 30 anos desse feito na sétima arte, a primeira exibição nas telonas. Uma ótima homenagem é assistir. Veja e sinta tudo isso! Se já assistiu, relembre e com outro olhar. Fazemos outras descobertas quando apreciamos uma obra por outros aspectos. Se deixe levar, ouse sentir!

 

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3 Comentários
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  1. Luiz Gonzaga da Silva

    6 de outubro de 2015 9:17 pm

    “Trilha sonora e Melhor

    “Trilha sonora e Melhor canção Original, com o sucesso …”

    Miss Celie’s Blues.”

    https://www.youtube.com/watch?v=9_W2g1TiIc4 – de Quincy Jones & Rod Temperton com Margaret Avery

  2. edmorc

    6 de outubro de 2015 11:19 pm

    Excelente

    Merece ser reassistido de tempos em tempos. É o que tenho feito.

  3. rita scaramuzzi

    7 de outubro de 2015 1:17 am

    o filme é lindo!  gosto

    o filme é lindo!  gosto também. outro fime que eu gosto de Spielberg  é Amistad.

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