4 de junho de 2026

No Rio, PM para jovens a caminho de praias na Zona Sul

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Jornal GGN – Quinze jovens cariocas foram retirados de um ônibus a caminho das praias da Zona Sul do Rio de Janeiro e levados ao Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente, em Laranjeiras. Segundo matéria publicada no Extra, a maioria dos rapazes era negro e pobre, e nenhum deles portava drogas ou arma.

Sob condição de anonimato, os funcionários da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social que trabalhavam no local disseram discordar do recolhimento dos menores. “No início, o critério era estar sem documento e dinheiro para a passagem. Agora, está sem critério nenhum. É pobre? Vem para cá. Só pegam quem está indo para as praias da Zona Sul. Tem menores que, mesmo com os documentos, são recolhidos. Isso é segregação. Só hoje (domingo) foram cerca de 70. Ontem (sábado), foram 90”, afirmou uma conselheira tutelar.

Enviado por Braga-BH

Do Extra

 
Eram por volta das 14h30m de ontem quando 15 jovens, a maioria da periferia do Rio, se revezavam em um banco para quatro lugares no corredor externo do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Ciaca), em Laranjeiras, após terem sido recolhidos pela Polícia Militar. O motivo? Estavam indo para as praias da Zona Sul do Rio.
 
— Tiraram “nós” do ônibus pra sentar no chão sujo e entrar na Kombi. Acham que “nós” é ladrão só porque “nós” é preto — disse X., de 17 anos, morador do Jacaré, na Zona Norte.

 
Do grupo que havia sido retirado de um ônibus que chegava a Copacabana, só um rapaz era branco. Os outros 14 tinham o mesmo perfil: negros e pobres. Todos os jovens ouvidos pelo EXTRA estavam em linhas que saem da Zona Norte em direção à orla. Nenhum deles portava drogas ou armas.
 
— Nós “estava” dentro do ônibus, não estava com nada. Nós “é” humilhado na favela e na “pista” — disparou Y., de 14 anos, que havia saído do Morro São João, no Engenho Novo, com quatro colegas.
 
Sem comer desde que haviam sido recolhidos pela PM, no fim da manhã, a todo momento os jovens pediam por comida. Os lanches só foram entregues cerca de quatro horas depois de a ida para a praia ser interrompida.  
 
Pedindo anonimato, quatro funcionários da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social que estavam no local disseram não concordar com o recolhimento dos menores. Uma conselheira tutelar, que também preferiu não se identificar, não conteve a revolta com a situação que, segundo ela, tornou-se corriqueira:
 
— No início, o critério era estar sem documento e dinheiro para a passagem. Agora, está sem critério nenhum. É pobre? Vem para cá. Só pegam quem está indo para as praias da Zona Sul. Tem menores que, mesmo com os documentos, são recolhidos. Isso é segregação. Só hoje (domingo) foram cerca de 70. Ontem (sábado), foram 90.

Defensores criticam medida

Após saber do recolhimento ocorrido ontem, a defensora pública Eufrásia Souza das Virgens, que comanda a Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cededica), esteve no Ciaca com o também defensor Rodrigo Azambuja. Hoje, eles vão reiterar um pedido feito em maio à 1ª Vara da Infância e Juventude da capital, para que a PM seja proibida de abordar menores dessa forma.

— A polícia está privando de liberdade esses adolescentes que não cometeram qualquer ato infracional. Isso é inaceitável, algo que se fazia na ditadura militar — avalia Eufrásia.

Ontem, um ônibus da PM com pelo menos 20 jovens chegou ao Ciaca por volta das 16h. Ao ver a equipe de reportagem, porém, a polícia desistiu de deixar os adolescentes e saiu do local.

Polícia alega situação de risco

Procurada, a Polícia Militar afirmou, por meio de nota, que “as ações ocorreram visando a proteger menores em situação de risco ou em flagrante de ato infracional”. O defensor público Rodrigo Azambuja, porém, contesta a versão oficial.

– A situação de risco é quando a criança está na rua ou sendo explorada. Se ela estiver nessa situação, pode haver uma abordagem, mas da equipe de assistência social, não da polícia – diz Azambuja, acrescentando: – Isso (impedir que os adolescentes cheguem às praias da Zona Sul) é crime, está previsto no artigo 230 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe “privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente”.

Ao comentar a prática, o frei David Santos, coordenador da ONG Educafro, que trabalha pela inclusão social de negros e pobres, também foi taxativo:

– A comunidade negra vive um momento de muitas preocupações frente à postura arbitrária da polícia. O racismo institucional está cada vez mais nítido.

 

Fachada do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente em Laranjeiras.
Fachada do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente em Laranjeiras. Foto: Thiago Freitas / Extra

 

O que faz a secretaria

Ao chegarem ao Ciaca nos micro-ônibus da PM, os jovens preenchem uma ficha com dados pessoais e respondem a perguntas como se são usuários de drogas e para onde estavam indo. A Secretaria de Desenvolvimento Social informou que “quem define os critérios ou quem será levado é a PM”.

Ainda de acordo com a pasta, ao chegarem ao Centro Integrado, os adolescentes fornecem os contatos de seus responsáveis e os aguardam até que eles cheguem ao local.

Quando o contato com um responsável não é imediato, o adolescente é encaminhado à Central de Recepção Carioca, onde pode pernoitar. Nesses casos, o Conselho Tutelar da área de moradia do jovem também é acionado.

 

A defensora pública Eufrásia Souza: medidas contra ação da PM.
A defensora pública Eufrásia Souza: medidas contra ação da PM. Foto: Thiago Freitas / Extra

 

‘Não se pode retirá-los das ruas dessa forma. É totalmente ilegal’

Entrevista com a defensora pública Eufrásia Souza das Virgens, coordenadora da Cededica

Que outras providências a Defensoria vai tomar por causa desse recolhimento?

Amanhã (hoje), vamos protocolar um ofício pedindo as informações dos adolescentes e a identificação dos PMs que os recolheram, e vamos pedir a abertura de um inquérito na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) para a apuração do crime.

Como a senhora avalia esse modo de agir da PM?

É inaceitável. Impediram que esses jovens tenham acesso a uma área de lazer da cidade, o que é muito grave. Só queremos que a polícia cumpra aquilo que está na lei. Se as crianças e adolescentes estão circulando normalmente pela cidade, não se pode retirá-los das ruas dessa forma. É totalmente ilegal.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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12 Comentários
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  1. Carlos FM

    25 de agosto de 2015 1:29 pm

    Papelão!

    Nassif, é favor contar a história direito: o título da postagem devia ser “No Rio, PM para jovens negros e pobres a caminho de praias na Zona Sul”. O pior cego…

  2. CarloB

    25 de agosto de 2015 1:48 pm

    Isso deve ser invenção

    só chamar a atenção. O que é isso!

    O racismo não existe no Brasil e nem a luta de classes. Esses jovens tem a oportunidade de estudar e viver igual a qualquer outro jovem rico que mora nas praias da zona sul.

    Se ele não conseguiu um bom estudo e um bom emprego na vida é porque ele não se esforçou o suficiente e pela meritocracia ele não mereceu chegar lá. Sempre temos alguns exemplos para provar isso.(A ironia acaba aqui)

    O pior de tudo é que tem bastante gente que pensa assim. Acho que esse tipo de acontecimento desautoriza qualquer imbecil que venha a falar em igualdade , justiça e meritocracia nesse País.

    E o pior é que as mesmas pessoas que passam a mão na cabeça de jovens de classe mais alta quando fazem um monte de merda , são os primeiros a condenar esses jovens. Esses tem que passar por toda essa humiliação e não se revoltar. Esses tem a obrigação de serem civilizados e entenderem e assimilarem essa selvageria.

  3. Leo V

    25 de agosto de 2015 2:03 pm

    Apartheid na prática.
    E isso

    Apartheid na prática.

    E isso depois de 13 anos de governo “progressista” Governo que nunca tocou na questão do extermínio policial da população pobre, pelo contrário, contribui com ela, como vemos pelo governador da Bahia e pela ocupação militar do Complexo do Alemão.

    1. JFO

      25 de agosto de 2015 5:26 pm

      Que bobagem! O governo não

      Que bobagem! O governo não tem nada com isso.

      Ou você ainda não leu o livro do Ali Kamel, Não Somos Racistas?

      Não temos racismo no Brasil.

  4. janes salete

    25 de agosto de 2015 2:22 pm

    To falando que esses pms são

    To falando que esses pms são recalcados por serem pobres! Eles odeiam pobres como eles! Ao invés de exigir respeito de seus patrões, tratam seu algoz com total servidão. DIGNIDADE, criaturas, ltem por isso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Felipe Santos

    25 de agosto de 2015 2:24 pm

    Haiti é aqui

    Todo camburão tem um pouco de navio negreiro. 
     

  6. Gilson AS

    25 de agosto de 2015 2:39 pm

    Todos pretos.
    O direito de ir

    Todos pretos.

    O direito de ir e vir no RJ está sendo violado, principalmente se você for preto.

    Preto, morador da zona norte do RJ, só pode ir para zona sul da cidade, se for para limpar privada, fazer faxina, empregada doméstica, etc e tal.

    E tem apoio do governado do estado Pezão, que durante à capanha disse que adorava pobre.

    Na realidade dizia que era pobre, que andou muito de ônibus e trem. Só faltou dizer que era mulatinho.

    Preconceito declarado de um estado, da República Federativa do Brasil fundada há 514 anos.

    A constituição brasileira não funciona no RJ.

    E aí, o que dizem os defensores de raça/cor do blog. 

    Eles são pretos, ou da raça negra. São da raça negra ou são pretos ? putz ! que dúvida.

    Foi mal, raça não existe, são todos serem humanos.

     

  7. MAAR

    25 de agosto de 2015 3:03 pm

    FLAGRANTE SEGREGAÇÃO SOCIAL

    Os fatos apontados na reportagem evidenciam a ocorrência de um procedimento de flagrante segregação social, praticada por agentes do poder público. Este descalabro caracteriza a vigência, pontual mas efetiva, de um regime de exceção que desafia e agride o Estado Democrático de Direito. Agora, é chegada a hora de verificar se o Ministério da Justiça ainda padece de apatia e desídia antidemocrática.

  8. rdmaestri

    25 de agosto de 2015 3:04 pm

    Depois falam que os gaúchos que são racistas.

    Vire e meche na imprensa e até em comentários de blogs falam que os gaúchos são racistas, ações isoladas como a da menina que no jogo de futebol gritou desaforos ao goleiro do time adversário virou comentário nacional sobre o racismo dos gaúchos. Porém no RS nenhuma ação completamente ilegal como esta é feita sem que no mesmo dia se abra uma reclamação judicial contra o arbítrio e a discriminação. 

    Na cidade de Porto Alegre, uma vez por mês há um dia de passe livre para permitir que as pessoas da periferia que não tem direito se movimentar por toda a cidade sem pagar nada.

    Ou seja, uma coisa é o racismo individual das pessoas, que mesmo que se tenha que criticar e lutar contra ele, não se compara ao racismo institucional, um verdadeiro apartheid social e racial.

    Se realmente a notícia for verdadeira, os comandantes da corporação deveriam estar sendo processados, pois mesmo o fato de prender jovens que não tem documentos ser presos por isto, qual o delito que um cidadão brasileiro faz quando se desloca na rua sem documentos ou mesmo sem dinheiro para uma passagem de ônibus. Quem disse que ele não pode andar a pé?

    Surpreende-me que a reportagem aceite o critério de prender os menores tendo como motivo a falta de identificação e dinheiro.

    A que ponto chegamos?

  9. Alan Souza

    25 de agosto de 2015 3:12 pm

    Não, Ali Kamel

    Não somos racistas. De jeito nenhum!

    A moça do tempo do seu Jornal Nacional que o diga…

  10. RONALD2

    25 de agosto de 2015 4:13 pm

    OTORIDADE

    Ce sabe com quem ta falando??????????

    Vale tanto prá policial quanto pra juiz.

    O exemplo infelizmente vem de cima.

    O gilmau sentou no julgamento da proibição de financiamento de empresas prá campanha pública e ninguém fala nada, porque os policiais aqui da base da piramide também não podem fazer o que querem???????

  11. Fábio de Oliveira Ribeiro

    25 de agosto de 2015 4:23 pm

    Não somos racistas, dizem os

    Não somos racistas, dizem os leitores do Kamel. Só não queremos pobres escurinhos nas nossas praias, eles completam ao aplaudir a atuação da PM não racista do Rio de Janeiro. 

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