
por André Araújo
Depois do lançamento das duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, o Japão ainda enfrentou uma nova frente de guerra em grande escala: a invasão da Manchúria, tornando Estado satélite do Império do Japão, conhecido como Manchukuo. A URSS foi neutra em relação à guerra no Pacífico, tinha um Tratado de Não Agressão com o Japão, vital para permitir ao Exército vermelho transferir tropas da Rússia asiática para a frente leste europeia. Mas a pressão americana na Conferência de Yalta, reforçada na Conferência de Potsdam com Truman, fez a URSS declarar guerra ao Japão e invadir sua rica província da Manchúria, colonizada por japoneses desde a década de 30 e onde o Japão mantinha um grande e intacto exército, o KWANTANG ARMY, com 35 divisões descansadas, em boa ordem e bem equipadas.
Os russos começaram a invasão em 9 de agosto de 1945, portanto há 70 anos, com 12 exércitos e 1.800.000 homens comandados pelo Marechal Alexander Vasilievsky, apoiado por 5.600 tanques e 5.700 aviões. Os russos superaram o Exército do Kwantang em mais de 2 por 1 e muito mais tanques e aviões, a 20 de agosto já tinham ocupado todo o território.
Em 2 de setembro o Império do Japão se rende a bordo do couraçado Missouri perante o General Douglas Mac Arthur.
A vitória russa na Manchúria significou a liberação desse vasto território, que na sequência passou ao controle dos comunistas chineses. Hoje a Manchúria é um Pais independente, com grandes reservas minerais mas é interessante que o Exército do Kwantang foi mantido no territorio até 1949 a pedido dos Aliados para manter certa ordem na região e conter o banditismo endêmico, a guerra civil na China estava longe de ser vencida pelos comunistas de Mao.
Manoel Teixeira
11 de agosto de 2015 12:00 pmFrente Russa
É sempre bom lembrar que os russos venceram os alemães na segunda grande guerra, tendo destruído mais de 70% das tropas e dos equipamentos ( tanques, aviões, peças de artilharia, etc… ) nazistas. Ninguém, no ocidente, conhece o esforço russo.
As três maiores fabricantes de aviões russos fabricaram milhares de aeronaves. Só do YAK-9 foram produzidas mais de 16.000 unidades, tendo destruído a maior parte da Luftwafe, a força aéra nazista.
Quando os EUA entraram na Europa encontraram uma força nazista muito reduzida.
O episódio da Mandchúria foi só mais um do protagonismo russo na segunda guerra.
Athos
11 de agosto de 2015 2:54 pmQuem tiver interesse e souber
Quem tiver interesse e souber inglês pode baixar Soviet Storm.
Documentário russo sobre a sua Grande Guerra Patriótica.
Narração em inglês. Só baixar no kickasstorrents.
Imparcial atento
11 de agosto de 2015 2:46 pmSempre muito boas as
Sempre muito boas as postagens históricas do senhor Araujo.Solicito corrigir,a Mandchuria hoje não é um pais independente ,e sim uma das muitas provincias da China ,como o Tibete,Sinkiang,Mongólia Interior ,etc.
André Oliveira
11 de agosto de 2015 9:40 pmOs russos começaram a invasão
Os russos começaram a invasão em 9 de agosto de 1945, portanto há 70 anos, com 12 exércitos e 1.800.000 homens comandados pelo Marechal Alexander Vasilievsky, apoiado por 5.600 tanques e 5.700 aviões.
Impressionante a dimensão da ofensiva.
Também não deixa de ser espantoso que os soviéticos ainda tivessem tantos recursos humanos e equipamentos disponíveis para abrir essa frente em agosto de 1945 quando já estava terminado oficialmente o conflito europeu.
Luiz Antonio de Castro Chagas
3 de julho de 2020 3:47 pmTambém é bom, reportando-se à história, saber que os Estados Unidos forneceram uma imensa quantidade de veículos militares, aviões e alimentos à União Soviética. É fato que morreram muitos russos na segunda grande guerra principalmente porque Stalin, como Hitler não se importavam com a morte das pessoas, mas sim com a vitória.
junior50
11 de agosto de 2015 11:29 pm” Chinilpas ” e ” Batalhão Especial Gando “
No ocidente, fatos históricos e politicos relativos a 2a GM, mais divulgados e estudados, são sobre a sua parte européia, deixando as “campanhas do Pacifico e Oriente ” em segundo plano, mas em relação a como se reformou o mundo após 1945, o estudo dos acontecimentos nos varios teatros militares orientais ; como os processos de descolonização, formação de estados nacionais, ou até mesmo conflitos da guerra fria, são tão importantes quanto as ocorrencias européias.
Um exemplo interessante tem relevancia com o “Exército do Kwantung – Manchuko” , como a formação da Coréia do Sul, pois grandes personagens politicos que formaram este Estado, e o lideraram até os anos 70, eram conhecidos no fonético coreano, com o “apelido” de “chinilpas” ( coreanos amigos de japoneses ), TODOS , apesar de coreanos de nascimento, serviram no Exercito Imperial Japonês na região da Manchuria e Peninsula Coreana, inclusive foram formados oficiais em academias militares niponicas, absorvendo forte influência da extrema direita militarista japonesa, formando no Exército do Kwantung o “Batalhão especial Gando”, especializado em ações contra-insurgência ( movimentos anti-japoneses, comunistas, nacionalistas etc.. ), com varias acusações podteriores de “crimes de guerra”, tanto na China quanto na Peninsula coreana.
Alguns destes oficiais “japoneses – coreanos” importantes para a Coréia do Sul:
Park Chung-Hee : Ditador , de 1962 até o golpe de 1979 ( Capitão do Exército Imperial Japonês)
Chung In- Kwon : 1o ministro da Coréia do Sul 1964 – 1970 ( Tenente do Exército Imperial Japonês, com o nome de Nakagima Ikken )
Paik Sun – Yup : Embaixador em varios paises, ministro dos transportes, 1o general de 4 estrelas da Coréia do Sul ainda vivo ( oficial NCO do Exército Imperial Japonês, considerado pelos comunistas chineses como criminosos de guerra, um dos responsaveis pelo massacre de Jindao ).
E AA, se pegarmos as ações posteriores a agosto de 1945, relativas as “rendições” do exército imperial japonês, referentes a Indochina, Peninsula Malaia, Indonésia, como a tentativa de criação do Império do Vietnã, é assunto para “mais de metro”.
Anônimo
15 de agosto de 2019 7:16 pmHá uma coisa que até hoje não está bem explicada, quando os Japoneses lutavam contra os norte-americanos a quantidade de soldados e oficiais, como também civis japoneses não se entregavam para as tropas norte-americanas, simplesmente suicidavam-se, já na invasão da Mandchúria a quantidade de prisioneiros (logo vivos) foi muito acima dos prisioneiros feitos pelos norte-americanos. Ou seja, seria interessante alguém que conhecesse melhor o cenário do oriente explicasse melhor o que aconteceu.