4 de junho de 2026

O ouvido e o vazio

Enviado por Cris Kelvin

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7 Comentários
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  1. Anarquista Lúcida

    1 de agosto de 2015 8:28 pm

    Super interessante: as coisas falam, e nao sabemos ouvi-las

    No maremoto gigante que houve na Ásia há alguns anos atrás, praticamente só morreram humanos e caes domesticados. A maioria dos animais se salvou. Souberam ouvir, sentir os sinais da Natureza.

    Há histórias fantásticas a esse respeito. Um pesquisador estava numa praia estudando uns chimpanzés. De repente os chimps pararam tudo o que estavam fazendo e se embrenharam correndo na floresta. O pesquisador teve o bom senso de segui-los. Se salvou.

    Outra história fala sobre um barco que, sentindo o mar forte, resolveu voltar para terra — e teria sido despedaçado contra a costa quando a onda gigante viesse. Uns golfinhos surgiram na frente do barco e nao o deixaram prosseguir: o barco tentava contorná-los, eles mudavam de lugar de modo a continuar na frente. O barco voltou para o mar alto, e se salvou. Incrível, os animais nao só se salvando como vindo salvar os humanos!

    Há tb o caso de uma elefanta extremamente dócil, que nunca tinha tentado arrebentar a frágil correntinha que a prendia. Naquele dia a arrebentou e fugiu. Se salvou…

    A linguagem é uma vantagem, sem dúvida. Mas ela é um poder de abstraçao, substitui num grau bastante grande os sinais concretos que os órgaos dos sentidos enviam, “traduzindo-os” em conceitos, algo bem mais abstrato. Em alguns casos a vantagem se torna desvantagem: perdemos em grande parte a capacidade de sentir esses sinais e reagir de acordo, como fazem os animais.

    1. Cris Kelvin

      1 de agosto de 2015 10:29 pm

      Talvez…

      …estejamos com os sentidos entorpecidos, embotados pelo mundo da representação e das ideias. Necessitamos de sentidos  de criança porque para a crianca tudo é encantamento e descoberta; necessitamos ver os seres neles mesmos, em seus fenômenos, falas, aparecimentos – e  em sua divindade, por que não dizer – encontrando o ser-aí em sua facticidade. Me parece, Anarquista, que o autor do vídeo quer esse inocência, em sua própria poesia, sem mediacoes, mas encontra ironicamente, como Nietzsch, o problema da incomunicabilidade. Compreender a linguagem do ser e do tempo talvez seja a chave:

      [video:https://m.youtube.com/watch?v=a8A11uw9V8I%5D

       

       

       

      1. Anarquista Lúcida

        2 de agosto de 2015 1:48 am

        O q sugeri é q o “embotamento” é consequência inevitáv d linguag

        É ela que se substitui aos sinais elementares dos sentidos, e diminui a nossa necessidade/ possibilidade de os percebermos.

  2. Cris Kelvin

    2 de agosto de 2015 12:31 pm

    À medida que a linguagem é representação, sim…

    … porque posta do lugar da coisa, apartada do corpo e esvaziada (alienada) de sua função referencial. Suponho que exista uma semiologia geral que dê conta da linguagem da realidade. Como aquela de que o sertanejo se vale para ler as mudanças do tempo, a qual você faz alusão em seu texto.

    1. Anarquista Lúcida

      2 de agosto de 2015 5:55 pm

      Bom, duvido bastante da existência desse tipo de Semiologia…

      Seria preciso o conhecimento total da realidade, e tb haveria várias “zonas semiológicas” diferentes para diferentes fenômenos da realidade. Ela só pode existir inconscientemente, como existe talvez nos animais, porém sempre na medida dos órgaos dos sentidos específicos e da experiência que eles têm (tubaroes, por ex., percebem a eletricidade da água; morcegos têm radar orgânico, o olfato na maioria dos animais é muito mais aguçado e capaz de perceber diferenças olfativas do que nos primatas em geral e nos humanos em particular.

      1. Cris Kelvin

        3 de agosto de 2015 6:21 pm

        É, infelizmente nos falta essa semiologia

        que descreveria a linguagem da realidade. Não temos os sentidos de outras espécies, certamente, mas podemos interpretar de acordo com nossas capacidades e repertórios. De conviver com  os sabiás aqui da rua, sabe-se quando começam e param de cantar,  quando o canto é de acasalamento e em que período do ano não cantam. A própria ação do homem vem modificando seus hábitos. Chegam  a rasgar os sacos de lixo em busca de alimento. Indício de que o numero de pássaros aumentou, há observância da lei de preservação, falta alimento e houve adaptação  ao crescimento do bairro para sobreviverem. Um  fato particular, claro.  Se nossa capacidade é limitada e precária,  nada nos impede de tentar decodificar as conexoes e tentar apreender os fenômenos com mais totalidade.  Seja pelo menos possivel apreender a linguagem do homem que se expressa através de sua açao que modifica a realidade e atua sobre o espírito.

        1. Anarquista Lúcida

          3 de agosto de 2015 9:56 pm

          Isso é possível sim, mas já é outra questao

          Nao se trata de acesso direto aos sinais da natureza, mas da capacidade ao menos parcial de descrevê-la e de atuar sobre ela. E é objeto de estudo de várias ciências.

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