
do Objetivando Disponibilizar
O dia em que a maldição do sintagma zicado rendeu um paradigma errado
por Madrasta do Texto Ruim
(Este post tem o patrocínio intelectual de Ferdinand de Saussure, o dicotômico.)
Eu já expliquei aqui o que é sintagma. Se você perdeu, o spoiler: é o nome técnico que se dá à mínima unidade de compreensão de um texto. Em linguagem vulgar, sintagma é chamado de expressão – ou, como preferiu o Britto, do Tijolaço, bordão. Ele pode ser composto só de nomes, e recebe o nome de sintagma nominal; pode ser composto de verbo(s), e chama-se (adivinha?) sintagma verbal (RÁ! Ixpertão! )
Pois bem. Voltei a falar do sintagma por causa do Pablo Villaça, que em seu Facebook provou que geral nazimprensa tá abusando do direito de escrever o sintagma “apesar da crise” (Não dá pra chamar de nominal, porque “apesar” é conjunção. Mas deixa pra lá isso não vem ao caso). Se você jogar no Google “apesar da crise”, vai entend… ah, clica no link aí de cima e lê o texto do Pablo porque é muito legal!
Então nossa história começa com geral nazimprensa se dando conta de que “apesar da crise” tava ficando meio ridículo. O sintagma zicou, por assim dizer. O que fazer? Ah, vamos brincar de paradigma!

Pausa número dois pra explicar o que é um paradigma linguístico. Vamos partir do sintagma, que nos dá uma linha de ação. Apesar da crise, por exemplo, é um sintagma composto da seguinte forma:
apesar da crise
[Conjunção + preposição + substantivo]
O paradigma é o lance que mostra ser possível você fazer combinações de outras palavras dentro dessa mesma fórmula, e obter outros sintagmas, como é o caso de:
Mesmo com crise
[conjunção + preposição + substantivo]
Então, voltando à história do sintagma zicado. Apesar da crise deu BO, geral brincou de paradigma: mesmo com crise, ainda que haja crise, etcetcetc. Percebam vocês que a estrutura e a ideia passada pelos novos sintagmas manteve-se a mesma, certo?
Pois é.
Até a hora em que o UOL pesou a mão na brincadeira do paradigma. Saiu da fórmula conjunção + preposição + substantivo e trocou essa fórmula por uma oração inteira (sujeito + verbo + objeto): GM ignora crise.
Seguinte, amiguinhos: cês conseguiram alterar o sentido do apesardacrise zicado. Esse GMignoracrise não tá ornando. Sugiro trocarem por em meio à crise – mas pelo amor de Nossa Senhora dos Contextos, me craseiem esse a! Ele pede conexão e especificação!!
(Ou isso ou vocês doem essa matéria pra sair na Folha de amanhã. Esse texto tá A CA RA da Folha!)
Odonir Oliveira
29 de julho de 2015 9:36 pmPara um bom entendedor …
um risco pode ser Francisco, … menos JS, FHC e outros símbolos, signos, ícones ou o diabo do que se deseje ocultar.
Sergio Saraiva
29 de julho de 2015 10:05 pmA limonada do limão.
Se tem algo de bom nessa midia de resistência em que se transformaram os blog progressistas, ou sujos, ou chapas-brancas, é que tem muita gente boa deste lado. E muito texto gostoso de ler também. Os da Madrasta, po exemplo.
Na época da imprensa nanica, também foi assim. Gostaria de não viver isso outra vez, mas sempre tem a limonadada para curtir os limões da vida.
Madrasta do Texto Ruim
30 de julho de 2015 7:43 pm<3 <3 <3
<3 <3 <3
Anarquista Lúcida
29 de julho de 2015 10:21 pmCéus! Que definiçoes absurdas de sintagma(s)!
Sintagmas compostos só de nomes ou só de verbos? O primeiro caso até pode acontecer quando há um núcleo substantivo nao modificado e um aposto, e o segundo quando se tratar de uma locuçao verbal e o verbo principal for intransitivo. Mas ambos os casos sao a minoria absoluta dos exemplos de sintagma nominal e sintagma verbal. E um sintagma nao é a mínima unidade de compreensao de um texto.
Tudo bem que isso nao é o principal desse texto, mas por que incluir nomenclatura técnica num texto quando nao se entende nada do assunto?
Madrasta do Texto Ruim
30 de julho de 2015 7:42 pmReclamações com Ferdinand de Saussure
Fófis, as definições de sintgama e paradigma não são minhas, são de Ferdinand de Saussure. Estão lincadas na primeira frase do texto. e não, não vou usar in praesentia e in absentia pra definir os dois.
Se vc não gostou da definição, sinto muito. Mas ela está certa, sim.
Beijinhos linguísticos. No ombro.
Anarquista Lúcida
30 de julho de 2015 7:53 pmSaussure NUNCA definiu sintagma assim
Cite a página e o trecho… Quero ver, tenho o livro tanto em Português quanto em Francês, e tb a edição crítica de Tullio de Mauro. Nao vem que nao tem, sou linguista, caríssimo, nao vem chutar pro meu lado.
Barreto
29 de julho de 2015 10:48 pmCrise noutros tempos
Outro dia no supermercado -lotado- exclamei para a patroa : “A crise do F H C era melhor porque o supermercado ficava vazio”.
Uma coxinha olhou para mim com uma cara de ódio.
Barreto.
GalileoGalilei
30 de julho de 2015 3:01 amTem copyright?
Gostaria de usar a tirada criativa também. Solicito permissão para tal.
Grato.
Madrasta do Texto Ruim
30 de julho de 2015 7:44 pmCopyright Ferdinand de
Copyright Ferdinand de Saussure, circa 1911. Mas pode usar, tá liberado! 😛
Anarquista Lúcida
30 de julho de 2015 8:13 pmO livro é de 1916…
Arre!
Eduardo Jorge Souza da Silva
29 de julho de 2015 11:19 pmA boa e velha frase Nazi
Joseph Goebbels parafraseado … Uma mentira dita uma vez, é apenas uma mentira, repetida mil vezes, torna-se uma verdade! Os cara da nazimprensa são ótimos alunos.
Maria Silva
30 de julho de 2015 12:50 amVivendo e aprendendo …
Pensei que sintagma fosse o nome de uma letra do alfabeto grego …
Madrasta do Texto Ruim
30 de julho de 2015 7:49 pmSão várias definições
Maria,
Existem varias definições de sintagma (não confundir com a letra grega sigma).
uma delas é o alinhamento quadradão do exército romano.
Na ciência Linguística, a definição é a que eu postei.
Beijos
Anarquista Lúcida
30 de julho de 2015 8:10 pmDefinindo sintagma de forma menos absurda
Um sintagma nao é a menor unidade de compreensao de um texto. Por um lado, uma palavra já é uma unidade de compreensao, por outro um sintagma pode ser ainda uma unidade insuficiente quanto à compreensao. O sintagma nao é definido enquanto unidade de compreensao, e sim enquanto unidade sintática: é a menor unidade que já nao vem pronta no léxico da língua (embora alguns sintagmas, ditos sintagmas fixos, expressoes idiomáticas, etc., já constem do léxico) e que é construída sintaticamente obedecendo aos princípios sintáticos da língua; mais estritamente, que seja formado por subordinaçao.
Um sintagma nominal raramente é composto só de nomes; o que caracteriza um sintagma como nominal é o fato do NÚCLEO dele ser um substantivo. Idem para o sintagma verbal, caracterizado pelo fato do núcleo ser um verbo.
Em Saussure a definiçao de sintagma é mais ampla, é qualquer conjunto de unidades (no texto dele, de signos apenas; mas o conceito no espírito em que ele o defende pode ser estendido para outras unidades) simultaneamente presentes e contíguas no eixo sintagmático, que é o eixo da frase, do texto, do enunciado desenvolvendo-se no tempo.
Ah, e em apesar da crise apesar nao é conjunção (seria em apesar de que X, etc) e sim advérbio ou preposiçao.
Nada disso é importante para a análise feita no texto, mas repito: para que usar terminologia técnica que nao se conhece? Ensinar coisas erradas aos outros devia ser proibido.
Fabio SP
30 de julho de 2015 1:48 amUma vez que não tem crise
Uma vez que não tem crise nenhuma, porque a arrecadação está caindo e deixando o Governo de cabelos em pé?!?!?
alexis
30 de julho de 2015 10:09 amSão instruções da chefia…
Quem não lembra do William Bonner falando sobre Bin -Laden……parou um pouco (ouviu a voz do Kamel) e repetiu. “perdão, o milionário Bin Laden…”
Leonardo PP
30 de julho de 2015 11:52 amApesar de você…
Dá pra fazer um trocadilho ai com a música do Chico..”apesar
da crise será amanhã há de ser outro dia..:vc vai se dar mal etc e tal”
http://m.youtube.com/watch?v=0RuhOy7FlZU