
Da Folha
Janio de Freitas
O prêmio, convenhamos, é graúdo mesmo. Paulo Roberto Costa, por exemplo, cara, alma e cofre de gatuno, porta-bandeira da corrupção na Petrobras, fica em prisão doméstica até outubro e, a partir de então, só aos sábados e domingos. Caso sobrevenham outras condenações, está assegurado que não levem à prisão. No lado corruptor, Dalton Avancini, ex-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, fica em casa por uns três anos. Paga por ambos a multa correspondente ao valor que atribuíram às ordinarices em comum, a dinheirama que lhes reste estará em condições perfeitas de legalidade e gozo para o resto da vida.
Pelo visto, as delações bem premiadas só não minimizam uma condenação, não explicitada nas sentenças. Nenhum dos premiados poderá dizer, jamais, uma frase: “O crime não compensa”.
Uma peculiaridade, em particular, distingue a chegada da Lava Jato à fase das sentenças e a mesma etapa nos processos criminais em geral. Nestes, ou a opinião pública tem conhecimento suficiente dos fatos geradores do julgamento, ou pode tê-los nos fundamentos da própria sentença. Com o hipotético segredo de Justiça da Lava Jato, foi difundido um amplo sistema de valores pagos e recebidos –nem sempre verdadeiros, por fraude informativa de procuradores ou policiais federais. Mas a revelação, até pedagógica, de procedimentos da corrupção ficou silenciada. Se é que a Lava Jato se interessou por essa parte, do que não há sequer sinal.
Os aditivos de preço e suas pretensas justificativas, as alterações de projeto com a obra já em andamento, os efeitos da elaboração do projeto pela empreiteira –essas vias de assalto aos cofres e de corrupção administrativa são corriqueiras nas relações entre empreiteiras e o poder público. Os corruptos da Petrobras desenvolveram muitos métodos próprios, e não se sabe quantos já irradiados para outros setores de obras e compras. O país nada ficou sabendo a respeito, logo, nada aprendeu sobre esses canais de elevação das obras públicas brasileiras entre os mais altos custos do mundo. O Metrô de São Paulo, parece coisa já esquecida, a certa altura custou por quilômetro mais de três vezes o que custava, nos mesmos dias, a ampliação do metrô em
A VOZ DO PASMO
A falta total de manifestações ao menos amigáveis a Eduardo Cunha é o aspecto político mais importante do seu rompimento formal com o governo e dos ataques ao procurador-geral Rodrigo Janot. Em reação ao gol de Ghiggia, ouviu-se a voz do pasmo: o oceânico e sussurrado “ooooh” multitudinário. E nada mais, nenhum brado de raiva, nem de desespero, o Brasil ainda sairia campeão. Ainda há muitas testemunhas daquele Brasil tão diferente do atual.
Do seu lado, Cunha não viu surgir nem alguma coisa abafada como a voz do pasmo. Toda a repercussão, grande, sim, foi no sentido de tirar importância ao que disse, de isolá-lo, exposto na sua personalidade temerária.
Talvez por isso, Cunha deu um passo atrás na agressividade ao comunicar o rompimento: vai se conduzir na presidência da Câmara “da mesma forma que venho [lá ele] me conduzindo (…), com harmonia com os demais Poderes”. Harmonia.
Alguma coisa parecida com harmonia é o que parece, agora, menos distante dos planos de Michel Temer para o PMDB e o governo, como um presente inesperado de Cunha.
EM TEMPO
O juiz Sergio Moro deu resposta satisfatória a Cunha, que o acusou de conduzir, em vez de mandar ao Supremo Tribunal Federal, o processo em que foi acusado da extorsão de US$ 5 milhões: “Não cabe ao juízo silenciar testemunhas ou acusados na condução do processo”.
Não foram impróprias, portanto, as críticas ao corte abrupto de depoimentos que o juiz Moro fez, nas primeiras fases da Lava Jato, quando o depoente citava um político. Ficava o nome, mas o depoente era impedido de chegar ao fato que o lembrava.
CarloB
21 de julho de 2015 11:33 amPois é! Que contradição gritante
entre o que esse juiz fez e o que ele falou na resposta ao cunha.
E deixa rolar.
emerson57
21 de julho de 2015 11:33 ampré sal
“para onde o Brasil se incline vai se inclinar a América Latina”
Moro, mar de lama, PeTê, Lula, Dilma, mensalão, lavajato, o ódio das classes médias, a mídia venal, as gestões políticas dos entreguistas (ÇERRA45)…etc,
Cada vez mais acredito que o objeto oculto é obstar o crescimento do Brasil.
O crescimento do Brasil é o pré-sal. NACIONAL!.
-Quem tem a energia domina o mundo!
Ivan Arruda
21 de julho de 2015 11:49 amO fato político relevante
O fato político relevante para mim foi o efeito zero no nosso já velho conhecido PMDB, mesmo agasalhando a tropa de choque da nova república ou de seu estado maior. Já no partido da inimputabilidade, o efeito foi devastador. Inclusive no PIG. Estão atordoados até agora. E novas armações devem estar sendo gestadas. E novas visitas devem ser feitas ao presidente da câmara, não pelo presidente do STF, honrado que é. Parece haver uma resignçaõ crônica. Aprofundada após ver o conluio se encontrando à luz do dia e a mídia – e a outra – venal achar que isso é harmonia. E agora tucanos limpinhos e cheirosos, seguram o Cunha ou vão largá-lo à beira da estrada? Nas manifestações de agosto, se ainda tiverem coragem de promover – e isso vocês têm – a figura dele estará estampada ao lado de vocês. Para sempre. E os ajduará a combater quadrilhas e brigas de facções intestinas.
robson_lopes
21 de julho de 2015 12:41 pmOs safados auto-declarados
Os safados auto-declarados corruptos receberem as benesses do Estado, os demais têm de provar sua inocência, é a presunção da culpa, vivemos um momento bizarro no Brasil, bizarro no sentido de tudo invertido, como naqueles episódios em que aparecia o anti-herói do super-homem que tinha seus poderes todos ao contrário.
Na operação lava à jato pode-se tudo, desde prender até a condenação, ainda que sem provas, até anular o sigilo advogado/cliente.
Tudo bem, entendo que, quando uma operação desse porte, que envolve centenas de pessoas, entre policiais, promotores, juízes, deve haver falhas, natural, o que realmente causa surpresa é que esses “falhas” são aceitas como verdades absolutas, é o caso do bilhete do presidente da Odebrecht dizendo para destruir e-mail sondas, que foi tratada como forma de atrapalhar a investigação. Não houve correção de rumos, o empresário foi indiciado também por isso.
Vamos ver como será nas demais entrâncias, como ficará a análise dessas “provas”.
maria rodrigues
21 de julho de 2015 12:44 pmA estas alturas a gente ainda
A estas alturas a gente ainda quer saber quanto, na verdade, esses bandidos vão levar pra casa. Ou seja, qual o montante da roubalheira de cada um e seus respectivos percentuais. No início das delações se falava muito sobre isso, mas, pra que não tenhamos dúvidas de que os caras estão dizendo que o crime compensa mesmo será bom esclarecer esse dado precioso. Ou seja, ca um, logo logo estará vivendo como eu e todo cidadão de bem, de cara limpa, e com grana suficiente pra recomeçar seu império, talvez por outros esquemas masi sutis.
Cunha
21 de julho de 2015 1:11 pmO crime só não compensa para
O crime só não compensa para pobre.
Isso é mais velho que a Bíblia.
Rabuja
21 de julho de 2015 1:46 pmJânio disse tudo
“Não foram impróprias, portanto, as críticas ao corte abrupto de depoimentos que o juiz Moro fez, nas primeiras fases da Lava Jato, quando o depoente citava um político. Ficava o nome, mas o depoente era impedido de chegar ao fato que o lembrava.”
PauloBR
21 de julho de 2015 3:40 pmConcordo,,,
Ah, é, sim!
Meire
21 de julho de 2015 11:02 pm*
você sabe eu também sei de cor
…espalha que vai ser melhor !!
Serralheiro 70
21 de julho de 2015 1:46 pmO crime compensa para
O crime compensa para apaniguados do moro, desde que criminosos sejam colaboradores para sua carreira midiática
sergio ribeiro
21 de julho de 2015 2:01 pmPrêmio gordo
Na própria Folha saiu hoje que alguns delatores seriam condenados a 15 anos de prisão em regime fechado, mas, com a cooperação, ficariam em domiciliar até março de 2016.
Ou seja, faturaram horrores com as negociatas, porém dedurando os colegas (nem sempre com acusações verdadeiras), ficam um tempo irrisório presos e fica por isso mesmo. Dá para dizer que uma delação mega senha.
Joel Miranda
21 de julho de 2015 2:07 pmCorrupção criativa
Jânio, ” Os corruptos da Petrobras desenvolveram muitos métodos próprios, e não se sabe quantos já irradiados para outros setores de obras e compras.”
Muito o admiro, mas, nem “os corruptos da Petrobras”, nem os corruptores das empresas, nenhum de seus muitos métodos tem novidades, pois tudo que fizeram ou farão em outras empresas é criação própria, desenvolvimento próprio, tudo, tudinho mesmo, é criação do capitalismo, cuja lei maior é o lucro a qualquer preço, ninguém tem forças para impedir estas mazelas!
O capitalismo é um câncer tão fatal que o socialismo, um regime mais coerente e humano, foi dizimado, mesmo tendo a força milagrosa do J. Cristo!
Enquanto ele existir, não haverá homem sério e justiça no mundo!
Bonobo de Oliveira, Severino
21 de julho de 2015 10:56 pmTem razão. Não há nada de novo.
Embora provavelmente não haja nada de novo nos criativos mecanismos empregados para obter vantagens e lucros exagerados, sobre um mesmo objeto contratual, porque tudo é muito parecido desde a construção de Brasilia nos anos 50, o Janio tem razão em afirmar que caberia ao brilhante Dr. Moro explicitar os processos utilizados, se é que esses forma devidamente investigados e identificados. Acredito que para ele, não vem a caso, por ser questão de menor importancia, considerados os seus objetivos políticos mas elevados. O que é mais velho de tudo, e nisso o Joel tem razão, é a causa da corrupção em todos os casos, presentes e futuros. A causa é sempre o Sistema Capitalista que tem o poder de catalizar sempre as características mais primitivas animais dos seres humanos. Tanto é verdade, que as supostamente maiores economias instaladas nas supostas democracias mais maduras e institucionalizadas, nos EUA e na Europa, não são capazes de evitar o avanço incontrolável do Capital sobre o Estado e seus povos estão, em ambos os casos, sendo severamente impactados e dizimados pela sanha gananciosa dos detentores dos grandes capitais. Ou seja, nem lá, nas supostas democracias maduras, é verdade aquela estória de “crescer o bolo para depois distribuir”, como ficou comprovado nos estudos brilhantes do Thomas Piketty.
lenita
21 de julho de 2015 3:35 pmMelhor
É jogar paciência ! que até já aprendi.
Hcc
21 de julho de 2015 9:05 pmSão duas as contradições.
Não é só uma, são duas. A da leniencia com as empresas e a permissão para que um delator dedurasse um senhor com foro privilegiado. Esquisita as mudanças tão drásticas de ponto de vista e sem razão aparente. Esquisito…
marco aurélio barroso
22 de julho de 2015 12:22 ama bomba era um traque junino…
Qual nada! Longe de ser prêmio de mega sena!
Quando muito uma mega cena!!!
veranis
22 de julho de 2015 1:22 amDilma=lava jato?
Enquanto isso, apesar de suspeita, a pesquisa da CNT diz que a maioria esmagadora da população brasileira considera culpa da Dilma a Lava Jato. Acho que nunca vou compreender a incapacidade do povo brasileiro de pensar.
Juca999
22 de julho de 2015 10:22 amLouco será o político que
Louco será o político que fizer qulaquer obra daqui pra frente, melhor ser eleito só com promessa e cascata. Obras pra que? Qualquer um se sente no direito de acusar sem provas.
JMauriciO
22 de julho de 2015 10:28 amAi, ai, ai. Paulinho, Betinho
Ai, ai, ai. Paulinho, Betinho e Daltinho. Todos tres para o castigo! Titio não gostou! Não quero mais vocês andando com esses petroleiros sujos. Hummmm!
Quintela
22 de julho de 2015 10:34 amPor que não interessa revelar
Por que não interessa revelar os mecanismos da corrupção que aconteceu no esquema Petrobras?
É simples: Os leigos e incautos vão perceber que a corrupção acontecia FORA da Petrobras com a conivência de meia dúzia de diretores.
Na verdade é a corrupção das empreiteiras.
E as pessoas vão deixar de associar a Petrobras a corrupção da Lava Jato ao PT.
A mídia venal e a oposição não tem nenhum interesse nisso.