23 de julho de 2026

Brasil atinge recorde de feminicídios, mas mortes violentas caem 8%

Dados do Fórum de Segurança Pública mostram média de 4 mulheres mortas por dia em 2025; assassinatos gerais têm menor marca desde 2012
Feminicídio Zero - por Tânia Rêgo - Agência Brasil

▸ Brasil registra 1.571 feminicídios em 2025, aumento de 4% e maior índice desde 2015, média de 4 mortes por dia.

▸ Mortes violentas intencionais caem 8% em 2025, menor nível desde 2012, com destaque para queda em 20 estados.

▸ Casos de violência doméstica crescem: stalking +30%, violência psicológica +17%, descumprimento de medida protetiva +17%.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, um crescimento de 4% em relação aos 1.504 casos contabilizados no ano anterior. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia e marca o maior patamar desse tipo de crime desde que foi tipificado em lei, em 2015.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Os dados integram o Anuário da Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O avanço da violência letal contra as mulheres ocorre na contramão do índice geral de mortes violentas intencionais no país, que apresentou queda de 8% no mesmo período.

Divergência nos indicadores

Em 2025, o país contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais — categoria que engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Trata-se do menor nível do indicador desde 2012, mantendo uma tendência de retração observada nos últimos anos.

Ao considerar apenas os homicídios dolosos, a taxa atingiu 15,4 mortes por 100 mil habitantes. A marca antecipa em dois anos a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Segurança Pública do governo federal, que previa alcançar o índice de 16 mortes por 100 mil habitantes apenas em 2027.

Para David Marques, gerente de programas do FBSP, a redução geral reflete um avanço nas políticas públicas, embora ainda persistam gargalos. “A importante redução de mortes violentas intencionais entre 2024 e 2025 em mais de 8% é um dado bastante significativo. Consolida uma tendência de redução que a gente vem acompanhando desde 2018 nas estatísticas, praticamente ininterrupta”, disse Marques. “A gente está diante de um fenômeno a ser comemorado dentro da política de segurança pública do Brasil.

A retração no número total de mortes violentas foi impulsionada por quedas expressivas em 20 das 27 unidades da Federação, com destaques para o Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%) e Mato Grosso (-23,2%).

Escalação da violência doméstica

Apesar da melhoria nos dados gerais de criminalidade, a alta nos crimes contra as mulheres aponta para a persistência de fatores estruturais. Além do recorde de assassinatos consumados, o levantamento do FBSP indicou alta expressiva em outros crimes associados à violência doméstica e de gênero ao longo de 2025:

  • Stalking (perseguição): +30%
  • Violência psicológica: +17%
  • Descumprimento de medida protetiva: +17%
  • Tentativa de feminicídio: +6%
  • Agressões por violência doméstica: +2,6%
  • Ameaças: +0,5%

Para a coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, Juliana Brandão, o cenário reflete um aumento real da violência, e não apenas uma melhora na notificação dos casos pelas polícias estaduais.

Se a gente estivesse lidando apenas com a melhoria do registro, a gente ia esperar uma estabilização após alguns anos. Mas o que a gente tem observado é um crescimento que segue de forma contínua ao longo desse período de monitoramento“, afirmou Brandão.

Ela destaca que o ambiente de violência doméstica é “fortemente influenciado” pela desigualdade de gênero e por padrões culturais de dominação masculina, como o controle coercitivo sobre a vida e a autonomia das mulheres, além da fragilidade na rede de proteção às vítimas.

Dinâmica regional e ações federais

Estatísticas complementares do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério das Mulheres, apontam oscilações no primeiro semestre. Na comparação regional acumulada, as regiões Centro-Oeste (+19%), Sul (+19,2%) e Sudeste (+2,6%) apresentaram alta nos casos registrados, enquanto Norte (-20%) e Nordeste (-19,9%) registraram redução.

Entre os estados, as maiores altas percentuais foram observadas em Goiás (113%), Sergipe (71,4%), Amazonas (66,7%) e Santa Catarina (33,7%).

Diante do cenário, o governo federal lançou um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio com a participação do Executivo, Legislativo e Judiciário, com foco na agilização da análise de medidas protetivas e no fortalecimento das redes locais de atendimento às vítimas.

LEIA TAMBÉM:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados