28 de junho de 2026

Guinga e o álbum Catavento e Girassol, de Leila Pinheiro

Enviado por Fernando J.

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Guinga, 65 anos

E o CD antológico da Leila Pinheiro, Catavento e Girassol (1996), somente com músicas da dupla Guinga/Aldir Blanc, que, segundo o Guinga dito num show, rendeu um apartamento e algo mais. E por incrível que pareca, “lançou” o Guinga para o grande público, apesar de já ter muitos e muitos anos de estrada. 

 

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  1. Odonir Oliveira

    11 de junho de 2015 3:27 pm

    Maravilhoso disco

    Composições fantásticas e gente que SOMA, né, Aldir Blac, Guinga, Leila Pinheiro.

     

    Catavento e girassol

    Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol
    Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sustenido e você riu bemol
    Você só pensa no espaço, eu exigi duração
    Eu sou um gato de subúrbio, você é litorânea

    Quando eu respeito os sinais vejo você de patins vindo na contramão
    Mas quando ataco de macho, você se faz de capacho e não quer confusão
    Nenhum dos dois se entrega, nós não ouvimos conselho
    Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho

    Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador
    Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor
    Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen
    Quando assovio uma seresta você dança havaiana

    Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré
    Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
    É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
    Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho

    A paz é feita num motel de alma lavada e passada
    Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
    Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
    Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos

    Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
    Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
    Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
    Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea

    Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar
    Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar
    Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho
    Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho

     

     

     

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