4 de junho de 2026

Sobre corpos negros e branquitudes, por Renata Corrêa

O assassinato de corpos negros é tão comum, virou algo da esfera da "segurança pública" com aura de legitimidade
Reprodução

Sobre corpos negros e branquitudes, por Renata Corrêa

Em dezembro do ano passado um segurança do Carrefour espancou e matou um cachorro. Minha timeline foi o puro suco da indignação. Eram textos, vídeos de youtubers, charges de cartunistas. Um ato bárbaro que chocou muita gente.

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Ontem um jovem negro chamado Pedro foi assassinado pelo segurança do super mercado Extra da Barra da Tijuca. Testemunhas avisaram: ele está desacordado, sai de cima dele, a mão dele está roxa! E o segurança respondeu: Eu é que sei. 

Ele é que sabe. Pedro foi levado ao hospital e depois de várias paradas cardiorrespiratórias morreu.

Minha timeline tem algumas manifestações pontuais. Nada nem perto da indignação provocada por conta do cachorro espancado.

O racismo estrutural e a branquitude dizem que um jovem negro não é inocente de saída. É um corpo perigoso. “Tem que ver o que ele fez”. Já o cachorro é um ser inocente, indefeso. Nessa lógica perversa a vida do cachorro vale mais comoção. A vida de mais um menino negro é só a vida de mais um menino negro.

Nós brancos temos que nos responsabilizar por essa des-sensibilização. O assassinato de corpos negros é tão comum, virou algo da esfera da “segurança pública” com aura de legitimidade. Matar pessoas não é legítimo. Temos que colocar isso na cabeça. Assim como o nazismo matava judeus legitimamente, como maridos matando esposas adúlteras por forte emoção legitimamente, amparados pela lei. É IMORAL, é nossa decadência como humanidade.

Não é sobre segurança. É um massacre. Tem um atirador na cidade da polícia atingindo moradores do Jacaré. Caçando moradores. E ninguém faz nada. Temos sensibilidade para um animal, mas não temos sensibilidade para prantear a morte de um menino sufocado no chão de um supermercado. Precisa o atirador atingir um cachorro agora para que a questão ganhe relevância?

O racismo estrutural é problema nosso também, das pessoas brancas. Chega de corpos negros mortos e da nossa imobilidade criminosa para lidar com isso.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. jossimar

    17 de fevereiro de 2019 10:09 am

    O judiciário brasileiro e o protetor de todos os desmandos que acontecem neste país, desde que não sejam praticados por pretos, pobres, prostitutas e petistas.
    Se tivéssemos algo parecido com poder judiciário e polícia este segurança louco e despreparado estaria atrás das grades e o supermercado teria de arcar com pesada indenização à família do assassinado.
    Mas, o supermercado e o segurança louco têm a proteção do judiciário e nada acontecerá com eles.
    E os seguranças e policiais loucos poderão seguir matando, com a benção do moro, com certeza o maior de todos os ladrões.

  2. Paulo Dantas

    17 de fevereiro de 2019 8:12 pm

    Quanto ao segurança é bom evitar o julgamento prematuro ele alega que a vítima tentou roubar sua arma a mãe da vítima confirma que ele estava alterado , o fato é que o rapaz morreu , eu espero um julgamento justo e não midiático …

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