5 de junho de 2026

Huawei pode sair do Brasil por decisão de Bolsonaro, diz Marcos Pontes

Fala do ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, divulgada durante congresso mundial de tecnologia móvel, coloca o Brasil dentro de mais um debate geopolítico movido pelos EUA

Jornal GGN – “O Ministério da Ciência e Tecnologia não tem como fazer qualquer interferência geopolítica. A nossa posição é mais técnica. A decisão sobre a fabricante chinesa Huawei caberá ao presidente Bolsonaro”, disse o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), Marcos Pontes ao portal Mobile Time.

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No final do ano passado, os Estados Unidos iniciaram uma perseguição à maior fornecedora de equipamentos para redes de telecomunicações do mundo. A primeira ação foi deflagrada em dezembro, quando a diretora financeira da companhia chinesa, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá a pedido dos norte-americanos que acusam a executiva e a Huawei da prática de lavagem de dinheiro, fraude bancária e roubo de segredos tecnológicos. A executiva foi libertada logo em seguida, mas encontra-se sob vigilância no Canadá enquanto tramita um processo de extradição para os EUA.

O CEO e fundador da Huawei Ren Zhengfei acusa os Estados Unidos de tentar destruir a companhia. Os norte-americanos trabalham juntos aos países aliados para convencê-los de que o uso de equipamentos da chinesa em redes 5G trará implicações militares, levando Austrália e Nova Zelândia a proibirem a compra de equipamentos da Huawei. Por outro lado, um relatório produzido pela inteligência britânica e divulgado pelo “Financial Times” no dia 17 de fevereiro concluiu que é possível mitigar o risco de usar equipamentos da chinesa em redes 5G.

A fala do ministro Marcos Pontes, divulgada durante o Mobile World Congress 2019 (MWC19), um dos congressos de tecnologia móvel mais importantes do mundo que acontece todos os anos em Barcelona, na Espanha, coloca o Brasil no debate geopolítico. Isso porque a Huawei mantém uma série de parcerias no país ligados à implementação de programas de telecomunicações e novas tecnologias.

A empresa chinesa também é detentora do projeto Nexans de conectividade intercontinental via fibra óptica entre a África e o Brasil, pelo Atlântico Sul, concluído em setembro de 2018. A companhia mantém ainda, desde 2013, uma parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), na condução de um laboratório em Campinas (SP) onde são realizados testes para a avaliação de conformidade e certificação de tecnologias como redes ópticas para transmissão de alta velocidade (GPON) e núcleo de rede de alta velocidade.

Em âmbito mundial, a Huawei está em dois projetos mundiais de telecomunicações de alta velocidade. Em novembro passado, a companhia anunciou, durante o 9º Fórum Global de Banda Larga Móvel, a entrega das primeiras 10.000 estações rádio base 5G pelo mundo, a assinatura de novos contratos comerciais e fez demonstrações de banda larga doméstica de 5G.

Recentemente, a alemã Deutsche Telecom disse que se os equipamentos e o know how da chinesa forem banidos do território, a Alemanha irá sofrer um atraso de pelo menos 3 anos na implementação da tecnologia 5G.

Leia também:

A crise diplomática envolvendo EUA e a gigante Huawei

Xadrez da geopolítica, do caso Huawei e da Lava Jato, por Luis Nassif

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6 Comentários
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  1. Iara M Gomes

    4 de março de 2019 9:08 am

    Pena que o ministro viajante do espaço (graças a ousadia de governos petistas) não pode falar que seria por decisão do Trump, que está tanto na cabecinha dos Bolsonaros, que em posição ridícula põe até o bonezinho de campanha.

  2. Smaran

    4 de março de 2019 9:47 am

    É fácil prever as consequências dessa atitude para o agronegócio dentre outros.

    1. arlindo ribeiro de loyolla filho

      5 de março de 2019 11:17 am

      Prezado Smaran. Poderia explicar melhor isso?
      Grato
      Arlindo – Hortolândia-SP.

  3. Maria Luisa

    4 de março de 2019 11:02 am

    Esperar astucia e sagacidade de um palhaço-presidente que bateu continência para John Bolton, Secretario de Segurança dos Estados Unidos. Dizem que até hoje ouvem-se risos vindo de sue escritorio na Casa Branca…

  4. Edmar C. Lima

    4 de março de 2019 1:22 pm

    Os chineses, até porque os USA estão quase impedidos de emitir títulos da dívida para rolar os trilhões de dólares que devem, vão receber os créditos que têm em produtos do agronegócio americano e ferrar os idiotas do centro/sul que elegeram o Bozo. A China não tem mais nenhum compromisso com o Brasil. E terá menos ainda com essa idéia idiota do “astronauta/ministro”.

  5. Wallace Dutra

    9 de março de 2019 5:08 pm

    No EUA o suborno a políticos é legalizado e considerado Lobby.

    As multinacionais Estadunidense pagam os governantes pra defender os interesses delas, isso inclui tirar concorrentes dentro e fora do EUA.

    O maior concorrente da Apple é a Huawei que tem celulares muito melhores que o iphone e mais baratos.

    Um dia a sociedade vai acordar e perceber que está atitude das multinacionais Estadunidense são as causas da corrupção no Brasil.

    Espero que também percebam que a sociedade pode acabar com isso de forma muito simples e ensinada pelo próprio EUA, aplicando sanções de consumo aos produtos dessas multinacionais.

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