Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
rdmaestri
16 de maio de 2015 3:56 amO pesadelo da perda da Amazônia existe, e agora tem mapa, progra
O pesadelo da perda da Amazônia existe, e agora tem mapa, programa e justificativa.
Quando alguém fala da pretensão de países do primeiro mundo através de causas ambientais em se apropriar da Amazônia é chamado de paranoico, psicótico e defensor de fazendeiros e madeireiros. Falava-se muito de um mapa norte-americano em que a Amazônia já era considerada uma grande reserva ambiental, porém dados reais sobre esta ameaça eram quase uma lenda urbana do que qualquer outra coisa, porém nos dias atuais chega uma proposta de internacionalização da Amazônia com mapa, proponente e superfície, o chamado Corredor Ecológico Triplo A.
O presidente colombiano Juan Manuel Santos, presidente do único país da América do Sul que possui bases das forças armadas norte-americanas (sete ao todo, Palanquero, Apiay, Malambo, Cartagena, Tolemaida, Larandia y Bahía Málaga) e recebe de ajuda militar dos Estados Unidos simplesmente para combater as drogas propôs um “ambicioso programa” de criar o chamado Corredor Ambiental Triplo A na América do Sul.
O que significa este Corredor Ambiental Triplo A? Simplesmente um corredor que daria continuidade entre os Andes até o Atlântico passando pela Amazônia. Certo, segundo definição da Wikipédia um “Corredor ecológico ou corredor de biodiversidade é o nome dado à faixa de vegetação, que podem ter por objetivo ligar grandes fragmentos florestais ou unidades de conservação separados pela atividade humana (estradas, agricultura, clareiras abertas pela atividade madeireira, etc.), possibilitando o deslocamento da fauna entre as áreas isoladas e, consequentemente, a troca genética entre as espécies e a dispersão de sementes.”
Da definição de corredor tem-se: Passagem estreita e alongada; galeria; caminho coberto. Ou seja, um corredor é uma passagem estreita não LARGA para a passagem. O corredor proposto pelo Presidente Santos teria a largura dentro do Brasil variando de 50 km junto a Venezuela que neste caso cederia do seu lado mais 50 km, e nas partes mais largas no Brasil teria 500 km, ou seja, seria mais largo do que os mais compridos corredores ambientais do mundo.
É importante ressaltar que a expressão Corredor Ambiental não se aplica a esta área, pois corredores ambientais são, como induz o nome, áreas compridas e estreitas que ligam duas ou mais áreas de preservação que estão separadas e as espécies que estão restritas nestas áreas por endogamia poderiam sofrer processos de degradação. No caso da Amazônia os parques e as reservas ambientais são tão extensos que geralmente não necessitam corredores interligando-as.
A ideia deste corredor monstro partiu da ONG Gaia Amazônia, (http://gaiaamazonas.org/) que apresenta um belo site em inglês e espanhol, português parece que não é muito necessário pois somente 61% do corredor ficará dentro do Brasil, numa área equivalente a 3,7 vezes o estado de São Paulo!
Esta Fundação Gaia Amazônia é uma filial da Gaia Foundation, estreitamente vinculada à Casa de Windsor, a família real britânica, tendo no seu conselho de curadores de quatro membros, Jules Cashford escritora, palestrante e autora de livros sobre mitologia, Edward Posey ex-piloto da RAF trabalhou para o National Service inglês (órgão responsável pelo recrutamento militar) e um tempo depois se viu emocionado com a situação do mundo que dedica os últimos trinta anos de sua vida a atividades filantrópicas como a de imiscuir nos países do terceiro mundo, recebeu a Ordem do Império Britânico (OBE) por serviços ao governo inglês na Gaia Fondation (está assim no seu currículo no site!), além de um engenheiro norte-americano ainda temos a Marquesa de Worcester, a conhecida Marquesa Verde. Ativista social e ambiental e a última causa que ela abraçou em 2013 é a de que as nobres inglesas possam guardar os seus títulos de nobreza através da linha feminina, algo extremamente importante para o movimento feminista internacional.
A ideia deste projeto é unificar todas as áreas indígenas para que nelas sejam introduzidas o conceito de AATIs – Associations of indigenous Tradicional Authorities, um conceito de autogovernação das tribos indígenas sob a orientação da Gaia Fondation (fica implícito), pois segundo “É um único modelo de responsabilidade compartilhada para a proteção da floresta amazônica.” (Só não dizem com quem que será compartilhada esta responsabilidade).
Esta sugestão vai ser levada pelo Presidente Santos para COP 21 em Paris, objetivo, salvar o mundo do aquecimento climático.
Este plano já é divulgado em toda a imprensa internacional e aqui no Brasil a repercução não existe.
Mais informações em:
http://wp.presidencia.gov.co/Noticias/2015/Febrero/Paginas/20150216_02-C…
http://www.gaiafoundation.org/news/gaia-amazonas-inspires-climate-change…
http://www.dw.de/planning-the-worlds-largest-protected-area/a-18271572
http://latino.foxnews.com/latino/news/2015/02/14/colombia-proposes-world…
http://www.wildlifearticles.co.uk/colombia-plans-ambitious-worlds-larges…
Marly
16 de maio de 2015 11:09 amMerece ser elevado!
Já ouvi muitos casos envolvendo a Amazônia. Maestri, seu post merece ser elevado para comentários e, principalmente para o conhecimento de todos. Preocupante…
rdmaestri
16 de maio de 2015 11:52 amE o pior que não é BOATO.
São fatos reais que estão sendo amplamente divulgados na imprensa internacional e se trata de uma proposta de um PRESIDENTE DE UM PAÍS VIZINHO.
Não é mais paranóia, é extremamente real e preocupante.
anarquista sério
16 de maio de 2015 7:30 amFernandinho Beira-Mar nega
Fernandinho Beira-Mar nega ser petista: “Esse crime eu não cometi”
Confrontado com a imagem acima, Beira-Mar se declarou hipster. “Petista, nunca!”, completou
BANGU 13 – Convocado às pressas para prestar novo depoimento, Fernandinho Beira Mar exasperou-se ao ser confrontado com acusações ainda mais assustadoras. “Eu fui traficante, confesso. Estive envolvido em todo tipo de barbárie. Mas, por favor, não me venham acusar de petismo”. Após uma pausa para conter a emoção, ainda com a voz embargada, completou: “Esse crime eu não cometi”.
“Nunca votei em Lula, Bittar, Dirceu, Edson Santos, Molon ou tive qualquer tipo de relação com dirigentes sindicais. Vocês estão me julgando pelo meu vulgo”, explicou o meliante. Em seguida, por orientação de seu advogado, anunciou que trocará seu apelido para Fernandinho Friedman.
Indiferente aos seus apelos, o júri lhe conferiu uma condenação ainda mais grave do que a pena de 320 anos de prisão.”O réu fica também condenado a ler, diariamente, as colunas de Merval Pereira até o fim”, sentenciou o juiz.
Beira Mar pretende recorrer à ONU.
anarquista sério
16 de maio de 2015 7:43 amPAÍS


PAÍSESPORTEENTRETENIMENTOMUNDODIGITALECONOMIALEITORESFÓRUM 
ESPORTE
ENTRETENIMENTO
M
Pagar cerveja com Sodexo não é pecado, diz Papa F
Boa notícia para quem está se preparando para a night (ou balada) e sempre passa na mercearia para comprar umas long necks para o aquecimento. Agora você pode pagar por suas cervejas usando seu vale alimentação sem nenhum constrangimento.
Em nota, o Papa Francisco declarou que comprar cerveja com Sodexo, Ticket Restaurante, Elo e outros não é pecado. “O consumidor pode fazer isso de cabeça erguida”, diz a mensagem da Santa Sé.
No entanto, se o cartão for usado para comprar Itaipava, aí o inferno é garantido.
Joel Neto
16 de maio de 2015 2:05 pmConvite
Anarquista Sério, se quiser publicar diretamente no meu blog (sem moderação) só mandar e-mail pra onde devo encaminhar convite. Você tem muito bom gosto.
Abraços, feliz fim de semana.
anarquista sério
16 de maio de 2015 3:46 pm[email protected].
Um
[email protected].
Um feliz fim de semana pra vc tbm.
Obrigado pelo convite.
Atenção: Eu bebo muito e é sério ! por isso de vez em quando eu saio do ar.
anarquista sério
16 de maio de 2015 7:49 amanarquista sério
16 de maio de 2015 7:51 amPeroba
16 de maio de 2015 8:06 amOs ratos e urubus não tiveram força para derrotar a Petrobras
Urubus quebram o bico: Petrobras, saneada, lucra R$ 5,4 bi no 1° trimestre
15 de maio de 2015 | 20:11 Autor: Fernando BritoNo Tijolaço: http://tijolaco.com.br/blog/?p=26768
Do Valor, há três dias, reverberando as expectativas da urubologia de mercado sobre a Petrobras:
“A Petrobras deve fechar o primeiro trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 2,72 bilhões, resultado 49,5% menor frente aos três primeiros meses do ano passado. A previsão toma como base a média das projeções de cinco bancos de investimento consultados pelo Valor, que indicam, ainda, para uma redução média de 4,7% no faturamento, para R$ 77,73 bilhões, e um crescimento de 23% no Ebitda, para R$ 17,64 bilhões, na mesma base de comparação.”
As previsões eram da Goldman Sachs, do Bradesco, Deutsche Bank e de outras instituições.
Do Valor, agora há pouco:
“A Petrobras encerrou o primeiro trimestre desse ano com lucro de R$ 5,33 bilhões, queda de 1% na comparação com o lucro líquido de R$ 5,393 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior.”
Uai, não eram 49,5% de queda?
E a relação entre o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e dívida, que prenunciavam ia explodir, baixou de 4,77 vezes para 3,86, mesmo com a forte desvalorização cambial. Embora o valor nominal tenha crescido (de 282 para 332 bilhões de reais) o aumento, de 18%, foi inferior à depreciação do real (20,8%) e uma enorme parte destas dívidas é, como é natural em grandes empresas e especialmente no setor petroleiro, em dólar.
O fato é que em Nova York, onde não lêem os jornais brasileiros, no “after-hours” da bolsa local,o ADR (correspondente a ações) da Petrobras sobe 4.05% no momento em que escrevo, depois de já ter subido 2% no pregão normal.
Sem contar essa subida noturna, do início do ano para cá, a Petrobras lidera com folga a valorização entre as petroleiras – claro que em boa parte por ter sido atirada, artificialmente, lá em baixo. Subiu 38,4%, contra 12,3% da Shell, enquanto quase todas as outras amargam índices negativos.
Medida por um ano, mais ou menos o tempo em que a lava-Jato começou a repercutir fortemente, a perda é de 32%, menos da metade dos 67% que chegou a cair no pior momento em 12 meses.
Mas nisso entra, com muita força, a desvalorização do petróleo: no mesmo período, a Shell caiu 20,6%: a Total, 25,2%, a italiana Eni, 27,5%, a Exxon e a Chevron, as que menos perderam, tiveram queda em torno de 15%.
Como escrevi ontem aqui, os ratos e urubus não tiveram força para, mesmo tendo causado muito estrago, derrotar a Petrobras.
anarquista sério
16 de maio de 2015 8:10 amanarquista sério
16 de maio de 2015 8:16 amanarquista sério
16 de maio de 2015 8:37 amMariliz Pereira Jorge
A CBF e
Mariliz Pereira Jorge
A CBF e a máfia
Toda vez que leio sobre a CBF tenho a sensação de ver um episódio de “Os Sopranos”. A série, criada por David Chase e produzida pela HBO, contava a história de um mafioso e seus comparsas, crimes, corrupção, mulheres e dinheiro.
Sou uma das milhares de órfãs de Tony Soprano, o protagonista. Mas o mundo da CBF sempre mata um pouco da saudade da série.
O novo presidente, Marco Polo Del Nero, poderia bem ser um dos amigos do personagem principal. Ou o próprio. Tem nome de mafioso, careca de mafioso, corpulência de mafioso, namoradas com cara de namoradas de mafioso e comanda entidade que, teoricamente, é uma empresa idônea, mas que vira e mexe tem que provar que é idônea.
É só jogar no Google: CBF, escândalos, corrupção. Impressionante.
Na sexta (15), a notícia era a demissão de Ariberto Pereira dos Santos, ex-tesoureiro da entidade na gestão de Don Ricardo Teixeira. Há um ano, ele comandava o departamento de futebol feminino. Sinal de que seus dias estavam contados.
Vamos combinar que é uma baita perda de poder você, um dia, comandar a dinheirama que rola na CBF e, no dia seguinte, ganhar de presente a direção do departamento de futebol feminino.
Nem precisa ser feminista para saber que, para a CBF, o futebol feminino é a irmã feia da família.
Assim como os parceiros de Tony Soprano, Ariberto parece super gente boa. Usava o banco Rural, investigado na época do mensalão, para fazer as operações cambiais da CBF, o que fez com que a entidade perdesse cerca de R$ 30 milhões quando o Banco Central decretou a intervenção do Rural.
Foi investigado pela CPI do Futebol e acusado de operar um caixa dois –aquelas histórias de CPI que quase nunca dão em nada. Por fim, admitiu usar uma conta particular para gerir recursos da CBF.
Ricardo Teixeira, o ex-presidente que reinou no cargo durante 23 anos, está sendo acusado de ter votado no Qatar para sediar a Copa de 2022 em troca de dinheiro, favores e garantias, segundo o livro “Ugly Game”, lançado no mês passado pelos jornalistas ingleses Heide Blake e Jonathan Calvert.
Os jornalistas contam que o ex-secretário da Fifa Michel Zen Ruffinen aparece em vídeo explicando o que cada membro da Fifa esperava em troca de seu voto. “Teixeira é dinheiro”, disse sobre o brasileiro.
Tony Soprano também era chegado em qualquer negociação que envolvesse grana. Tutti buona gente.
Mas o que eu gosto mesmo são as fofocas em que o nome e as fotos de Don Del Nero aparecem. Não precisa nem ler o noticiário esportivo. Elas estão em revistas do tipo “Caras”, “Contigo” ou no “F5”, o site de entretenimento da Folha.
Don Del Nero ganhou dos amigos o apelido de “Olacyr de Moraes do Futebol”. Achei que era por causa do salarião de R$ 200 mil, mas a história por trás do apelido é muito melhor. O dirigente coleciona namoradas que poderiam ser suas netas.
Currículo das moças: modelo. Para uma deu dinheiro para que ela desse entrada num apartamento e mexeu os pauzinhos para que fosse passista de uma escola de samba.
Para outra, um Mercedes Benz, que custava a bagatela de R$ 200 mil. Mas essa tinha posado para a revista “Sexy”, que fique bem entendido. Essa, inclusive, já é passado. A fila anda. Don Del Nero troca de namorada como Dunga troca a escalação da seleção.
Os babados da CBF são sempre muito mais saborosos do que os da ficção. Tony Soprano fez escola. Ou será que foi o contrário?
anarquista sério
16 de maio de 2015 10:07 amNira
16 de maio de 2015 7:00 pmExcelente, Anarquista. Qual a
Excelente, Anarquista. Qual a fonte ?
Spin Ggnauta
16 de maio de 2015 12:00 pmMonsanto: Bloco apresenta proposta para proibir OGMs
Objetivo é garantir a proteção da saúde pública e a preservação do ecossistema. Portugal é dos poucos países europeus onde o cultivo de OGMs é permitido.
http://www.esquerda.net/artigo/bloco-apresenta-proposta-para-proibir-ogms/35884
mcn
16 de maio de 2015 12:28 pmBarbara Helidora, por Fernanda Torres
Um belo texto – mais um – da atriz Fernanda Torres.
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http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-104/despedida/tia-barbara-a-temivel
Tia Barbara, a temível
O amor ao teatro e a fúria de Barbara Heliodora
por FERNANDA TORRES
Eu a chamei de tia durante toda a infância. Tia Barbara, a amiga dos meus pais, uma mulher grande, alta, dona de humor fino, voz grave e ares de senhor inglês. Mais tarde, descobri que tia Barbara era a temida Barbara Heliodora, a crítica severa que adorava Shakespeare e cujas opiniões sobre um espetáculo pautavam jornais e críticos do país.
Ela contava causos ótimos. Me lembro de um, da mulher que queria muito ter uma filha e arriscou uma inseminação artificial, depois de ter parido três meninos. Ela engravidou, disse Barbara, de trigêmeos. Todos homens! E riu a valer.
Tia Barbara escreveu meu epitáfio nas páginas amarelas da Veja, em 1993. Foi um choque do qual demorei um bom tempo para me recuperar. Na entrevista, ela me chamava de títere de Gerald Thomas e dizia que meu talento jamais chegaria aos pés do da minha mãe. Indignada, peguei o telefone e liguei para a ex-tia. A voz grossa, muito característica, me respondeu que também havia achado pesado, se desculpou e passamos muitos anos longe uma da outra.
Foi em A Casa dos Budas Ditosos que reatamos. Ela descobriu algum valor em mim e eu nela, não pela resenha elogiosa, mas pelo reconhecimento de que a insistência havia me aproximado da compreensão que ela tinha do teatro.
Nas aulas que ministrava em casa, Barbara exigia que os alunos lessem em voz alta. Na última vez em que jantamos juntas, ela observou que a leitura em voz alta obriga o sujeito a entender o que está dizendo. Parece simples, mas não é. Grande parte da sua irritação vinha do fato de os atores não terem ideia do que falavam em cena.
Antes de se tornar acadêmica, Barbara se arriscou como atriz, mas acabou preferindo as letras. Numa época de ouro do teatro, teve o privilégio de assistir Olivier, O’Toole, Gielgud e os Redgrave. Na minha última visita a Londres, depois de ver Jude Law numa montagem profissa de Henrique V, escrevi a ela, para falar do prazer de ter visto um Shakespeare no qual todos os atores davam conta da complexidade do texto. “Aproveite essa terra que eu amo tanto”, ela respondeu, com certo saudosismo, como se lamentasse não poder viver as mesmas descobertas uma segunda vez. O teatro na Inglaterra é como o futebol no Brasil, até o mais medíocre dos coadjuvantes é capaz de driblar com excelência.
A carreira de crítica, acredito, contribuiu para o seu mau humor persistente. Teatro bom é coisa rara em qualquer parte do mundo; no Brasil, é um campo minado de equívocos. A rotina da profissão a obrigava a testemunhar repetidas catástrofes e provas de amadorismo crônico. Para alguém que cresceu com Olivier, era difícil suportar a provação. Talvez, por isso, ela fosse condescendente com comédias despretensiosas e implacável com os que se dispunham a dar forma às grandes obras. Barbara tinha senso de humor suficiente para gostar do Besteirol e paciência nenhuma para quem se metia com uma matéria que ela conhecia de cor, de coração.
Minha mãe, que conviveu com Barbara na intimidade, diz que seu envolvimento com o teatro não passava pelo racional. A aversão a uma montagem equivocada provocava nela reações físicas, passionais. Barbara exprimia seu desgosto com um sonoro “horror” de ópera. “É um horroooor, Fernanda! Um horrooooooor!”, dizia, esticando os “os” com o vozeirão.
Quando se indignava pra valer, usava o poder de crítica para questionar as escolhas do Ministério da Cultura na liberação de recursos para um espetáculo que considerava ruim. Golpe duro.
Tida como conservadora, Barbara era capaz de demolir espetáculos consagrados e passar por cima de deslizes graves. Gostava mais de uns do que de outros, o que levava alguns colegas a se sentirem perseguidos pela Dama de Ferro. Tinha paixão doentia pela ribalta e escrevia com raiva, ou adoração.
Amante de um teatro clássico, humanista, baseado na ideia e na palavra, nos seus 91 anos Barbara presenciou inúmeras revoluções estéticas, experimentos que contribuíram para que o teatro vencesse o realismo, mas que, muitas vezes, caíam num maneirismo estéril. Peter Brook, Grotowski, Kantor, Bob Wilson, Antunes Filho e Zé Celso transformaram o palco em sua essência, são criadores que conheciam, conhecem e respeitam em profundidade a poética do métier. Mas o experimentalismo crescente criou deformidades difíceis de serem suportadas por alguém que, como Barbara, cresceu embalada por dramaturgos do calibre de Tennessee Williams, Harold Pinter, Eugene O’Neill e Nelson Rodrigues.
A pretensão criativa, amadora, que ignora os fundamentos da prática teatral lhe causava arrepios na espinha.
Quando eu escrevi uma peça ruim, ela ficou muito incomodada de ter que fazer a crítica. Saiu do teatro certa de que enfrentaríamos mais um século de mágoas, mas a maturidade já havia me trazido o sentido da perseverança – que Tchekhov, em A Gaivota, define tão bem. Eu lhe escrevi uma carta longa, confessando que descobrira a fragilidade do texto durante os ensaios, quando recuar não era mais possível. Muitas vezes, cabe ao artista enfrentar o fracasso, eu disse, e pedi que ficasse tranquila, pois eu entendia, e até concordava, com sua opinião sobre a peça. Barbara agradeceu. Ela não tinha prazer em acabar com ninguém, sofria até. Mas sua visão do teatro estava acima da amizade e das relações familiares. Creio que ela se sentia grata, e até aliviada, quando gostava de alguma coisa.
Capaz de declamar solilóquios inteiros de Shakespeare de cabeça, e em inglês, possuía uma visão aguda das contradições humanas. Numa estreia teatral, no período do julgamento do mensalão, tecemos comentários a respeito da ira por justiça de Joaquim Barbosa. Ela sorriu e recitou uma fala de Portia, heroína de O Mercador de Veneza:
The quality of mercy is not strain’d. / It droppeth as the gentle rain from heaven / Upon the place beneath. It is twice blest: / It blesseth him that gives and him that takes. [1]
Vou mandar para o Joaquim, disse rindo, e eu invejei os anos que essa mulher dedicou ao Bardo.
Sábato Magaldi, Yan Michalski, Décio de Almeida Prado e Barbara Heliodora foram críticos que influíram na maneira de se fazer teatro no Brasil. Existia uma via de mão dupla, um diálogo entre a cena e a reflexão do jornal. Hoje tudo se reduz a colunismo, agenda e opinião pessoal. O teatro também perdeu a capacidade de impactar, ou de refletir de forma ativa sobre a sociedade. Esse esvaziamento que não se deu somente no palco, ele aconteceu no cinema e na música, aqui e no exterior. O triunfo da tecnologia nos deixou mais burros, frios e superficiais.
Jamais vou me esquecer do encanto com que Barbara descrevia o inesquecível Mercúcio, do então desconhecido Peter O’Toole. Quisera eu ter vivenciado um teatro com a qualidade e a paixão de Heliodora.
[1] A qualidade da clemência é que não seja forçada; cai como a doce chuva do céu sobre o chão que está por debaixo dela; é duas vezes bendita; bendiz ao que a concede e ao que a recebe. [Tradução de Fernando Carlos de Almeida Cunha Medeiros e Oscar Mendes, RJ, Nova Aguilar, 1989.]
mcn
16 de maio de 2015 12:36 pmO grito do casarão
Navegando pelo site da revista Piauí, além do belo texto da Fernanda Torres que indiquei abaixo, no Fora de Pauta, deparei-me com a constrangedora descrição da elite paulistana nos protestos contra a Dilma. É de corar as estátuas do Municipal.
“… a vida pode ser boa com coisas simples.”
—
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-104/esquina/o-grito-do-casarao
O grito do casarão
Herdeiro abre palacete contra Dilma
por Paula Scarpin e Carol Pires
‘Desculpa, querida. É uma festa privada.” Renato Franco de Mello gritou do alto do balcão de seu palacete, no número 1919 da avenida Paulista, em direção à mulher que, da calçada, pleiteava um lugar na festa. A loira de cabelos platinados seguia à risca o dress code dos convidados. Naquela tarde de 12 de abril, porém, se o anfitrião abrisse a porta para todos os que chegassem vestindo a camisa da Seleção brasileira, sua casa não teria como acomodar tanta gente. O espaço, com ares aristocráticos e a fachada meio em ruínas, deixaria de ser VIP.
A ideia, muito simples, era oferecer uma base de apoio para os amigos que haviam se animado a participar dos protestos daquele domingo, ainda que a maioria não demonstrasse a menor intenção de descer até a rua. Em menos de um mês, era o segundo ato público contra o governo Dilma Rousseff. “A gente só tem a agradecer à presidente”, disse Franco de Mello a certa altura, atraindo olhares intrigados. “Ela uniu o país. Todo mundo contra ela”, completou, sob risos e aplausos.
O evento tinha até promoter. Era Fábio Porchat, pai do humorista e ator de mesmo nome, amigo de infância do anfitrião. “A gente vem aqui, grita ‘Fora Dilma’ na varanda, entra, come um caviarzinho”, divertia-se Porchat, segurando um copo de uísque – “18 anos”, como ele fez questão de deixar registrado. Por cima da camisa canarinho, ele vestia um casaco de couro combinando com uma calça escura skinny e sapatos de couro pontudos.
Explicou ter convidado para a ocasião apenas “empresários, artistas e intelectuais”. O mais ilustre ao longo daquela tarde acabou sendo o humorista Juca Chaves, assediado por muitos convivas para fazer selfies. Vestindo uma camiseta amarela com a estampa de uma mão sem o dedo mindinho, com a legenda “Basta!”, Chaves animava a festa cantarolando uma marcha-rancho que acabara de compor. Chamava-se Adeus em Ritmo de Lava Jato.
Muitos dos presentes não escondiam o deslumbramento ao transpor as portas do palacete e descobrir atrás da fachada de casa abandonada uma profusão de móveis em pleno uso. Era possível ver um banco de jacarandá do século XVIII em estilo dom João V, uma mesa rústica holandesa e sofás Chesterfield de couro amarelo, entre as várias peças dispostas em alguns dos 35 cômodos, num terreno de quase 3 mil metros quadrados. Havia também muitos aposentos fechados, cheios de objetos atulhados.
Um dos barões do café, o avô de Renato Franco de Mello construiu a casa em 1905. Ficou insatisfeito com o resultado e foi buscar na França um arquiteto que pudesse refazê-la ao seu gosto. A mansão acabou sendo reinaugurada em 1912. Em 1992, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de São Paulo tombou o imóvel, localizado na região mais nobre da avenida, perto do Conjunto Nacional e a dois quarteirões do Masp, do outro lado da rua.
A família alegou que o tombamento desvalorizou o imóvel e exigiu na Justiça a expropriação do terreno. Sem mais possibilidade de recurso, em 2012 o governo estadual foi condenado a pagar aos herdeiros uma indenização de 110 milhões de reais. Enquanto o valor não for quitado, Franco de Mello não arreda o pé dali.
Como a maioria de seus primos, ele vivia da herança do avô e dos lucros da fazenda Primavera, nos arredores de Araçatuba – uma terra que nos últimos tempos era dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar e a uma centena de cabeças de gado. No começo da década passada, decidiu fechar seu antiquário na rua Oscar Freire e se mudou para a Provence, na França, “para mostrar aos amigos como a vida pode ser boa com coisas simples”.
Em 2002, no entanto, a fazenda da família foi desapropriada pelo governo federal para fins de reforma agrária. Em 2006, 105 famílias de trabalhadores sem-terra tomaram posse do assentamento, e Franco de Mello foi obrigado a voltar para o Brasil.
Há cinco anos, a família o convocou para tomar conta do último casarão da Belle Époque. “Eu sou o único herdeiro que gosta de coisa velha, então me pediram para morar aqui”, explicou. “É para evitar que o palacete seja invadido pelos sem-teto. Já pensou?” De fato, os capitéis e frontões em estilo provençal-urbano chamam a atenção de quem passa, tanto pela estética rococó como pelo aspecto abandonado. “Não tinha ideia de que alguém morava aqui, ainda mais um herdeiro”, comentou uma convidada do alto de suas sandálias ornadas com pedraria verde.
Mesmo sem poder de decisão sobre o destino do local, Franco de Mello queria vê-lo transformado em um museu dedicado à própria casa, com uma reconstituição de seu mobiliário original. A última notícia que teve, no entanto, foi de que o espaço seria um centro de memória da diversidade sexual. “O governo quer transformar isso aqui num museu de viado”, disparou Porchat, o promoter. Franco de Mello não parecia encarar a hipótese com tanto desgosto. “Mas eu sou mais cabeça aberta. Para alguns parentes eu digo que vai ser um museu da biodiversidade. O que não deixa de ser verdade, né?”, falou, sorrindo.
O herdeiro do barão do café divide o espaço com uma família de antigos caseiros. Como não tem dinheiro para remunerá-los como funcionários, eles apenas coabitam o lugar – trocam o trabalho pela moradia. “Somos flatmates, vivemos numa comunidade”, brincou Franco de Mello.
Entre conversas e espiadelas na rua, ele refletia sobre o momento do país: “Estava lendo no jornal sobre o genocídio armênio na Turquia”, disse, referindo-se à matança levada a cabo há 100 anos pelos turcos contra mais de 1 milhão de armênios que viviam no Império Otomano. “O que a gente vive no Brasil hoje não é muito diferente”, acrescentou, antes de arrematar: “Toda essa corrupção, e as pessoas morrendo na fila do SUS, é ou não é a mesma coisa?”
Franco de Mello avistou pela janela, no meio da massa de manifestantes de verde e amarelo que tomava a rua, o filho do caseiro, que vestia uma camiseta vermelha. “Que é isso, Anderson? Virou petista?”, perguntou. O menino apenas sorriu de volta.
El Cid
16 de maio de 2015 12:42 pmNo Blog do Esmael Morais… Garganta Profunda: “A casa caiu”
No Blog do Esmael Morais… Garganta Profunda: “A casa caiu”
http://www.esmaelmorais.com.br/2015/05/garganta-profunda-a-casa-caiu/
Informante do Blog do Esmael dentro do Palácio Iguaçu, ‘Garganta Profunda de Londrina’ revela o humor no Centro Cívico com a denúncia segundo a qual R$ 2 milhões desviados da Receita Estadual, via propinoduto, foram para a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB).
Nesta noite, o Blog do Esmael consultou o jurista Luiz Fernando Pereira sobre as consequências jurídicas deste mais novo escândalo. “Não tem repercussão na Justiça Eleitoral, pois já acabou o prazo para a impugnação da eleição”, explicou.
No entanto, há dois caminhos para punir o crime do tucano: 1- cassação por impeachment na Assembleia Legislativa; e 2- condenação criminal na justiça comum.
Garganta Profunda de Londrina faz inevitável comparação com o ex-governador do Paraná, Haroldo Leon Peres, cassado em 1971 pelo regime militar devido pedido de propina no valor de US$ 1 milhão ao empreiteiro Cecílio do Rego Almeida. Algo equivalente aos R$ 2 milhões roubados da Receita Estadual.
A seguir, leia o relatório especial do Garganta Profunda de Londrina:
A CASA CAIU
Os corredores do Palácio Iguaçu estão impregnados de incerteza e nervosismo.
Ninguém mais por lá consegue esconder a tensão.
Todos achavam que as portas do inferno tinham sido abertas com a prisão do primeiro-primo, Luiz Abi Antoun.
Agora, com o depoimento contundente do auditor Luiz Antonio de Souza, é opinião comum no Palácio Iguaçu que as portas e janelas do inferno foram definitivamente escancaradas.
O vai-vem da dinheirama arrecadada no esquema de corrupção da Receita Estadual bateu forte no núcleo de arrecadação e financiamento da campanha de Beto Richa.
No comando de tudo, o primeiro-primo Luiz Abi Antoun e Marcio de Albuquerque Lima, parceiro de Beto Richa no automobilismo.
O cunhado de Beto Richa, Avelino Vieira, disse com todas as letras no seu perfil no twitter que Luiz Abi era o Governador “de fato” do Paraná.
Isso sem contar que o GAECO ainda segue firme da investigação da exploração sexual de menores em Londrina.
O fotógrafo DAS-5, Marcelo “Tchelo” Caramori, também conhecido como Taradão do Iguaçu, na sua delação premiada botou na roda Ricardo Rached, assessor de Beto Richa para assuntos, digamos, extra-agenda.
Amigos e assessores mais próximos preocupam-se com a ânimo do governador, cada vez mais nervoso e exaltado. Observam também que ele voltou a fumar com mais frequência e tem recorrido a indutores de sono para conseguir dormir.
Não é pra menos, com este barulho todo.
Free Walker
16 de maio de 2015 1:13 pmBB King e Lucille, sua eterna
BB King e Lucille, sua eterna amante…..
https://www.youtube.com/watch?v=OzGOg5cYW5w
Spin Ggnauta
16 de maio de 2015 1:19 pmEm comunicado, após a reunião
Em comunicado, após a reunião com o ministro Dimitris Stratoulis que tutela as pensões, Éric Toussaint, coordenador do Comité para a verdade sobre a dívida grega, critica “as exigências dos credores ao quererem impor novas reduções das pensões complementares, quando é evidente que as políticas anteriores e atuais impostas pelos credores violam os direitos dos pensionistas a receberem rendimentos decentes”.
http://www.esquerda.net/artigo/na-grecia-45-dos-reformados-recebem-pensoes-abaixo-do-limiar-de-pobreza/37007
Nira
16 de maio de 2015 6:50 pmViva, pela defesa dos
Viva, pela defesa dos direitos dos pensionistas… na Grécia.
maria rodrigues
16 de maio de 2015 2:20 pmDanilo Gentille estava ontem
Danilo Gentille estava ontem no SBT entevistando Lobão. Vi um pedacinho, em que o cantor sem sucesso diz que está programada para o dia 27 ua manifestação pro-impeachmente de Dilma. Mais uma.
O Escritor
16 de maio de 2015 5:20 pmSem medo do ridículo
Com vocês, a mais nova e mirabolante criação da política brasileira: o quase presidente.