10 de junho de 2026

Palocci admitiu não ter provas e seu depoimento é “imprestável”, diz defesa de Lula

"Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento", diz defesa sobre acusação de que ex-presidente negociou propina com Sarkozy

Jornal GGN – A defesa do ex-presidente Lula emitiu uma nota à imprensa, na noite desta segunda (18), afirmando que o depoimento em que Antonio Palocci afirma que o petista combinou pagamento de propina com Nicolas Sarkozy, em 2009, é “imprestável” porque não possui nenhuma comprovação.

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“Quando confrontado pela defesa de Lula, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento”, anotou a defesa.

Palocci foi ouvido hoje como testemunha de acusação na ação penal em que um dos filhos de Lula é acusado de receber vantagens indevidas de montadoras.

O delator da Lava Jato disse que presenciou reunião entre Lula e Sarkozy em 2009, na qual houve acerto de pagamento de propina na compra de equipamentos para as forças armadas. Entre esses itens estariam os caças, mas o fato é que o governo Dilma Rousseff adquiriu as aeronaves da sueca Saab.

A defesa de Lula reclamou que Palocci gosta de falar dos caças, mas que isso sequer tem a ver com a ação penal em curso.

“Trata-se de arrolamento extemporâneo da acusação, baseado em referência artificial a “caças” feita pelo ex-Ministro em depoimento prestado em 26/06/2018 no âmbito da Operação Greenfield, que não tem qualquer relação com o objeto da ação penal relativa ao depoimento hoje prestado.”

Leia, abaixo, a nota completa:

O depoimento prestado hoje (18/03) pelo ex-Ministro Antônio Palocci perante o Juízo da 10ª Vara Federal de Brasília só serviu para deixar ainda mais claro que ele negociou generosos benefícios com autoridades em troca de múltiplas e esfarrapadas acusações contra o ex-Presidente Lula.

Quando confrontado pela defesa de Lula, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento. Durante a ação penal, 30 testemunhas prestaram depoimento e todas elas, inclusive aquelas arroladas pelo MPF, demonstraram que Lula não cometeu qualquer ato ilícito. Dentre as pessoas ouvidas estão os dos ex-Presidentes Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, ex-Ministros de Estado, membros das Forças Armadas e servidores da Presidência da República. A lisura da conduta de Lula foi confirmada também nesta data pelo depoimento prestado pelo ex-Ministro Nelson Jobim.

Palocci foi ouvido como testemunha do Juízo a pedido do MPF. Trata-se de arrolamento extemporâneo da acusação, baseado em referência artificial a “caças” feita pelo ex-Ministro em depoimento prestado em 26/06/2018 no âmbito da Operação Greenfield, que não tem qualquer relação com o objeto da ação penal relativa ao depoimento hoje prestado.

Em petição protocolada nesta tarde, demonstramos ao Juízo que embora Palocci tenha negado peremptoriamente sua iniciativa de incluir o tema dos “caças” naquele depoimento da Operação Greenfield, telas capturadas a partir do vídeo correspondente àquele depoimento mostram suas anotações e, consequentemente, sua intenção de tratar do tema, situação absolutamente incompatível com a isenção que se espera de uma real testemunha.

Cristiano Zanin Martins

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Anônimo

    18 de março de 2019 9:13 pm

    Sugiro que o Sarkozy processe o Palloci, por calúnia, na França.

  2. Marcelo Nascimento

    18 de março de 2019 11:02 pm

    Como nao tinha testemunha? O Lula nao fala frances, e o Sarkozy nao fala portugues. Encontros oficiais tem sempre 2 tradutores, logo, existem 2 interpretes que negociaram a propina.
    Chega a beirar o ridiculo que nesse mundo em que eu vivo, dois presidentes fazem negociatas em encontros oficiais.

  3. Jus Ad Rem

    18 de março de 2019 11:29 pm

    MPF pede para Palocci esconder da câmera anotações que levou a depoimento; veja vídeo:
    Palocci chegou em depoimento com anotações que o MP pediu para esconder da câmara – Veja o vídeo
    https://www.viomundo.com.br/denuncias/mpf-pede-para-palocci-esconder-da-camera-as-anotacoes-que-levou-a-depoimento-veja-video.html

  4. Jus Ad Rem

    19 de março de 2019 12:28 am

    Por absoluta ignorância e falta de argumentos é comum ver coxinhas dizendo: “Lula está preso, babaca”. Ao que eu respondo: Sim, Lula está preso por vontade de um mafioso que agora faz vista grossa para o caixa 3 do Onix Lorenzoni, para os milicianos do Bozo, para os laranjas do PSL e dos gabinetes da família Bozo.
    Que “herói” esse? Herói? Na verdade é um capo de máfia!

  5. Alexandre Borges

    19 de março de 2019 12:58 am

    Desde que me formei em Direito, em 92, até hoje, não fiquei sabendo que a prova testemunhal teria sido abolida das leis brasileiras. A prova disso é a ânsia de criminosos em eliminar as possíveis testemunhas. Se mudou, é uma novidade pra mim.

  6. Lúcio Vieira

    19 de março de 2019 1:03 am

    Lula não é um fluente no francês, já sabemos. Palocci tenho dúvida de que seja letrado no idioma, senão estaria complicando o Sarcozy, porque teria sido ele quem fez a interpretação aos 2 ex-presidentes, onde ambos estariam cometendo ilícitos e o Palocci por 10 anos calado.

    Provável para mim é que o Sarcozy perguntou para Lula sobre o terceiro na conversa (Palocci no caso):
    “Lullá, qui est le bouffon?” – tradução: “Lula, quem é o bobo da corte?” apontando para Palocci
    Palocci deve ter entendido algo como: “Lullá, combien de corruption?”. (Lula, quanto ces qué de corrupção?)
    Engraçado não estar na conversa o intérprete para os presidentes e o Celso Amorim, presença constante.
    Pô pessoal do Paraná, conta uma melhor ou então investiga porque o Edu Bolso foi fotografado almoçando com um dos assassinos da Marielle.
    https://twitter.com/DeSouzaBraga1/status/1107232107640827904

  7. Anônimo

    19 de março de 2019 2:21 am

    Dos trinta depoimentos já feitos, inocentando Lula,nenhum mereceu uma manchete da imprensa. Quanto a Pallocci, tudo que fala é manchete. Obviamente os depoimentos de Pallocci assim como todos os processos contra Lula, até abril, vão ficar alimentando a narrativa de Curitiba. Pallocci deverá aparecer bastante durante as próximas semanas. E como sempre tudo irá vazar, menos os depoimentos seŕios.

  8. Marco Antonio de Melo

    19 de março de 2019 6:07 am

    Segundo o próprio Deus do MPF, não basta só o depoimento do réu, tem que haver provas. Então, o boca mole, vai arrumar outro pau para se encostar, sem contar o processo que o ex-presidente da França deve enfiar no rabo dele.

  9. Luiz carlos

    19 de março de 2019 10:49 am

    Vcs colocam a chamada “Palocci admitiu não ter provas e seu depoimento é “imprestável”, diz defesa de Lula”, é lógico, a defesa de lula vai dizer que ele é inocente até o último minuto. Eles NUNCA vão assumir os erros. Pensei que seria seria a reportagem mas porque não colocaram a posição do MP?

  10. LUIZ NECIAS OLIVEIRA FILHO

    19 de março de 2019 11:17 am

    Puro fake, o maior problema de Lula, e q tem advogados mto fracos, o cara fala é honesto e a pena dele só aumenta, ao final dos processos, vai chegar a pelo menos, 60 anos de cadeia, no minimo

  11. Rui Ribeiro

    19 de março de 2019 12:20 pm

    Pela lógica do Dallagnol, inverte-se o ônus da prova, cabendo ao Lula provar que é inocente.

    De acordo com o Dallagnol, ‘se um réu afirmar, por exemplo, que arrecadou propina para investir ilicitamente em uma campanha, a lava jato deve pedir a inversão do ônus da prova – ou seja, se o réu diz que havia caixa 2, então que demonstre’.

    Quando se inverte o ônus da prova, a parte que não aceita uma afirmação tem que provar que ela é falsa. Ora, se o MPF é que não aceita a afirmação de quem confessa ter praticado o crime de caixa 2, então cabe ao MPF provar, COM DOCUMENTOS, que o a confissão é falsa.

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