20 de junho de 2026

O golpismo explícito da oposição, por Janio de Freitas

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

da Folha

Começar mais uma vez, por Janio de Freitas

As negativas de adoção do golpismo feitas pelos oposicionistas vociferantes são apenas falsidade política

Férias sem viagem não desligam, logo, não são férias. Mas, a bem da verdade, se não pude viajar no planeta, fui levado a viajar no tempo. Com ótimas e péssimas companhias nos 204 milhões transportados a bordo do Brasil de volta ao século 20.

O século que, para nós, começou antes de chegar. Uma linha de historiadores considera que o século 20 só começou para o mundo em 1914, com o fecho brutal da “belle époque” pela irrupção da Guerra Mundial. No Brasil, o novo século começou em 1889, com o golpe de Estado que expulsou o Império e impôs a República. E que não mais se dissociou dela ainda naquele e no decorrer do século 20, como golpismo latente, como inúmeros golpes tentados e frustrados, e como consumados e numerosos golpes ora brancos, ora em seu clássico verde oliva.

“A democracia brasileira está consolidada” não é mais do que uma ideia generosa com o (mau) caráter da política brasileira, produzido e disseminado pela mentalidade primária e gananciosa, além de alheia ao país, da classe dominante com seus poderes maiores que os dos Poderes institucionais. O golpismo é um recurso natural dessa mentalidade. Por isso está aí.

Se não, por que a exibida indignação dos oposicionistas com Dilma por suas práticas opostas às que propalou na campanha? É só falsidade. Oposição honesta, se não for imbecil, não tem como não estar satisfeita com a adoção de política econômica e medidas antissociais que são autenticamente suas, e de sua conveniência. E satisfeita ainda com a derrota final dos que a repudiaram nas urnas. Um só motivo para tanta indignação exibida: o golpismo.

Alberto Goldman delatou a tática em texto na Folha de 24.2.15. “Como levar adiante uma transição (…) sem ter de aguardar quatro anos” é “um desafio” que “só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e política persistirem [o plural é dele] a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática”.

Ou seja, berreiro acusatório total contra “as condições econômicas e políticas” até conseguir clima para derrubar a presidente: (…) “Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo”.

Pequenos trechos a meio do noticiário confirmam a continuidade do propósito e da prática. Assim, nos últimos dias: “Não se trata de sangrar, a degradação econômica e política pode levar ao impeachment, não se deve ter receio” (Carlos Sampaio, irado líder do PSDB na Câmara). Ou a referência ao governo como “o que não deve ser salvo”, feita por Fernando Henrique. Ou ainda as reuniões da direção peessedebista com delegados e advogados à procura de meios de incriminar Dilma, e por aí em diante.

As negativas de adoção do golpismo feitas pelos oposicionistas vociferantes são apenas falsidade política. Até porque, lá atrás, antes que lhes parecesse inconveniente se mostrarem golpistas, deixaram claro o seu objetivo de forçar o impeachment, cuja falta de fundamentação constitucional não projetou mais do que um golpe baixo.

A falsa indignação com a economia e o uso da Lava Jato contra Dilma não bastam para aproximar o golpismo do êxito. Há muitos motivos políticos para que, no Congresso, uma tentativa forçada de impeachment seja derrotada. No Supremo Tribunal Federal de hoje em dia não há possibilidade de aceitação, ainda que conte com uns três votos, de impeachment que não esteja fundamentado com muita solidez factual e em segura constitucionalidade.

O que entrou e continua no século 21, na vida institucional brasileira, não pode ser esquecido. A proteção das Forças Armadas aos militares acusados de crimes na ditadura impediu a atenção para esta presença. Aos recém-substituídos comandantes general Enzo Peri, brigadeiro Juniti Sato e almirante Júlio Moura é necessário reconhecer que asseguraram, ao longo do governo Lula e no de Dilma, uma conduta exemplar dos militares.

Nem uma só voz de militar da ativa veio agravar qualquer dos vários períodos de conturbação. O homem das casernas tornou-se o exemplo de civilização e civilidade, ao lado da degradação paisana. O antigo troglodismo armado está restrito, inofensivo, aos bolsonaros de pijama no Clube Militar.

Além de torcer para que esse exemplo perdure, é preciso batalhar outra vez contra os ressurgidos obscurantistas.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

18 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Alessandre de Argolo

    22 de março de 2015 12:24 pm

    Melhor texto do Sr. Jânio de Freitas em tempos

    Nessa, ele acertou em cheio. Excelente. Já compartilhei. Porque, em tempos de redes sociais, não basta gostar do que se lê. É preciso compartilhar.

  2. maria rodrigues

    22 de março de 2015 12:27 pm

    O pior não vem da falta de

    O pior não vem da falta de habilidade ou de qualquer ação administrativa de Dilma como pessoa irresponsável, incapaz, mas do fato, incontestável dela, como Presidenta, em início de mandato, carente de paz para agir, prmover mudanças, tocar o Brasil pra frente, em que pesem problemas extraordinários como as investigações da Lava Jato, enfim, pior, ou a doença de agora, é a união visível de um partido revoltado por perder eleições sucessivas par o PT com o PMDB, sempre parasitário, vivendo às custas de outros, sentir-se na atualidade com força suficiente no Congresso para, desfarçadamente, dizer que não quer desestabilizar o Governo enquanto age, às claras, no sentido de obstrui-lo, com os poderes existentes no Congresso, na medida em que Renan Calheiros e Eduardo Cunha deram recados a Dilma logo de entrada, e não sossegarão enquanto não conseguirem arrancar de Dilma a faixa que o povo brasileiro, em maioria colocou no seu peito. 

    Dilma não é política de sair discursando com rasgos de quem está se defendendo, porém, até mesmo os trogloditas sabem que o que fazem pode desgastá-la ao ponto até dela poder pedir a renúncia, se não a deixam governar por caprichos e interesses pessoais. 

  3. NALDO

    22 de março de 2015 12:41 pm

    Mas li no ig que tem uma

    Mas li no ig que tem uma movimentação estranha por ai, que tem alguns com saudades dos idos de 60, resta saber se hoje em dia cabe ditadura militar no Brasil.

    1. João Maria Fernandes de Sousa

      22 de março de 2015 2:36 pm

      Naldo…

      desde as 19:30h do dia 26/10/2014, momento em que Dilma “ultrapassou” o Homem Bom do Leblon, causando choradeira até em Angélica… que já estava toda serelepe para festejar a volta triunfal do PSDB ao Planalto, essa turma do obscurantismo nazi-fascista está conspirando e preparando “seu exército” para num assalto tomarem o poder, a direita não descansa… a extrema direita menos ainda… o problema é que não vivemos em 1964 quando foi fácil enganar setores imensos do campo e das cidades com a falácia de que o “perigo comunista” estava afundando o Brasil.

      Devemos temer esse tipo de coisa? Claro que sim, afinal de uma serpente nascem vários filhotes mas do lado de cá acredito também que existem pessoas e grupos que não vão deixar barato essa aventura nazi-fascista que por hora se exalta principalmente nas redes sociais (fascisbuque por excelência).

  4. Anna Dutra

    22 de março de 2015 1:29 pm

    Irretocável !!
    Irretocável! Agradecendo a JF e compartilhando.

  5. DjalmaSP

    22 de março de 2015 1:45 pm

    Louvável

    Caro Nassif,

     

    Janio de freitas se supera na análise, pricipalmente da reclamação em cima do que seria o início do governo do Aercicóptero: ele não disse que iria tomar medidas impopulares? seus aceclas não representavam jogar todas as conquistas sociais no lixo? e o histórico do tucanato no seus choques de gestão?

    Janio produz textos simplesmente inesquecíveis.

  6. joão adalberto

    22 de março de 2015 1:46 pm

    Isenção

    Isenção: Na imprensa tradicional são raros, na nova mídia precisamos de uma lupa para encontrá-los.Não confundir isenção com ética, moral, neutralidade , honestidade profissional, interesses financeiros, etc.

  7. Rui Daher

    22 de março de 2015 2:06 pm

    “Começar mais uma vez”

    Sim, mas não com chamada na capa. Curiosa essa Folha de São Paulo, que mencionei ontem em artugo para o Fora de Pauta, do GGN, infelizmente, aqui não destacado.

    Jânio é um dos principais colunistas políticos do País. Tem histórico excepcional no jornalismo brasileiro. Estava em férias. Hoje voltou com sua tradicional coluna. Impecável, aliás.

    Nâo deveria ter destaque na capa do jornal? Ainda que fosse apenas para anunciar sua volta, que ainda garante muitos leitores à Folha. Mas não, o destaque de colunista, na capa, foi dado a Samuel Pessôa, economista tucano, para nos informar que “demorará muito para o Brasil voltar a crescer”.

    Será qua a abordagem honesta de Jãnio, sobre o momento político brasileiro, não cheiraram bem para o editor Sérgio D’Ávila e seus (es)capistas? 

  8. Gerson Alvim Pessoa

    22 de março de 2015 3:23 pm

    Os militares da PM paulista

    Perfeito o artigo do Janio de Freitas. Só tenho um adendo a fazer a ele: tem razão quando diz que os militares das três forças (comandantes) estão se portando como devem se portar, com isenão e sem aprovar qualquer conturbação. O senão que eu vi em fotografias das manifestações de São Paulo foi ver militares (oficiais e alguns praças) de serviço para “manter e garantir a órdem” somente isto, posando com os manifestantes, claramente mostrando o seu lado. Duas coisas:

    (a) O senhor governador de São Paulo é do PSDB e um desafeto do PT e do governo Dilma, como foi do governo Lula, quando deveria ser somente adversário político, portanto os seus subordinados policiais militares e civis estão ali sob as suas órdens e complacências.

    (b) Os militares, como qualquer cidadão, têm todo o direito de se posicionar policamente desde que em trajes civis e fora do seu horário de serviço. E não era isto o que acontecia ali nas manifestações paulistanas. Será que foram repreendidos? Hem, me contem. Pois deveriam ter sido. 

    No mais, é isso aí, o Janio de Freitas não se dobra aos seus patrões. Fala o que pensa. Parabens. E por acaso os Frias têm peito para perderem um colunista deste porte?

    1. Ralf Rickli

      23 de março de 2015 1:43 am

      PM não só de SP

      É preciso insistir que há de fato essa falha no texto, de outro modo excelente, de Jânio de Freitas: se o exército está dando lições de civilidade, não é o Clube Militar o que preocupa, e sim as PMs. Não só a PM de São Paulo. Não conheço nenhuma PM que não seja reduto de pensamento golpista.

  9. leonidas

    22 de março de 2015 4:25 pm

    O problema disso tudo é achar

    O problema disso tudo é achar que esse tom é algo exclusivo da oposiçao né?

    O PT quando na oposição nao quis assinar a constituinte de 88, foi parte ATIVA NO GOLPE CONTRA COLLOR, foi aliado da imprensa no trabalho de avacalhar com toda força Jose Sarney, Paulo Maluf, Quercia , ACM , e Cia.

    Não que essas tralhas prestassem mas como o PT tanto fala agora, seria necessario ter provas e respeitar ” institucionalmente pessoas eleitas” não é esse o discurso agora do PT que só por coincidencia hoje é governo?

    O lula falou em alto e bom tom que o real era um ESTELIONATO ELEITORAL , foi contra a lei de responsabilidade fiscal.

    A bagagem é grande…rs

    Fora que ate onde sei , a imprensa é golpista logo nao pode falar nada de bom, seguindo esse raciocinio esse artigo nem deveria ser considerado de credito…rs

    Enfim o problema do Brasil é a FALTA DE VERGONHA NA CARA e isso vale para os cinicos que adoram falar mal de deus e o mundo e santificar o PT e os seus, onde despudoramente mudam o discurso.

    O Lula nao tem muito tempo definiu o congresso como a casa dos 300 picaretas, o Lula defendeu o FORA FHC e naquele tempo era tudo uma questão de ” democracia e lilberdade de expressão ” hoje é GOLPISMO

    Enfim, falta de vergonha mesmo…

    1. Gil Teixeira

      22 de março de 2015 5:27 pm

      concordo, em parte.

      A diferença é que o PT tinha e tem um plano de governo. A oposição de hoje nem idéia do que fazer, a não ser vender o que resta e se lucupletar sem a sanha perseguidora aos corruptos e corruptores do atual governo.

    2. Guilherme Campos

      22 de março de 2015 8:43 pm

      Jânio de Freitas
      Eu pergunto: onde quis chegar com essas colocações? Então a oposição age por vingança? É essa a contribuição que se dá para o debate político.

    3. FabioREM

      23 de março de 2015 5:21 am

      Reciprocidade

       

      Reciprocidade é um elemento inerente à política. Se existem duas forças dominantes, como é o caso, pode estar certo que A acusa B daquilo que B acusava A quando estava em situação oposta.   Quando A e B trocarem novamente de posição, veremos acontecer de novo. É uma sequência hipócrita? É, mas infelizmente a Política funciona assim.

    4. Ricardo Pierri

      23 de março de 2015 6:17 am

      O PT não assinou a

      O PT não assinou a Constituição pq ela foi fruto de um pequeno golpe. Havia um texto preparado ao longo de extensas discussões públicas, que foi JOGADA FORA pelo centrão, que criou um novo projeto, CONTRARIANDO o regimento da Constituinte.

      O real FOI um golpe eleitoral. Mas mais do que isso, foi um golpe econômico contra o Estado. Sem atingir as causas da inflação, a maquiaram e atiraram seus efeitos na dívida pública, garantindo que o Estado se desmanchasse e não pudesse investir.

      Havia uma razão LEGAL e LEGÍTIMA para o impeachment de Collor. Lembra do carro que ele recebeu? Impeachment ILEGAL – tipo o que pedem hoje, desprovido de qualquer sustenação fática – é que é golpismo.

      A imiprensa é evidentemente golpista – e declarou guerra abertamente agora – e não merece crédito. Isso não significa que quem percebe seu golpismo deva automaticamente considerar tudo que ela escreve como mentira. Significa apenas que devemos sempre estar com o pé atrás.

      Realmente, falta muita vergonha na cara no Brasil… O que abunda é ignorância e ódio.

  10. Moita

    22 de março de 2015 11:19 pm

    Queria saber o que ele acha

    Do empregador dele nessa movimentação toda. Quando ele vai achar que chegou no seu limite?

  11. JMauricio

    23 de março de 2015 1:03 am

    Excelente. Pura conversa
    Excelente. Pura conversa fiada da oposição, travestida de combate a corrupção. Quando estão no governo, a corrupção existe e fica descaradamente escondida debaixo do tapete.
    Acho dificil voltarem ao poder depois de toda essa baixaria.

  12. Guttemberg

    23 de março de 2015 1:16 am

    Quanta bobagem

    Antigamente se dizia ue o papel aceitava tudo. De fato. Hoje é a internet o lugar onde se despeja a imbecilidade nacional. Que pena! Às vezes tnho a impressão que indivíduos se sentam defronte o teclado sem uma mínima ideia do que vão escrever. O tempo passa, a ideia não vem. Daí resolvem escrever qualquer besteira, como esse estúpido texto que acabei de ler. Que vergonha cronista, mude de profissão, vá encher linguiça em algum frigorífico. Tem talento para isso.

Recomendados para você

Recomendados