4 de junho de 2026

A crise de representação e o esgotamento da opção bipartidista

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Por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Ref. ao post: O fim do período da Nova República

Dois senões ao texto do Nassif.

Um: o que “dá a liga” de uma inteligibilidade causal a esse encadeamento de fases do primeiro tópico é a lógica política do “peemedebismo” e não apenas uma “evolução” de fenômenos.

Essa lógica é a forma institucional (ou o conteúdo específico das relações) pela qual o patrimonialismo se reproduziu após a ditadura militar como o verdadeiro e duradouro projeto nacional das castas senhoriais.

Dois: Não se trata de reduzir uma “evolução” de fenômenos políticos ao economicismo de lograr ou não “criar um modelo de desenvolvimento dinâmico”. Ele pode até ser criado, mas se ele apenas reproduzir a lógica do patrimonialismo (que pode também ser traduzida como lógica do privilégio), ele só terá mudado algumas coisas para que tudo permaneça igual. Ou seja, o “X” da questão não está na economia, mas na forma de regulação social dos direitos.

Portanto, a resposta à lógica patrimonialista não é econômica. A resposta é política — no sentido mais amplo da política: não a política(gem) do já disposto, mas política como invenção de novas disposições.

É essa invenção política que o PT sugeria ser capaz de realizar. A crise de representação a que chegamos e o esgotamento da opção bipartidista é sinal de que:

1. a reprodução do projeto nacional das castas senhoriais encontra, mais uma vez, seu horizonte (ou limite) de contestação (e é isso que deixa tão atônitos seus acólitos, como Gilmar Mendes (o PSDB por metonímia), Eduardo Cunha (o PMDB por metonímia) e outros mais);

e 2. na medida em que se bastou apenas em uma solução econômicista balizada pelo critério utilitarista do consumo (portanto, classicamente liberal), o PT foi incapaz de dar curso a uma invenção política que albergasse a efetiva ampliação da cidadania, que é a viga de contestação substantiva ao projeto nacional patrimonialista.

Não por acaso, a “besta” da corrupção acaba sendo a metáfora mais palpável desse projeto. Ela sintetiza, ao mesmo tempo, a perpetuação da ordem do privilégio e a constatação, por fim, da esterilidade de quem se apresentava como sua alternativa. É por isso que chegamos à tensão do atual impasse.

O resto é o “resto”, ou seja, as variações que dão conteúdo à forma que as determina: multiformes construções discursivas em torno da manutenção e, ao mesmo tempo, tensionamento da lógica do privilégio. Talvez não seja outra coisa que não essa tensão o que perpassa e nos transmite a imagem política disso a que chamamos “classe média”.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Lucinei

    17 de março de 2015 8:22 pm

    O que está em discussão é o

    O centro da discussão é o financiamento de campanha. Cada vez mais fica claro que esses são os pilares do conservadorismo: dinheiro de campanha e posse da comunicação. Sem isso não há chance eleitoraal para o projeto conservador. E eles sabem disso. A interdição do debate e sua disssimulação quando se fala tanto de corrupção são mais que evidências. A histeria das tais castas políticas e o tamanho do esforço para derrubar o Partido dos Trabalhadores é a rainha das provas.

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