Por Jns
O LÍDER MORAL DA MÃE RÚSSIA
Imagens do filme biográfico do ascético Leon Tolstoy – 2009
Tolstói, acusado de estar “usurpando o emprego de Deus”, almejava um estilo de vida de campesina.
Tolstoy, em seus últimos anos, almejava o ideal cristão de uma vida simples e destituída de riqueza, para enterrar as lembranças das agitações vividas na juventude como um nobre, filho de pai conde e mãe princesa e herdeiro da senhorial propriedade Iásnaia Poliana, oficial do exército e grande apreciador das mesas de jogo e dos bordéis.
jns
18 de fevereiro de 2015 7:13 pmO Prado Ensolarado
Yasnaya Polyana
“Fale de sua aldeia e estará falando do mundo” – Leon Tolstoi
O túmulo de Tolstoi em Yasnaya Polyana
A vila Yasnaya Polyana, antiga propriedade do romancista russo Leon Tolstoi, em Tula Oblast, centro-oeste da Rússia, encontra-se a 160 km ao sul de Moscou.
Yasnaya Polyana ou ‘Prado Ensolarado” foi adquirido em 1763 por CF Volkonsky, avô de Tolstoi, que veio nascer ali em 1828 e depois de seu casamento, em 1862, voltou e viveu lá por mais 48 anos.
Após a conversão de Tolstoi ao anarquismo cristão, Yasnaya Polyana se tornou um centro de peregrinação para seus seguidores. Após a sua morte, em 1910, Tolstoi foi enterrado em um túmulo marcado apenas por nove carvalhos decorados com simplicidade no Stary Zakaz Hill, a poucas centenas de metros de sua casa.
Saqueada durante a ocupação alemã em 1941, a casa de Tolstoi e a porção restante da propriedade original foi mantida, sob os auspícios do Ministério da Cultura da URSS.
O complexo reunindo o Memorial e o Museu Tolstoi inclui a mansão Volkonsky, construída em estilo neoclássico, uma casa para os servos, cocheiras, um parque que se estende até ao rio Voronka, e a casa de Tolstoi, com sua biblioteca de cerca de 22.000 livros.
O prédio onde Tolstoi organizou uma escola para os camponeses no final dos anos 1850, tornou-se um museu literário. A ‘Ordem de Lenin’ (um prêmio por serviços especiais, ratificada pelo Presidium do Soviete Supremo da URSS) foi dado ao complexo de museus Yasnaya Polyana em 1978.
Informações da Encyclopaedia Britannica com imagens do Valsur Livejournal
jns
18 de fevereiro de 2015 7:17 pmAlma Russa
O sobre-humano Liev Nikoláievitch Tolstoi viveu “uma vida russa” — o subtítulo original do livro de Rosamund Bartlett em inglês —, “revelando tanto o dionisismo natural quanto o ascetismo cristão”.
Com ‘The Last Station’, Christopher Plummer recebeu a sua primeira indicação ao Oscar interpretando o escritor Leon Tolstoi | Getty Images
Tolstoi teve seu quinhão de detratores
Um dos mais eloquentes e espirituosos é Alexander Boot, admirador do Tolstoi artista, mas também autor de críticas ácidas e destrutivas sobre o Tolstoi pensador:
“Ele desejava ser mais que um romancista, ainda que genial. Ele desejava ser mais do que um profeta ou vidente, embora isso pudesse ter sido um bom começo. Ele queria ser Deus […]. Ele queria corrigir Deus por ter permitido que o mundo se tornasse imperfeito e pecaminoso. Ele, conde Tolstoi […] estava determinado a usurpar o emprego de Deus. Mas o emprego já tinha dono, e a deidade teimou em se manter agarrada ao cargo. Por isso, Tolstoi declarou guerra contra Deus e lutou com todos os meios de que dispunha. Infelizmente, embora tenha tentado diversas estratégias de ataque, todas camufladas sob o disfarce da verborragia pseudocristã, Tolstoi acabou perdendo. Como vingança, de fato negou Deus, o Pai, ignorou Deus, o Filho, e rejeitou Deus, o Espírito Santo. Era inadmissível que alguém pudesse derrotar Tolstoi e sair impune.”
O andarilho Tolstoi caminhando de Moscow a Yasnaya Polyana
Boot reconhece o enorme impacto de Tolstoi em movimentos da Era Moderna, tais como o vegetarianismo, o anticapitalismo e a defesa dos direitos dos animais, e seus argumentos são convincentes, embora também seja preciso levar em conta o fato de que a filosofia da não violência preconizada por Tolstoi foi reverenciada por Gandhi, Wittgenstein e Martin Luther King. Ademais, ver Tolstoi principalmente como artista e pensador é negligenciar o seu trabalho humanitário.
“Anna Karenina” foi retratada de várias maneiras e por diversas atrizes ao longo da história | Getty Images (Chicago Tribune)
Além de suas grandes obras ficcionais, talvez o maior legado de Tolstoi tenha sido seu impacto na vida russa. Mesmo que não tivesse deixado uma obra literária, Tolstoi poderia ser louvado por sua tentativa de melhorar os níveis de alfabetização em um país em que, no final do século XIX, uma porcentagem ínfima da população sabia ler e escrever; por promover ações humanitárias para atenuar o desastre nacional que era a fome; e por ter a coragem de falar algumas verdades sobre um regime corrupto, complacente e insensível à pobreza de seus súditos. Inúmeras pessoas se aproximavam de Tolstoi com reservas, mas se convenciam de sua sinceridade […]. E há algo de tocante em seu incansável gosto pela vida, por mais obstinadas que fossem suas idéias.
Por Rosamund Bartlett – um estudioso da literatura russa e história da música, tradutor de textos russos do século 19, e biógrafo de Tolstoi -, tradutor de “Anna Karenina”.
Foto do túmulo de Tolstoi publicada pelo Taday da Rússia
Aos 82 anos, cada vez mais atormentado pelas contradições entre sua conduta moral e a riqueza material da sua família, e também devido aos constantes atritos com a esposa – que se opunha a desfazer-se de suas posses – Tolstói, acompanhado pelo seu médico e pela sua filha caçula, foi embora de casa no meio da noite. Três dias mais tarde, seu estado de saúde se agravou em decorrência de uma pneumonia. Morreu no dia 20 de novembro de 1910, em uma estação ferroviária. ( Releituras.com )
Imagens da Internet
jns
18 de fevereiro de 2015 7:23 pmPerdeu, Nobel, perdeu
Órfãos do Prêmio Nobel de Literatura
Iúlia Leschenko , Gazeta Russa
Apesar da literatura russa ser considerada uma das mais importantes da Europa nos finais do século 19, foram poucos os russos consagrados ao longo dos 113 anos de entrega do prêmio.
Capa do livro de Pelévin | RIA Nóvosti
Em seu testamento, Alfred Nobel reservou um prêmio especial ao autor que “tivesse produzido, no campo literário, o mais magnífico trabalho em uma direção ideal”. Quatro anos depois, o seu pedido foi colocado em prática.
Em 1901, o primeiro Prêmio Nobel de Literatura foi entregue a um poeta francês quase desconhecido, Sully-Prudhomme, o que suscitou a indignação nos círculos literários europeus. Escritores e personalidades suecas ligadas à cultura chegaram a enviar uma carta a Lev Tolstói, expressando a sua insatisfação com a escolha, embora o escritor russo nem fizesse parte dos 25 nomeados da época.
Mais tarde, a sua candidatura foi proposta por quatro anos seguidos, mas tanto o comitê do Nobel como o secretário da Academia Sueca, Karl Vinsent, mostraram-se inflexíveis. Vinsent permanecia totalmente contra Tolstói, alegando que “o escritor rejeitava todas as formas de civilização e insistia em substituí-las por um modo de vida primitivo, desligado de todos os pilares da alta cultura”.
Apesar da literatura russa ser considerada uma das mais importantes da Europa nos finais do século 19, o primeiro escritor a receber um Nobel foi Ivan Bunin em 1933. Nem Anton Tchekov, cujo nome ecoava por toda a Rússia e continente, nem o escritor e publicista Vladímir Korolenko ou o romancista Aleksandr Blok foram jamais indicados ao prêmio.
Em 1958, o Nobel foi entregue a Boris Pasternak, após a edição no exterior sem consentimento do autor, pelo romance “O Doutor Jivago”. Mas a perseguição na URSS obrigou o autor recusar o prêmio. De um modo geral, o único Nobel que teve a aprovação da cúpula dos sovietes foi Mikhail Chólokhov, em 1965.
Também não se pode dizer com exatidão quem mais esteve entre os nomeados, já que a documentação ligada à escolha do Nobel se mantém secreta por 50 anos. Especula-se que o nome de alguns escritores e poetas, como Bulgakov, Tvardóvski e Raspútin, poderiam constar nessas listas.
Desde 1987, quando o Nobel de Literatura foi para Iossif Brodski, e surgiram comentários sobre a inclusão Tchinguiz Aitmatov, escritor soviético de reconhecido mérito, entre os nomeados, os escritores russos tiveram poucas referências no trajeto do prêmio.
Há três anos, os nomes de Bella Akhmadúlina e Evguêni Evtuchenko, cujos pontos altos se localizam no período de estagnação do país, apareceram na lista não oficial. O mesmo aconteceu em 2011, com a presença de Evtuchenko, acompanhado do intelectual russo Víktor Pelévin.
Fonte: http://br.rbth.com/arte/2013/09/29/orfaos_do_nobel_de_literatura_21919.html
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O centenário da morte de Tolstoi e a impertinente babaquice russa
O motivo das celebrações do centenário da morte de Leon Tolstoi terem sido silenciadas Rússia não é fácil de descobrir. Uma explicação é que o turismo em larga escala para a cidade onde ele viveu é relativamente recente. Outra é a relação de Tolstoi com a Igreja Ortodoxa Russa. Perto do fim de sua vida, ele tornou-se um anarquista espiritual, uma atitude que resultou em sua excomunhão formal em 1901. Como a igreja é uma potência atualmente, que “nunca contraria o Partido Comunista, há 30 anos”, os russos podem ter colocado restrições, com receio de serem vistos como pró-ativamente Tolstoi, que, hoje, pode ser interpretado por alguns como sendo não só anti-governo, mas anti-russo.
Anna Dutra
19 de fevereiro de 2015 2:15 amRecomendo a leitura. Livro
Recomendo a leitura. Livro belíssimo. Tolstoi foi excomungado. Ler “carta a um oficial…” sobre patriotismo. Sensacional!
http://diogosantana01.blogspot.com.br/2012/02/resenha-do-livro-os-ultimos-dias-de.html?m=1