Há algum tempo fomos assaltados nas redes sociais primeiro pois duas palavras que não dizem muita coisa e aparentemente escondem expressões do passado que eram mais concretas e com muito mais significado do que estas duas palavras vazias de sentido objetivo.
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Primeiro veio a grande onda do conservadorismo, ou seja, apareceram dezenas de pessoas com esse discurso, ou seja, se declaravam conservadoras pois procuravam respeitar as tradições do passado, porém como a humanidade como civilização tem alguns milhares de anos, nunca é possível dizer a qual tradições do passado que se quer respeitar. Além de todo o problema temporal, resta um problema mais sério, as tradições são dinâmicas e distribuídas espacialmente e pior, conforme a dimensão da amostra se terá diversas concepções do que eram estas tradições do passado.
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Vamos exemplificar os problemas para entendê-los melhor. Para sairmos do problema de discutirmos a realidade brasileira, vamos falar da Europa que a maioria das pessoas tem pelo menos um pequeno conhecimento da história europeia.
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Falarmos em conservadorismo na Europa, seria necessário simplesmente chegarmos a analisar o ano que se quer tomar como base do conservadorismo que algum queira seguir como também a posição geográfica exata do ponto que queiramos utilizar como base. Um hipotético pretendente a conservador, que estivesse ao meu lado, responderia imediatamente de acordo com suas idiossincrasias, o seguinte:
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– Hora, podemos seguir como padrão a ser seguido seria a França do início do século XX!
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Fácil, né? Não impossível, pois no início do século XX na França como na Europa houve uma série de movimentos culturais e de hábitos que mudaram totalmente o comportamento das pessoas. Interpelado por isso o esperto pretendente a conservador diria então:
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– Vamos procurar conservar os hábitos dos franceses no século XX, mais especificamente em 1905!
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Continuando com a minha metodologia socrática, o responderia que dentro da França como mostra o trabalho de Emmanuel Todd numa série de 232 mapas com as mais diversas características das famílias francesas, desde o número de filhos, quem votaram nas eleições em determinada data, o índice de alcoolismo e mais centenas de outras características, intitulado “L’invention de la France: Atlas anthropologique et politique” que não há uma França com características comuns em questão de comportamento.
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Bem o nosso apressado interlocutor, vai então dizer:
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– Então vamos conservar os hábitos dos franceses, mais especificamente os que moravam em Lyon, em 1904!
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Como ainda não convenci o imaginário interlocutor, lhe diria que continua imprecisa a sua demanda de um padrão de comportamento do passado, pois dentre os vários moradores de Lyon em 1904, haviam os burgueses abastados, os empregados familiares (domésticos), os operários, os portuários e outros lhe pediria para ser mais exato.
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Já sem muito a que acrescentar o irritado interlocutor dirá:
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– Tudo bem, eu quero conservar os valores de um morador de Lyon em 1904 e burguês.
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Bem, já me afastando um pouco deste inexistente e insistente interlocutor, porque ele já está irritado e provavelmente furioso como todo bom pretendente a conservador, faria mais algumas pequenas restrições a tentativa do mesmo escolher o seu padrão de comportamento para ele ser um conservador conforme o passado.
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Como os burgueses em Lyon em 1904 possuíam de diferentes religiões (judeus, católicos, protestantes, ateus ou agnósticos) e possuíam diferentes tipos de negócios (indústrias, comercio de alimentos, indústria cultural, donos de bordéis,…..), perguntaria mais uma vez que tipo de pessoa que ele procuraria.
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Provavelmente para quem não é intransigente e anticientífico (e sem racionalidade), vê com clareza que a opção de um conservador, salvo que ele possua um manual escrito por alguém que diga o que ele deve fazer em todas as situações da vida moderna, que devido a complexidade da mesma nos dias atuais, deveria ter algo com mais de uma três mil páginas escritas com uma letra bem pequena, não há como definir o que seja um conservador, pois que para que alguém conserve algo ele deverá ao menos saber o que conservar. Dizendo finalmente:
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A vida e a história dos seres humanos não é uma compota de doce, logo, conservar não é possível.
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Da mesma forma que escrevi sobre o conservadorismo escreverei sobre a atual praga do progressismo, que junto com a primeira tem outro significado político que pode ser expresso claramente com termos do passado que todos acham que deixaram a razão de ser.
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