10 de junho de 2026

O PT tem os aliados que merece?, por Percival Maricato

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O triste episódio da eleição do Presidente da Câmara de Deputados rebaixa ainda  mais o conceito do legislativo brasileiro e o desgaste do Governo Dilma, ainda que recém iniciado. A vitória de Eduardo Cunha agrava a condição da presidente como refém dos interesses menores do PMDB e dos fisiológicos em geral. A tendência é que os deputados aumentem como nunca suas mordomias e as condições de se reelegerem sem limites.

Trata-se de uma questão de alta indagação, essa do título  do artigo?. No país temos uns poucos partidos mais ideológicos, PT e PSDB à frente (principalmente quando estão na oposição),  o DEM, que nos últimos anos deixou de ser predominantemente fisiológico e assumiu postura mais conservadora, alguns partidos menores de esquerda. Não se pode chamar de partidos grupos que defendem igrejas, ruralistas e outros interesses. Kassab acena com um partido de centro (o que seria positivo para a conjuntura). O PMDB se tornou um aglomerado de interesses escusos (a eleição no Senado leva a mesma conclusa). O PSB tem uma ala ideológica, mas como ficou claro nas disputas internas, a fisiológica se tornou dominante. O PT esteve entre os partidos que mais perderam votos e prestígio nas eleições de novembro e agora nas da Câmara e do Senado. Existe um amplo espaço à esquerda que pode permitir um novo partido e a repetição do fenômeno que ocorreu na Grécia. Poderemos ter movimentos do grupo que rompeu com Marina (será que o PT já não tem saudades desta inimiga), quando ela apoiou o PSDB , quem sabe dissidentes do PSB e PT, ainda este ano.

A maioria dos 28 partidos representados no Parlamento não faz questão alguma de apresentar programas ou dizer o que os motiva. São apenas balcões de negócios, partidos bondes, siglas instrumentos para vender o tempo de TV ou espaço para candidaturas.  Formam uma maçaroca,  uma selva onde os oportunistas e até canalhas explícitos estão á vontade, como se viu nas eleições de ontem.  Os anões decidem, o baixo clero sai à luz e exige abertamente concessões, cargos, emendas, não houve em momento algum discussão sobre propostas para o país e suas diferenças, ninguém procurou explicar-se à sociedade, gastou-se rios de dinheiro, que evidentemente, serão recuperados facilmente.

É incrível porém que  Eduardo Cunha,  abertamente desfavorável ao governo federal, tenha sido apoiado pelo PMDB, partido da base aliada. Incrível também porque o PMDB  tem a vice presidência da República e vários ministros. Afinal, que aliança é essa? Por que de tantos deputados o PMDB se juntou em torno de um que é inimigo declarado da Presidente? Sabiamente a oposição se manteve à parte, consolidando um pouco mais os laços do bloco de partidos que a forma: PSDB, PV, PSB e PPS ( o problema é o PSB, onde uma ala ainda sonha em voltar-se para a esquerda e a outra é fisiológica e sonha com cargos).

Grande parte dos governadores (não poucos com farto currículo no distribuidor penal) vem enfrentando o mesmo obstáculo, ou seja, articulação dos fisiológicos que ameaçam se aliar a oposição, para disputar cargos nas direção das assembleias legislativas. PSDB e PT, qualquer outro partido que eleger candidatos  para cargos executivos majoritários, o Governo FHC mostrou isso, tem que se aliar e se submeter aos interesses dos delinquentes. Mas fazem por merecê-lo, pois jamais se empenharam em uma reforma política ou em discutirem seriamente como se livrarem dessa praga na atividade cotidiana.

A  eleição, que veio revestida de roupagem aparentemente respeitável (está em jogo a independência do Poder Legislativo, repetiu cansativamente Cunha) foi  uma tragédia que  aumentará ainda mais o fosso entre a sociedade e os legislativos. O sistema favorece a multiplicação, ou pelo menos a ousadia dos fisiológicos, corruptos e oportunistas, que não teriam coragem de aparecer a luz do dia com essa facilidade se tivéssemos menos partidos, eleitores mais informados e participativos, sociedade civil mais organizada (parte dela consegue se mobilizar, mas está mais preocupada em pleitear transportes gratuitos, como se isso fosse possível), informações de melhor qualidade por parte da mídia. Urge fazer a reforma política.

Percival Maricato

Percival Maricato

Percival Maricato é sócio do Maricato Advogados e membro da Coordenação do PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais

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10 Comentários
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  1. eu

    2 de fevereiro de 2015 3:51 pm

    O que acho engraçado é que

    O que acho engraçado é que não fala-se a verdade.

    O PT, PSDB ou qualquer outro partido não manda no eleitor… Nós votamos nas pessoas e não nos partidos.

    Se a sociedade não é organizada, como ter um congresso organizado.

  2. Bruno Cabral

    2 de fevereiro de 2015 4:08 pm

    Balcao de negocios

    “informações de melhor qualidade por parte da mídia.” ??? e a midia iria vender-se como???

  3. JB Costa

    2 de fevereiro de 2015 4:10 pm

    Não, o PT não merece os

    Não, o PT não merece os aliados que tem. A bem da verdade, o termos “aliados” deveria sempre ser escrito assim, com aspas. 

    O PMDB foi o partido mais nefasto em toda a história da República. Sempre aglutinou o de mais fisiológico, patrimonialístico e rapacidade do estamento político. Em termos ideológicos sempre se posicionou em cima do muro. Quedava para o lado onde os ventos são favoráveis(leia-se perspectivas de Poder). Nesse sentido é muito pior que o DEM, ex-PFL, ex-PDS, ex-ARENA. 

    O único “ativo” que tem à mão para esbravejar é uma suposta resistência ao regime militar e ter sido o indutor e o condutor da abertura política. FALSO como uma cédula de três reais. Seu antecessor, o antigo MDB era uma frente política que acolhia todo o espectro ideológico, à exceção, claro, da extrema-direita. Se à época vigorava o bi-partidariismo queriam o quê? 

    O marco foi a Constituinte de 1988, quando começou a mostrar sua verdadeira face. Foi o partido que mais forneceu quadros para o chamado “centrão”, um agrupamento interpartidários dos que se opunham aos avanços sociais e políticos preconizados por uma sociedade estanque e paralisada após 20 anos de ditadura. 

    Foi um erro estratégico grave, não o PT ter se aliado ao PMDB com vista à malsinada governabilidade, mas e principalmente, ter sido cooptado pelo mesmo e enveredar em certos aspectos pela mesma via que tanto condenara e pela qual ganhou o respeito e a simpatia da maioria dos brasileiros. 

  4. alexis

    2 de fevereiro de 2015 4:18 pm

    Tempo da TV

    O único que o PMDB deu ao PT e que valeu 6 ministérios e a vice-presidência foi o tempo de TV.

    Nenhuma bandeira, nenhuma ação solidaria na rua, nada! Apenas o tempo de TV.

    Pobre povo, o PT vende parte da sua ação de governo em favor do povo, por mais tempo na TV para podê-lo convencer disso mesmo.

    Politicamente, se não houvesse aquele acordo, o PMDB devia ser chutado do Governo, agora mesmo, por desleal. E que o pau quebre, na frente do povo. Vamos ver quem ganha no final, ao abrir o jogo do poder.

     

  5. Messias Franca de Macedo

    2 de fevereiro de 2015 4:29 pm

     
    Crônica de uma derrota

     

    Crônica de uma derrota anunciada

    Não ocorreu nada melhor ao PT, diante de uma situação adversa, do que lançar uma candidatura própria na Câmara. Nada poderia aprofundar mais seu isolamento.

    por Emir Sader

    em 02/02/2015 às 04:51

    (…)

    FONTE: http://cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/Cronica-de-uma-derrota-anunciada/2/32772

     

    LÁ VEM O MATUTO QUE SENTE CHEIRO DE GOLPE DESDE O DIA EM QUE NASCEU EM PINDORAMA!

    … E “cês” viram “a explosão de comemoração” do Eduardo Cunha?!

    E dos seus colegas eleitores?!

    Agora, imagine “a explosão de alegria e regozijo” do Cunha caso tivesse vencido uma eleição com 51,64% dos votos!

    Votos válidos!

    No universo dos eleitores brasileiros!

    Comemoram certo terceiro turno?!…

    Alguém viu “o sorriso do Gilmar [Mendes]”?!

    Calma:

    Na cerimônia de *casamento da ‘miniSTRA’ Kátia ‘aBREU’!

    *Dilma – sem prestígio na base “aliada” – prestigia a noiva de um casamento **dissimulado:

    **O casamento do governo da presidente Dilma Rouseff com a base “aliada” da mesma noiva!

  6. Daytona

    2 de fevereiro de 2015 5:27 pm

    O PT merece alguns petistas

    O PT merece alguns petistas que tem?

    Essa pergunta é aind amais válida.

  7. democracia direta

    2 de fevereiro de 2015 6:19 pm

    O IMPORTANTE É A REFORMA POLÍTICA!

    Se a Dilma conseguir cumprir seu compromisso de fazer uma reforma política, trazendo ao Brasil os direitos de cidadania conquistados há séculos nos países desenvolvidos; as concessões que fez valerão a pena. Inclusive a de abrir mão de disputar pra valer a presidência da câmara. 

    No fundo, o compromisso com a reforma política é muito importante. Porque cargos em início de governo não tem preço, ao passo que em final de mandato, não tem é valor. Ou seja, a Dilma fez todas as concessões que podia, e agora tem todos eles em suas mãos. Se a reforma política não passar do jeito que ela quer, deve mandar todo mundo pro olho da rua, e tocar o governo só com quem foi fiel. Porque sem reforma política, sem mexer na impunidade, sem instituir instrumentos como o REFERENDO REVOCATÓRIO DE MANDATO, a corrupção vai continuar aumentando, e levará o Brasil a uma situação econômica muito ruim. Se não ficar bem claro de quem foi a culpa, o PT vai pagar o pato sozinho, e dessa vez não vai ter quem o mantenha no poder. 

    Sobre a REFORMA POLÍTICA:

    https://www.facebook.com/democracia.direta.brasileira/photos/a.300951956707140.1073741826.300330306769305/536038699865130/?type=3&theater

  8. altamiro souza

    2 de fevereiro de 2015 7:54 pm

    urgew fazer a reforma

    urgew fazer a reforma política.

    pefeito.

    mas como,  com essa “cambada” de fisiológicos?

  9. NICKNAME

    2 de fevereiro de 2015 8:39 pm

    Tem. Merece.

    Merece, sim. O não tão óbvio (desculpe, Irmandade): nenhum grupo de seres humanos é homogêneo. Nuns lados e noutros, há que se usar soda cáustica pra uma limpeza (tirada de Brizola), mas isso é impossível.

    “O impossível é pra agora, o milagre , depois”. Né?

    Aqui é um espaço das formiguinhas. Pena que não vejam a importância das cigarras.

    1. NICKNAME

      2 de fevereiro de 2015 8:42 pm

      Há mais de uma versão desta fábula da cigarra e das formigas

      mecanismos de buscas e imaginação estão pra serem usados.

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