5 de junho de 2026

Por que a pornografia seduz tanto?, por Rogério Mattos

Tudo o que agora está sendo revelado pelo The Intercept não é nada mais do que o lado prosaico de fatos que conhecemos de fio a pavio: o "troca-troca" entre Moro e Dallagnol, suas surubas globais e o conúbio carnal com a rapaziada do Russiangate lá nos EUA.
Finalmente foi Sergio Moro quem respondeu a Bolsonaro o que é golden shower

Por que a pornografia seduz tanto?, por Rogério Mattos

Fora a alegria de ver a “força-tarefa” provar do próprio veneno, não se deve perder de vista um objetivo: com a continuidade das reportagens, provavelmente isso irá ultrapassar Moro e Dallagnol. Vamos ver se chega no conluio com o DOJ e se consegue mostrar que isso é uma operação montada fora do país. E que a Globo venha de roldão.

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O que acho me impressiona em toda essa história iniciada num agora famoso domingo de junho, é que tem que se chegar às raias do pornográfico para que cause a mínima comoção pública contra os lavajateiros… A imprensa costuma se pautar pelo grotesco, pelo escândalo e o tipo de discurso mais vil, não importa qual personagem em cena. É um caso de sobrevivência, isto é, fazer sair da letargia sua audiência. Tudo o que agora está sendo revelado pelo The Intercept não é nada mais do que o lado prosaico de fatos que conhecemos de fio a pavio: o “troca-troca” entre Moro e Dallagnol, suas surubas globais e o conúbio carnal com a rapaziada do Russiangate lá nos EUA. Desde o início existem provas em demasia da irregularidade do processo. Por exemplo, no caso do triplex, a defesa pedia para se obedecer ao princípio do juiz natural. Se a acusação versa sobre uma irregularidade ocorrida em São Paulo, por que levar para Curitiba o processo? Em 2016, o TRF-4 julgou os inúmeros recursos de irregularidades apontadas pela defesa, inclusive o grampo nos advogados e o cerceamento da defesa, e disse: “a Lava-Jato é um caso excepcional, logo medidas excepcionais devem ser tomadas”. E ainda citaram o Carl Smith para fundamentar a decisão! Pessoalmente, acho que isso já é de um tom pornográfico mais do que suficiente… Mudando um pouco de assunto: nesses primeiros seis meses do governo do Bolsonaro, houve um embate entre as elites (mídia, judiciário, sistema financeiro, militares, parlamentares, etc.) para enquadrarem o presidente em suas pautas. O ponto final se deu quando Bolsonaro se reuniu a portas fechadas com diretores da Globo. Se antes ele demitiu um ministro por ter marcado a mesma reunião e com os mesmos personagens, ele cedeu para proteger o filho das acusações contra as milícias. O pacto de sangue foi feito e, segundo uma coluna da Folha de São Paulo de ontem, o “Governo Bolsonaro vive seu melhor momento“, ou seja, a produção de uma espiral do silêncio, como relatei dias atrás. O fato comemorado é nada mais do que uma efeméride em prol do novo acordão, agora sem o Jucá. Só que começaram a surgir, pelo menos desde o carnaval, insistentes manifestações de rua contra o governo. O “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c…”, tinha em praticamente todos os blocos de carnaval aqui do Rio. A manifestação de 15 de maio surpreendeu a todos, opositores do governo ou não. Entre um e dois milhões de pessoas foram às ruas pela educação, mas também pelo Fora Bolsonaro. O dia 30 manteve a chama acesa e tudo indica que dia 14 de junho, sexta próxima, haverá uma grande adesão à greve geral. Sendo assim, a movimentação atual do The Intercept vai no sentido dessa manifestação “de baixo para cima”, fora das brigas entre os elementos elitistas que vimos de maneira mais clara no início do governo Bolsonaro. De fato é um governo que não conhecerá a paz, seja entre os seus ou entre seus opositores. Cortar a cabeça do Moro e desmobilizar a republiqueta curitibana é cortar pelo menos uma das mãos assassinas que perpetuam o atual estado de exceção. Para se restabelecer o estado democrático de direito não se precisava de tanto, isto é, da exposição das pregas do atual regime. Mas se isso é necessário para o jogo, que a festa macabra continue!

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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