4 de junho de 2026

Em mais um ato truculento, PM e Grella não aparecem em audiência pública do MPF

Jornal GGN – Secretário de governo de Alckmin e PM desconsideraram audiência pública chamada pelo Ministério Público Federal para discutir violência policial nos protestos sociais. Fernando Grella e Roberto Meira, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de SP e da Política Militar, simplesmente não apareceram.

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Sugestão de Alfeu

da Rede Brasil Atual

Governo Alckmin e PM paulista faltam a audiência sobre atuação em protestos

Em encontro para debater truculência em protestos sociais, entidades reivindicam revisão do papel da polícia, desmilitarização, investigação de abusos e fim da utilização de armas menos letais
por Rodrigo Gomes, da RBA
 
VICTOR MORIYAMA/FOLHAPRESS
repressão

A excessiva utilização de balas de borracha contra os protestos em 2013 foi causa de dezenas de pessoas feridas

São Paulo – O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e o comandante-geral da Polícia Militar (PM) paulista, Benedito Roberto Meira, não compareceram a audiência pública sobre a atuação da polícia em manifestações promovida na tarde de hoje (18) pelo Ministério Público Federal da 3ª Região (TRF-3), a pedido da organização não governamental Conectas Direitos Humanos. O evento reuniu  dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, juristas, ativistas, movimentos sociais e entidades da sociedade civil se reuniram na sede do TRF-3, na região central de capital paulista.

O procurador federal dos Direitos do Cidadão substituto, Jeferson Aparecido Dias, classificou a ausência de porta-vozes da gestão Alckmin de “lamentável”: “Passa a imagem de que não estão dispostos ao diálogo. Até porque não foi dada nenhuma justificativa para as ausências”, afirmou.

Dias disse não compreender a postura dos dois, já que o MPF é um órgão do Judiciário, sem implicações partidárias. “Se fosse uma atividade no Legislativo estadual, poderia até se justificar certos interesses (políticos). Mas o Ministério Público é uma instituição da República”, ponderou.

No debate, Grella foi representado por um assessor técnico da secretaria, Já Meira chegou a enviar um comunicado informando que não poderia participar. Depois enviou um outro, afirmando que estaria a caminho. Mas, meia hora depois, desmarcou novamente.

A proposta do evento era discutir a atuação da polícia em manifestações, iniciando um processo para elaborar um protocolo de atuação em protestos que regulamente o uso de armas menos letais, a proporcionalidade da força, as intervenções em casos de violência.

A Defensoria Pública paulista já apresentou um documento com sugestões para este protocolo, mas até hoje não obteve resposta da Secretaria da Segurança Pública (SSP). “Passamos dois anos acompanhando manifestações e chegamos à conclusão de que os abusos não eram casos isolados. Apresentamos o documento, mas só recebemos o silêncio como resposta”, afirmou o coordenador auxiliar do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria, Rafael Galati Sábio.

O órgão entrou na Justiça para assegurar a medida – que também solicitava a proibição do uso de armas de bala de borracha em protestos –, mas, após provisão liminar em primeira instância, a medida foi cassada no Tribunal de Justiça, na instância seguinte. “Esperávamos que essa parte não fosse suspensa, mas infelizmente os desembargadores derrubaram todo o pedido liminar”, lamentou Sábio.

O representante da SSP, Eduardo Dias, tentou minimizar a questão. “Nós respondemos inúmeros ofícios e em alguns casos avisamos entidades que a solicitação já estava respondida a outro órgão. Nós integramos as orientações em um documento para ordenar a atuação em protestos”, disse Dias. No entanto, a elaboração desse documento foi suspensa sem conclusão.

O fotógrafo Sérgio Andrade Silva, que perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial militar durante a repressão contra a manifestação de 13 de junho de 2013 – que reivindicava a redução do preço das passagens do transporte público na capital paulista – levou para o evento pouco mais de 45 mil assinaturas em um abaixo-assinado pela proibição do uso de armas de balas de borracha pela PM em São Paulo.

“Eu fui atingido enquanto trabalhava e até hoje não fui procurado pelo governo paulista para fins de reparação ou mesmo de apuração do caso. Espero que este seja o início de um processo para mudar a atuação da polícia e acabar com o uso dessa arma que arrancou meu olho”, afirmou Silva.

O fotógrafo entregou o documento para o representante da SSP, pedindo que seja tomada alguma providência pelo secretário Grella e que ele dê uma resposta sobre o caso. “Esse documento já foi entregue em fevereiro, mas nunca obtive resposta sobre o encaminhamento”, concluiu Silva.

Más condutas

Casos de abuso policial sem o resultado da investigação são comuns, conforme demonstrado nas dezenas de falas de movimentos sociais, ativistas e representantes de instituições, durante a audiência. Outra questão recorrente é a sonegação de informação e o desrespeito a normas básicas, como a identificação dos policiais durante a atuação em manifestações.

O advogado ativista Luiz Guilherme Ferreira criticou a atuação da secretaria ao encobrir os abusos da polícia. “A SSP recebeu pelo menos dez protocolos dos Advogados Ativistas (entidade que acompanha manifestações e defende ativistas em caso de prisão ou processo decorrentes dos protestos) questionando sobre falta de identificação policial e sobre o roteiro para identificar as pessoas que são presas, que questiona por exemplo sobre ligação com partidos, como foram informadas sobre a realização dos atos públicos etc. Nunca fomos respondidos”, afirmou.

Até mesmo o Ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, revelou se sentir impotente em relação à falta de resultado nas apurações realizadas sobre abusos praticados por policiais. “A bem da verdade, até agora, em todas as denúncias que nós recebemos e repassamos para a Corregedoria das polícias, nós não temos conclusões. Temos os inquéritos, mas não temos solução para os casos”, afirmou.

Em frente

A falta dos representantes do governador Geraldo Alckmin (PSDB) prejudicou o encaminhamento de propostas, mas não que fossem apresentadas. Para o diretor da Conectas Direitos Humanos, Marcos Fuchs, a polícia precisa de reformas urgentes, incluindo a desmilitarização e a unificação, além da determinação de protocolos de atuação.

“Precisamos colocar em pauta urgentemente a reforma das polícias. Mais que a desmilitarização é preciso mudar todo o modelo, para desenvolvermos uma polícia cidadã. O projeto do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) é muito bom. O texto prevê uma polícia mais humana, uma corregedoria mais efetiva, clareza de hierarquia”, explicou Fuchs. Porém, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51, de 2014, do senador petista pode ser arquivada pelo Congresso Nacional no fim deste ano sem ser votada.

O professor de direito da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Oscar Vilhena Vieira ressaltou que é preciso combater tentativas de impedir a livre manifestação, inclusive sob a alegação de perturbação da ordem. “O direito de manifestação impõe o dever de ser incomodado, porque isso está dado pela própria utilidade da manifestação. E o principal alvo de ser incomodado é o poder público. Não se pode fazer controle do discurso da manifestação e nem do transtorno causado. Se causar problemas para a cidade, isso será cobrado socialmente dos grupos, que perderão apoio a sua causa”, afirmou.

Fuchs complementa que a situação só muda em casos de uso da violência e depredação, que devem ser coibidas pelos agentes públicos, com garantia de proporcionalidade no uso da força e dentro dos parâmetros legais.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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6 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    19 de novembro de 2014 12:00 pm

    Faltou dizer o principal: as

    Faltou dizer o principal: as autoridades paulistas acreditam que São Paulo é um Estado soberano não sujeito ao poder da Federação e não um Estado membro que deve se curvar à competência e à legislação federal. Já passou da hora de quebrar este espírito secessionista que habita o Palácio dos Bandeirantes, que foi generosamente poupado de ser bombardeado por Getúlio Vargas (erro que, aliás, ele não deveria ter cometido).

  2. peregrino

    19 de novembro de 2014 12:15 pm

    exatamente como aconteceu com a água…

    não se apresentam nem discutem, simplesmente ausentam-se, e fica a impressão para o eleitor paulista de ausência absoluta de danos à sociedade

    ausente o causador, ausente a causa

    1. ljunior

      19 de novembro de 2014 12:32 pm

      Que impressão?!

      Esse sujeito foi eleito no 1o. turno! Com falta de água e tudo mais!!!

      O povo não tem água e você acha que o eleitor paulista vai se sensibilizar porque o cidadão perdeu o olho?

      Esquece! SP regrediu ao mesmo nível do Nordeste há alguns anos: Um grupo dominando o Estado há quase uma geração, seca e controle total da mídia!

      Maranhão, Bahia e outros Estados estão evoluindo, enquanto SP involui.

       

       

  3. leonidas

    19 de novembro de 2014 2:05 pm

    A Policia tem que agir contra

    A Policia tem que agir contra manisfestaçoes , esses movimentos só querem impunidade e anarquia generallizada para poderem incendiar a cidade de acordo com suas agendas.

    Disto isto esse senhor ( Grella ) nao foi aquele que se portou de modo absurdamente anti etico em um depoimento na assembleia?

    Se for isso ja explica muita coisa… rs

  4. altamiro

    19 de novembro de 2014 2:07 pm

    a ausencia deemonstra que o


    a ausencia deemonstra que o tucanato é

    ausente na questão os direitos humanos.

     prova que defende o uso da polícia na

    base da porrada, como se toda manifestação fosse caso de polícia.

    isso é entulho da ditadura.

    a ausencia comprova que governo tucano gosta de regime de exceção…..

  5. janes salete

    19 de novembro de 2014 4:56 pm

    Bom, em décadas, a única

    Bom, em décadas, a única coisa boa que está acontecendo em sp é o Haddad. Mas, paulista, parece que acostumou a não questionar nada que venha da máfia midiática e seus parceiros, psdb. Aliás, parecem que preferem ser masacrados, desrespeitados.

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