4 de junho de 2026

Notas sobre a crise no Peru, por Bruno Lima Rocha

A crise está longe de encerrar e parece que as Forças Armadas e a Polícia Nacional estão fechadas com o presidente golpista.
Foto Revista Semana

Notas sobre a crise no Peru

por Bruno Lima Rocha

Martín Vizcarra terminou como vice-presidente de PPK e como tal foi indicado para mandatário. O presidente não eleito foi levado ao Poder por um impeachment como vingança, no mesmo turbilhão que veio a prender Keiko Fujimori e colocou as atenções sobre seu marido gringo lavador de dinheiro.

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PPK era ministro da Fazenda de Ollanta Humala, general retirado que se fez presidente escondendo em parte seu passado de repressor das guerrilhas na década de 80 e 90. Um asco só assim como o papel da ex primeira dama que era estrela da TV, do pai de Humala e seu irmão etnocacerista.

Se dizia Alvaradista, e terminou em cana também pela Lava Jato peruana.
Não parou por aí, Alan Garcia se suicida, Alejandro Toledo, indígena de credo neoliberal também sob os olhos da Justiça.

Fazer o que? Governar com os poderes constituídos ou brigar com o Congresso corrupto anulando o Ministério Público e as Forças Armadas?

Vizcarra parece ter razão em seus pleitos, mas toda hora cai na tentação autoritária e autocrática. Tomou uma posição típica do fujimorismo justo para combater esse câncer da política do país de Victor Polay Polay, Néstor e Valcárcel. A crise está longe de encerrar e parece que as Forças Armadas e a Polícia Nacional estão fechadas com o presidente golpista. A sociedade odeia o Congresso e com razão. Com a mesma razão que não pode amar o autocrata.

Bruno Lima Rocha

Bruno Lima Rocha Beaklini é jornalista formado pela UFRJ, doutor e mestre em ciência política pela UFRGS, professor de relações internacionais. Editor do portal Estratégia & Análise (no ar desde setembro 2005), comentarista de portais nacionais e internacionais, produtor de canal estrangeiro e editor do Radiojornal dos Trabalhadores.

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3 Comentários
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  1. Danilo

    1 de outubro de 2019 8:13 pm

    Caro Bruno, há confusões em seu texto. É importante salientar que o modelo de Vizcarra é neoliberal, porém não é correto acusá-lo de golpista, ele fez, sim uma interpretação da Constituição que não é totalmente aceita por todos os juristas, mas sim pela maioria dos que se encontram no espectro democrático. Em todo caso, o parlamento tinha realizado uma série enorme de manobras ilegais para votar um dos juízes, inclusive forjando o voto de uma congressista de esquerda (sem o qual não se teria conseguido votar). As manobras golpistas eram todas do lado do Congresso, é muito importante dizê-lo.

    O seu artigo também dá a enteder que as mesmas forças que levaram ao impeatchment de PPK foram as que levaram Keiko Fujimori até a cadeia, o que é equívoco: Keiko provocou o Impeachment impedindo PPK de governar (e pretendia fazer o mesmo com Vizcarra, dirigendo o seu partido desde a cadeia). Por outro lado, o poder judicial avançou suas investigacoes contra ela, tendo indícios fortes de que ela estava sabotando as investigacoes, pelo qual foi presa (depois do Impeachment de PPK).

  2. Anônimo

    1 de outubro de 2019 8:52 pm

    Servindo de cobaia para America latina…
    Se a repercussão for fraca vai se alastrar…

  3. Marcos Videira

    2 de outubro de 2019 9:17 am

    “A sociedade odeia o Congresso e com razão.”
    E quem elegeu o odiado Congresso ? Foi alguma entidade mítica ou a própria sociedade ?
    É como no caso brasileiro. Votam em deputados que votam contra quem os elegeu…

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