4 de junho de 2026

Aquecimento global: se não houver ação imediata, será tarde demais

Giselle Garcia/Agência Brasil

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A síntese do 5º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), divulgado neste domingo (2), em Copenhague, na Dinamarca, mostra que se não houver ação imediata das nações para frear o aquecimento global, em pouco tempo, não haverá muito o que fazer. “Se as taxas de emissão de gases de efeito estufa continuarem aumentando, os meios de adaptação não serão suficientes”, aponta o documento.

“Temos uma janela de oportunidade, mas ela é muito curta. O relatório mostra isso. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo intacta”, enfatizou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, durante a apresentação da síntese. Ele ressaltou que ainda há meios para frear as mudanças climáticas e construir um futuro mais próspero e sustentável, mas que a comunidade internacional precisa levar a questão a sério.

O relatório, elaborado com a participação de mais de 800 cientistas de 80 países, mostra que a emissão de gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, tem aumentado desde a era pré-industrial, como consequência do crescimento econômico e da população. De 2000 a 2010, indica o documento, as emissões foram as mais altas da história. “A acumulação de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera alcançaram níveis sem precedentes nos últimos 800 anos”.

Entre 2000 e 2010, a produção de energia por meio da queima de combustíveis fósseis foi responsável por 47% da emissão globais de gases de efeito estufa. A indústria respondeu por 30%, o transporte por 11% e as construções por 3%.

Pachauri enfatizou, ao longo da apresentação, que emissões continuadas tem levado a um aquecimento global contínuo, ao derretimento das geleiras e ao consequente aumento do nível do mar. Nas últimas três décadas foram registrados sucessivos aquecimentos na superfície da Terra, sem precedentes desde 1850. O período entre 1983 e 2012 foi o mais quente dos últimos 800 anos no Hemisfério Norte, de acordo com a síntese. O aquecimento médio global combinado da Terra e dos oceanos no período de 1880 a 2012 foi 0,85 grau Celsius (°C).

O derretimento das geleiras, em especial na Groelândia e na Antártida, geraram o aumento do nível do mar em 19 centímetros de 1991 a 2010. O número é maior do que os registrados nos últimos dois milênios. O relatório alerta, também, para a acidificação dos oceanos em 26% por causa da apreensão de gás carbônico da atmosfera, o que pode ter impacto grave sobre os ecossistemas marítimos.

Ao fazer projeções para o futuro, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. “Se não frearmos as mudanças climáticas, elas ampliarão os riscos já existentes e criarão novos riscos. Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar e por períodos de seca e extremo calor. Eventos climáticos extremos podem levar a desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres. Há também risco de perda da biodiversidade dos ecossistemas”.

De acordo com a síntese, mesmo se houver um esforço das nações para limitar o aquecimento da Terra a 2°C, ainda assim, os efeitos continuarão a ser sentidos por um longo tempo. “Ondas de calor vão ocorrer com mais frequência e durar mais, e precipitações extremas se tornarão mais intensas e frequentes, em mais regiões. Os oceanos vão continuar a se aquecer e acidificar e o nível do mar continuará a subir”.

O relatório enfatiza que, para frear as mudanças climáticas e gerenciar os seus riscos, é preciso que as nações promovam ações combinadas de mitigação e adaptação. “Reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas podem diminuir os riscos das mudanças climáticas e melhorar a possibilidade de adaptação efetiva às condições existentes”. Os cientistas reconhecem, entretanto, que essas reduções demandarão mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e institucionais consideráveis.

Para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que participou da apresentação do relatório, é preciso agir imediatamente. “O tempo não está a nosso favor. Vamos trabalhar juntos para construir um mundo mais sustentável. Vamos preservar o nosso planeta Terra e promover desenvolvimento de maneira sustentável”, disse.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

18 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Mário Mendonça

    3 de novembro de 2014 10:57 am

    Nassif
    Os governos do mundo

    Nassif

    Os governos do mundo inteiro sabem dos problemas do aquecimento global a no minimo 50 anos e as reduções dos gases foram irrisórias. Entendo ser mais facil acharem outro planeta para explorarmos do que salvar o nosso.

  2. Roberto Locatelli

    3 de novembro de 2014 10:57 am

    E se…

    Repito a piada sobre os que não acreditam no aquecimento global:

    – Mas e se o aquecimento global não existir? Teremos criado um mundo melhor a troco de nada?

    1. Edsonmarcon

      3 de novembro de 2014 2:19 pm

      exato

      Isso me lembrou uma pergunta que já fiz aqui, para os que não acreditam no aquecimento global (como se não acreditar mudasse as coisas):

       Como seríamos prejudicados reduzindo a poluição?

      Resposta: não seríamos, ficaria melhor.

      Mesmo sem aquecimento global, isso seria muito bom.

      Então, porque não?

      1. Trilobita

        4 de novembro de 2014 12:48 pm

        Amigão o aquecimento e o

        Amigão o aquecimento e o refriamento global existe!!!

        O que não existe é o aquecimento global antrópico!!!

        Quem controla o aquecimento/resfriamento do planeta é basicamente o sol, que influencia nos mares, nos raios cósmicos que recebemos, nos pólos magnéticos da Terra, nas “marés” do manto e sísmica terrestre.

        Agora me diga… Com influencias destas dimensões você realmente acredita que o antropismo tem qualquer significância?

        Me desculpe, mas é a mesma coisa que homem acreditar que pode agir como Deus, ou melhor, que é próprio!

        Só falta agora vir com “provas” que aumentou a temperatura da Terra, o número de enchentes, tsunamis, furacões, terremotos, erupções vulcânicas… Aumentou seu conhecimento LEIGO sobre isto, já que hoje temos a tecnologia de informação que propaga estas “desgraças” de maneira fulminante.

        Mas acredite amigo, já foi muito, muito “pior” e nem por isto os humanos ou a vida desapareceu. Na verdade, as duas grandes devastações de vida na Terra ocorrerão bem antes do homem sonhar em existir. No final do Permiano (há 251 milhões de anos) houve o maior e quase fulminou toda a vida, onde 70% da vida terrestre e 95% da vida marinha foram extintos. Antes deste, que foi o maior já registrado, existiram o do Ordoviciano (2º maior da história) e do Devoniano (3º maior). O mais famoso, menor, mas não menos catastrófico ocorreu há 66.043.000 de anos atrás (com margem de erro de 43.000 anos, melhor que o Ibope hein) onde foi ceifada a vida dos dinossauros.

        Tudo isto está registrado nas rochas, assim como concentrações de CO2, metano etc. E a Terra, até recentemente, 1000 anos atrás foi muito mais quente que hoje, plantava-se uvas em Londres.

         

        Acima os registros de temperaturas do últimos 400 mil anos. Notem que a cada 100 mil anos existe um período de 10 mil anos de aquecimento e que estamos no mais longo destes aí registrados, mas que a queda é “rápida” geologicamente falando. Já estamos descendo.

         

  3. marcelo

    3 de novembro de 2014 12:18 pm

    O que não tem remédio,

    O que não tem remédio, remediado está… Mesmo sendo verdade o aquecimento global antropogênico, o que nos sugerem os cientistas? Cortar 50% (sim, 50%) das emissões de carbono. E mesmo assim não garantem que possamos reverter a questão… Claro que não garantem, pois até eles mesmo sabem que as mudanças climáticas causadas pelo homem é pura empulhação. Entonces que enfrentemos as tais mudanças climáticas. Já enfrentamos mudanças climáticas muito mais drásticas e à época só tinhamos o conhecimento do fogo… Hoje em dia estamos bem mais preparados. 

    1. Edsonmarcon

      3 de novembro de 2014 1:00 pm

      é?

      Já enfrentamos mudanças climáticas muito mais drásticas e à época só tinhamos o conhecimento do fogo… Hoje em dia estamos bem mais preparados.

      Quantas mortes, principalmente nos países pobres, seriam aceitáveis para vc nesse processo de “adaptação”?

      Aliás, vc tem certeza que vai sobreviver ao processo?

       

       

      1. marcelo

        3 de novembro de 2014 1:30 pm

        E qual o remédio? podemos

        E qual o remédio? podemos mudar isto? Até os cientistas dizem que não… É relaxa e goza…  E certeza tenho que vou morrer. É a única certeza que todo ser vivo pode ter.

        1. Edsonmarcon

          3 de novembro de 2014 2:15 pm

          típico

          É relaxa e goza…

          Típica maneira de pensar egoísta e antissocial de certos “correntes filosóficas”.

          Se resume a “vou curtir o quanto der e se fodam os outros”.

          Mesmo que esses “outros” sejam pessoas próximas e mesmo descendentes.

          1. Trilobita

            4 de novembro de 2014 11:27 am

            Amigos esta “briga” é

            Amigos esta “briga” é inócua!

            Aquecimento Global Antrópico não existe!!!

            Reclamam tanto da Globo e caem numa piada mal contada destas… Por favor!

          2. Edsonmarcon

            4 de novembro de 2014 1:38 pm

            tudo bem

            Enfie a cabeça num buraco no chão e fique lá.

    2. Roland Emerick Dutra

      3 de novembro de 2014 1:26 pm

      O que não tem remédio….

      “Hoje em dia estamos bem mais preparados”

      É incrível a incapacidade do ser humano de enxergar a realidade. 

      Preparados como? Como é que os “bem preparados”  de São Paulo estão enfrentando a seca? Como é que os “bem preparados”  do sul estão enfrentando as enchentes? Como é que os “bem preparados” estão enfrentado a extinção de milhares de animais em todas das partes do planeta? Quem são os “bem preparados”? 

      Se tiver que cortar 50%, 60%,  então o caminho é esse mesmo. E isso passa pela mudança drástica de nossos valores e de nosso estilo de vida consumista. 

      O pior cego é aquele que não quer ver. 

       

  4. Trilobita

    3 de novembro de 2014 1:07 pm

    100.000 anos!

    Aquecimento global???

    Estamos entrando (já entramos) na glaciação… Estes imbecis veem o clima em décadas, séculos e não analisam nossa Terra!

    Já se passaram os 15.000 anos (média) de planeta quente… Agora meus amigos, o frio imperará! Obviamente que temos 30.000 anos para sentirmos os plenos efeitos disto.

    Amém!

  5. altamiro souza

    3 de novembro de 2014 2:31 pm

    o problema até pode

    o problema até pode existir.

    mas é inescapável lembrar da fala do filósofo paulo asranrtes.

    parafraseando-o, a direita pegou  esses temas que eram de esquerda

    e passou a trasnformar isso num verdadeiro apocalipse.

    assustador.

    mas essa direita é que impede a resolução dos problemas climáticos, vide ação dos eua.

  6. Almeida

    3 de novembro de 2014 2:42 pm

    Onde há fumaça, há fogo.

    Para reduzir a primeira, tem que reduzir o segundo. O problema está no fogo, ninguém quer reduzi-lo. Cerca de noventa por cento da energia primária usada nas atividades produtivas derivam do fogo. Reduzir o fogo implica em reduzir a energia e diminuir esta acarreta na redução produtiva, ou seja, da riqueza obtida, da produção de bens e serviços.

    No começo do 1980, um documento do governo americano apontava que o mundo enfrentaria dois graves problemas, a questão do clima e o apogeu e ocaso das fontes de combustíveis fósseis. Optaram por divulgar o primeiro, que de modo indireto se refere ao segundo. A divulgação do segundo seria demasiado incômoda, até hoje existe um esforço para negar o debate dessa questão, pois demonstra a vulnerabilidade do modelo industrial imperante, de que esta civilização não possui futuro e se apagará com a chama dos combustíveis fósseis.

    A divulgação de que a riqueza do mundo tem um limite, de que o bolo não pode crescer eternamente para ser distribuída suas migalhas, de que a riqueza já está criada e o que cabe é reparti-la, não é do interesse das classes dominantes. Então é necessário a cortina de fumaça, esconder a fragilidade do sistema dominante. Importa à sociedade de consumo produtora de mercadorias a ilusão de que é eterna, de que não há alternativa (there is no alternative – TINA), de que podemos prosseguir com o desperdício para o azar das gerações futuras. Para o capitalismo funciona o aqui e agora, a aplicação do lema de Luis XV: depois de mim, o dilúvio (après moi, le déluge).

    Antes do aquecimento fazer estragos mais significativos, veremos a tragédia da redução da capacidade produtiva, num mundo habitado por quase uma dezena de bilhões de criaturas humanas, dependentes dos combustíveis fósseis para sua segurança alimentar.

    Leia também:

    “Comemos petróleo, embora não pareça”  e

    Geopolítica do petróleo e gás natural

     

  7. Alan Carvalho

    3 de novembro de 2014 4:51 pm

    Oceanos e vulcões

    O que o homem pode fazer para evitar que os oceanos deixem de emitir gases do efeito estufa? O que o homem pode fazer para evitar que os vulcões emitam gases e partículas que causam o efeito estufa? 

    Quando o homem puder resolver essas duas questões, aí sim o problema das mudanças climáticas será responsabilidade da humanidade, enquanto isso não acontece o “aquecimento global” é apenas uma questão econômica onde alguns espertinhos ganham muita grana.

    1. Edsonmarcon

      3 de novembro de 2014 7:14 pm

      “É a economia, estúpido!”

      É a economia sim.

      Os que ganham com a poluição e queima de petróleo não querem parar de ganhar dinheiro.

      Eles MATARAM por causa do petróleo, acha que vão dessistir fácil?

      1. Alan Carvalho

        3 de novembro de 2014 7:56 pm

        Para ilustrar.

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=tpvpiBiuki4%5D

    2. Trilobita

      3 de novembro de 2014 7:21 pm

      Isto aí Alan, basta levar a

      Isto aí Alan, basta levar a vida… a Terra é um organismo vivo, muito mais sábia que nós! Quando estes idiotas pensarem que podem controlá-la, ela dá um peido e acaba com eles…

      Sobre a questão econômica, Al Gore que o diga! A propósito, sua mansão à beira-mar é ambientalmente INCORRETA, porque ele está se lixando para os idiotas que o defendem e o enriquecem!

      “O aquecimento global é, além do mais, uma fraude perpetrada por cientistas com interesses dissimulados, mas que têm necessidade urgente de fazerem cursos de geologia, lógica e filosofia da ciência.” Martin Keeley.

Recomendados para você

Recomendados