4 de junho de 2026

Se quiserem copiar os Estados Unidos, que copiem a reação ao Dust Bowl

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Se quiserem copiar os Estados Unidos, que copiem a reação ao Dust Bowl

Por rdmaestri

A data de 29 de outubro de 1929 é conhecida por todos os economistas e comentaristas econômicos, a luta do presidente Franklin Delano Roosevelt contra esta crise é destacada mais por sua política Keynesiana do que por outros atos bem mais relevantes que esse presidente tomou, e escolas de economia até desprezam esta ação dizendo que o mercado regularia melhor do que as ações governamentais.

Porém o que talvez tenha dado a relevância histórica de Roosevelt que poucos conhecem foi à ação deste presidente contra o “DUST BOWL” e pelo visto chegamos em São Paulo ao “Brazilian Dust Bowl”.

 

TEMPESTADE DE AREIA NO TEXAS (Wikipedia)

Para quem não conhece o que foi o Dust Bowl vamos a uma pequena história sobre o assunto. Durante a década de 30, mais precisamente nos períodos de 1934, 1936 e 1939-40 a seca atingiu 400.000km² dos Estados Unidos desde nos estados do Texas, Oklahoma, Novo México, Colorado, Kansas e outros. Esta seca atingiu a população pobre destes estados criando uma migração interna do “Okies” para outras regiões que foi descrito num dos mais belos livros da literatura norte-americana, As Vinhas de Ira (The Grapes of Wrath 1939) de John Steinbeck. Neste evento 3,5 milhões de pessoas saíram das Planícies em direção da Califórnia.

Durante este período de seca, enormes tempestades de areia cobriram campos, casas e pequenos vilarejos, transformando as terras em imprestáveis para a agricultura por longo tempo.

EFEITO DO DURST BOWL EM EM DALLAS (DAKOTA DO SUL 1936 – Wikipedia)

Qual a semelhança do “Durst Bowl” com a situação atual de São Paulo? Enorme! Estas regiões que eram altamente produtivas com invernos relativamente moderados em anos anteriores, permitiram um aproveitamento intensivo das áreas para a agricultura. A seca pegou imensas áreas de terra descobertas sem a proteção das gramíneas nativas que lá existiam, ou seja com uma agricultura feita ao sabor do conhecimento e da determinação dos proprietários, como os bons manuais de economia liberal definem.

Estudos paleoclimáticos posteriores revelaram que aqueles períodos de seca não foram os piores naquela região, havendo inclusive períodos bem mais rigorosos. Porém a agricultura desorganizada e sem cuidado contra processos de erosão eólica tornaram regiões férteis numa espécie de deserto de areia.

Com este desastre ambiental, que na época havia poucos estudos teóricos que o caracterizassem corretamente, forçou o Governo Roosevelt a tomar medidas extremas e corretas. Roosevelt que assumiu o seu primeiro mandato em 1933 (foi reeleito mais três vezes e não teve um quinto mandato porque morreu antes de completar o quarto) iniciou já nos primeiros 100 dias um programa de conservação de solo, legislações que ultrapassavam em muito o liberalismo norte-americano foram criadas, como o “Soil Conservation and Domestic Allotment Act” em 1936. Esta lei que normatizava o uso da terra e criava incentivos para um uso sustentável (plantação de gramíneas nativas e outras providências), chegou ao ponto de obrigar os proprietários das terras a compartilhar seus benefícios recebidos do governo com empregados e meeiros.

Além desta lei foi criado o “Excedente Federal Relief Corporação” (FSRC) que comprava os excedentes de produção e DISTRIBUÍA CARNE ENLATADA aos famintos.

Dezenas de intervenções na economia norte-americana foram feitas para diminuir o problema da seca, até 200 milhões de árvores foram plantadas pelo Civilian Conservation Corps. Ações educativas, serviços de atividade de socorro a seca como também fortalecimento do United States Geological Survey (USGS) foram implementadas.

Em resumo, toda a tradição LIBERAL norte-americana foi colocada no esgoto por algum tempo e o Estado agiu com força e determinação.

Aqui no Brasil, mais especificamente em São Paulo, não se deram conta que políticas liberais simplesmente agravam crises ambientais no lugar de resolvê-las. A atitude do governador de São Paulo, mais preocupado com a sobrevivência de seu governo e Partido, trata de forma despreocupada e leviana o que pode ocorrer em São Paulo.

O governo Federal também parece que não caiu a ficha sobre o que pode ocorrer em termos nacionais. E este poderia também se ocupar do ponto de vista nacional do gerenciamento desta crise que atinge também outros estados.

Porém a pequenez da política brasileira, principalmente da oposição do governo federal, procura da forma mais imbecil possível ignorar o que está ocorrendo. O governador Alckimin com total e completa falta de visão estratégica e de estadista, simplesmente sugere mais uma tomada de água no Paraíba do Sul, como um médico que trata um câncer de pele através da colocação de um “band-aid”.

Grandes e ousadas ações devem ser tomadas em São Paulo especificamente, e nas regiões contíguas, talvez a própria e novíssima lei Florestal deva entrar em pauta novamente, agora iluminada pelo pânico!

Novas obras de engenharia, novas normas de uso do solo ou seja, leis e normas criadas pela necessidade eminente devem ser criadas não mais num debate estúpido e infértil de quão incompetente A ou B são ou foram, pois se confirmadas as previsões futuras podemos estar num “Brazilian Dust Bowl” e no momento precisamos de ESTADISTAS E NÃO POLÍTICOS DE BOTEQUIM

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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22 Comentários
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  1. Nicolas Crabbé

    1 de novembro de 2014 3:48 pm

    Para isso acontecer

    Para isso acontecer precisa-se de visão, altivez e planejamento, mercadorias escassas nessas plagas.

    1. Jaide

      1 de novembro de 2014 5:20 pm

      Ultimamente, nessa e em

      Ultimamente, nessa e em outras plagas deste planeta. Escassez global.

  2. Alex Sotto

    1 de novembro de 2014 3:51 pm

    Sabe tudo. Mas votar no

    Sabe tudo. Mas votar no Eduardo Jorge que é bom, nada.

    Preferem a disputa entre os dois candidatos do agro-negócio.

    1. Jorge Luis

      1 de novembro de 2014 6:18 pm

      Quem? Aquele que dois

      Quem? Aquele que dois segundos depois do primeiro turno declarou apoio a um desses candidatos do agro-negócio (brasileiro e colombiano)?

    2. rdmaestri

      1 de novembro de 2014 6:54 pm

      Alex, me desculpe, mas o

      Alex, me desculpe, mas o atual partido verde brasileiro é um partido privativista e JAMAIS teria uma solução para esta crise.

  3. Salvador Passos

    1 de novembro de 2014 4:01 pm

    Uma curiosidade, estamos

    Uma curiosidade, estamos falando de refugiados ambientais. Woody Guthrie tambem conhecido como The Dust Bowl Troubadour, cantor folk americano ligado a movimento trabalhista americano, foi um destes refugiados. Uma de suas músicas (This Land is my Land) tambem cantada por Bob Dylan, foi cantada na posse de Obama nos EUA por Bruce Springsteen e Pete Seeger.

    http://www.youtube.com/watch?v=HE4H0k8TDgw

    http://www.youtube.com/watch?v=wxiMrvDbq3s

    Pete Seger topou cantar na posse de Obama, mas apenas se a versão completa da musica fosse apresentada.

    Há varias versoes desta musica, em uma delas, Guthrie cantava “There was a big high wall that tried to stop me, the sign was painted said said private property, but on the back side it didin’t say nothing”. uma referencia a invasao de uma propriedade particular pelos necessitados. 

     

    Ele serviu de inspiraçao para Bob Dylan e Pete Seeger e Bruce Springsteen

     

    http://www.youtube.com/watch?v=N_ehYkr0NhU

    http://www.democracynow.org/2012/7/4/woody_guthrie_at_100_pete_seeger

  4. Maria Luisa

    1 de novembro de 2014 4:09 pm

    A gestão Alckmin

    Ouvi falar que em SP tem um projeto para fazer chover: o Alckmin ja chamou pajés da região e farão todos, Alckmin, pressoal da Sabesp e equipe de governo, uma grande dança da chuva. Depois do gasto com os aviões da chuva, do aplicativo para saber quando vem a chuva, quem sabe agora vai ?

  5. Sta. Catarina

    1 de novembro de 2014 5:35 pm

    Coxinhas

    Bem, os coxinhas de plantão lendo isso dirão que estáva tudo errado e que Franklin D. Roosvelt era um comunista que queria implantar um ditadura boliviariana nos Estados Unidos….

    Caminhamos para o caos…

    1. Bobby

      1 de novembro de 2014 5:51 pm

      Eles não sabem nada…

      Para os coxinhas, Abraham Lincoln e os dois Roosevelts eram comunistas…

      Bom, não dá pra exigir muito deles. Os americanos que eles conhecem são os caras vestidos de Mickey e Pateta e o vendedor da Apple Store…

  6. bill

    1 de novembro de 2014 6:00 pm

    Mudança de modelo

    Há estudos e mais estudos para utilização de novos manancias para a RMSP. A Sabesp não os implanta pelo mesmo motivo dos neoliberais reclamarem da petrobrás investir no pré-sal: reduz os dividendos no curto prazo, pois é necessário investir alto, e em projetos de longa maturação.

    A Sabesp sendo uma empresa cotada em bolsa, nunca que poderia ser a responsável pela produção de água de abastecimento numa região sensível como a RMSP. Ela deveria ser, no máximo, apenas a distribuidora. Agua é um bem comum do povo, antes de ser um recurso economico.

    A produção de água da RMSP deveria ser estatizada, ou concedida a uma empresa distinta da Sabesp. O “negócio” de distribuir água é distinto do “negócio”de  produzir água. São objetivos conflitantes. A Sabesp priorizou a distribuição (de lucros), e esqueceu a produção. Além disso, como essa produção de água tem custo muito baixo para ela, também não atuou na redução de suas perdas. Deu no que deu.

     

    1. rdmaestri

      1 de novembro de 2014 6:52 pm

      Bill.
      A incompatibilidade de

      Bill.

      A incompatibilidade de saneamento ambiental com a lógica de uma empresa privada é evidente não só na RMSP, Berlin e Paris retomaram seus serviços de água e esgoto depois menos de duas décadas de serviço privado, e são cidades que não pobres e muito menos com crescimento acelerado no último século.

  7. Motta Araujo

    1 de novembro de 2014 6:08 pm

    Trotsky já dizia que nos EUA

    Trotsky já dizia que nos EUA era só miseria e devastação, realmente o pais do Norte só tem tragedia, fome e doença, é uma desgraça e merece piedade de todos, porisso o consulado cubano tem fila na porta, todos querem morar em Cuba.

    1. Ugo

      1 de novembro de 2014 6:58 pm

      meio infeliz

      FHC e MA por certos comentários: partilham i mesmo cocho?

    2. rdmaestri

      1 de novembro de 2014 7:08 pm

      Motta, porque não procuras

      Motta, porque não procuras colocar algo mais inteligente do que isto!

      Tem alguma inverdade no texto?

      O texto não corresponde a história?

      Por estas e outras que a tua credibilidade está sempre lá embaixo.

    3. Jaide

      1 de novembro de 2014 7:11 pm

      Não há razão para o seu

      Não há razão para o seu comentário neste post. Pelo que entendi, o autor relata um problema ambiental gravíssimo ocorrido nos EUA nos anos 30, conduzido pelo então presidente daquele país com extrema competência.  E faz uma associação com a gravíssima crise hídrica de SP, sugerindo aos responsáveis no Brasil copiar a postura.

       Quem se referiu ao “states”  como só miséria e devastação, além do Trotsky?

       E onde entra Cuba nessa história?

      1. rdmaestri

        1 de novembro de 2014 10:52 pm

        Viu Motta, é só pensar que

        Viu Motta, é só pensar que entendes o texto. O objetivo é exatamente este, é alertar os paulistas e brasileiros em geral, que grandes crises como estas tem que ser combatidas com medidas fortes, e não com interesses eleitoreiros.

        Vejo que aqui neste ambiente a maioria do pessoal além de tocar uma flauta pela inconsequência do eleitorado e a mídia paulista, já estavam preocupados com algo que atinge não o eleitor paulista, mas o estado de São Paulo como um todo e país.

        Fico extremamente preocupado, por exemplo, com a forte classe empresarial paulista, que está se comportando como um eleitor desinformado tomando toda esta preocupação como um problema partidário.

        Até hoje não vi nenhuma manifestação séria da FIESP ou de outras classes patronais, o irracionalismo do que se chamaria “elite” paulista tem sido algo olímpico. Já perderam tempo devido as eleições e vão perder mais tempo ainda! Não adianta procurar no governo federal a culpa do problema, pois lá não está. Ninguém assumiu a inércia do governo paulista que pode estar transformando a RMSP numa grande bomba relógio, que de acordo com a instabilidade do clima pode ou não explodir.

        Somente alguns membros da academia estão encarando de forma séria o problema, mas pela massa crítica de pesquisadores e professores de São Paulo estes poucos que estão se manifestando são as HONROSAS EXCEÇÕES.

        No jornal Zero Hora aqui do Rio Grande do Sul, na edição dominical há quatro páginas dedicada a crise hídrica em São Paulo, e este jornal está quilômetros de distância do PT, mas as reportagens colocam com exatidão o que está ocorrendo, sem procurar trazer para debate político partidário.

        Deveria haver uma mobilização intensa em torno do problema, pois o estado de São Paulo não pode esperar que a SABESP, que SABE EXATAMENTE QUE A SITUAÇÃO É CRÍTICA faça alguma coisa, ou também não pode esperar nada do governador de Alckimin que está fazendo realmente uma APOSTA com a crise, pois ele sabe que há uma probabilidade de haver chuvas intensas no verão, que resolveriam o ano de 2015 e salvariam a sua carreira política.

        Eu diria que Alckmin está como um verdadeiro jogador de pocker, colocando todas suas fichas numa incerteza, ou seja, se chover muito ele ganha e continua na sua vida política, agora se ele perder, perde o povo de São Paulo, a economia de São Paulo e o Brasil.

        Não é mais hora de provocações bestas e infantis, cresça um pouco Senhor Motta.

    4. Celio Mendes

      1 de novembro de 2014 11:04 pm

      Esse é o monumento do Nassif

      Esse é o monumento do Nassif em toda a sua gloriosa monumência nos brindando com essa incrível monumentice, quer dizer que agora a culpa pelo Dust Bowl e pela seca em SP é de Trostky e dos malditos cubanos? O assunto é a imprevidência dos governos frente as crises ambientais e o Monumento Intelectual do Blog faz um exercício de contorcionismo retórico para louvar as glórias do american way of life, simplesmente patético.

  8. Marcos Antônio

    1 de novembro de 2014 6:40 pm

    Nã visão de “São Geraldo”,

    Na visão de “São Geraldo”, Deus é Brasileiro e São Pedro é PETISTA…

    A culpa ainda é a da chuva…

  9. CELSO ORRICO

    1 de novembro de 2014 7:04 pm

    água com direito e não um bem

    quando decidiram que a água é um bem a ser explorado ” nusfu” todos seja aqui em miami ou na China..somos o maior exportador de água barata do Planeta e através dos produtos exportadoss na Agricutlutra, Pecuária, Mineração, Celutose ( um pe´de eucalipto consome 30 litros de água por dia,vastas regiões viraram verdadeiros paliteiros com essa monocultura) etc etc etc..um bem valioso e cada dia mais disputado e não recebemos nada porisso..acorrda Brasil..

  10. joao

    1 de novembro de 2014 7:44 pm

    o distinto

    Muito distinto uma intervenção federal! Não.

    Quem elegeu o governador?

    Eles os eleitores que tirem.

    – “Porém a pequenez da política brasileira, principalmente da oposição do governo federal, procura da forma mais imbecil possível ignorar o que está ocorrendo.”

    Outro ponto que neste caso Dust Bowl tem a relação da crise de 29. Levou muitos anos para se recuperar. Sempre que ver, ler e pensar no Dust Bowl tente imaginar estes estados Oklahoma, Texas, e Arkansas e uma tempestade de areia enorme de aproximadamente 3 km de altura percorreu aproximadamente 3000 km ate atingir ao oceano Atlântico, nas cidades de New York e Washington- Capitólio onde o congresso debatia a lei de proteção ao solo.  

  11. Maria Carvalho

    2 de novembro de 2014 1:14 am

    Sobre o assunto da crise hídrica,

    em alguns estados, me questiono: se não está ligada, diretamente, ao “roubo/desvio” de água para as grandes indústrias do agronegócio.

    1. rdmaestri

      2 de novembro de 2014 3:45 am

      Maria Carvalho.
      Tens razão

      Maria Carvalho.

      Tens razão num ponto, a agricultura é uma grande consumidora de água, agora quanto a haver retirada em excesso isto pode ter ocorrido, pois um sistema de irrigação geralmente consome muito num período curto e quando o clima está seco e quente esta água evapora ou infiltra.

      Há comitês de bacia que regulam este consumo, mas nunca se sabe.

       

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