5 de junho de 2026

Cospaia: provas técnicas de anarquismo, República da Cospaia

Enviado por Adir Tavares
 
 
Um artigo de História seria uma grande seca, não é?

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Por isso, vamos escrever algo acerca dum possível futuro. Neste caso, o futuro passa-se na Italia, no ano 1441.

Ok, dito assim parece uma coisa do passado, mas tenha paciência o Leitor: mais à frente tudo ficará mais claro, prometido.

 
Em Fevereiro de 1441, o papa Eugénio IV, concedeu ao território da República de Firenze a aldeia de Sansepolcro. A fronteira entre Sansepolcro e o território papal foi estabelecida ao longo dum pequeno rio cujo nome era simplesmente Rio (“rio” em italiano significa “pequeno rio”). Os delegados da República de Firenze interpretaram o nome “Rio” com o significado de “pequeno rio”, que individuaram num pequeno curso de água que ficava a 500 metros de distância do primeiro, em direcção Norte. Isso criou uma espécie de terra de ninguém no meio do qual ficava a aldeia de Cospaia.
 
Os habitantes de Cospaia viram-se assim livres do poder papal e daquele de Firenze e logo declararam a independência. Esta foi reconhecida alguns anos mais tarde e, por inacreditável que possa parecer, continuou ao longo dos sucessivos 400 anos.
 
O que torna especial a República de Cospaia?
Em primeiro lugar as dimensões: Cospaia era pequena mesmo, 330 hectares (mais ou menos: a área de 350 campos de futebol).
 
Depois os habitantes: pouco mais do que 250 almas, quase todas analfabetas. Também a bandeira não era grande coisa: um rectângulo, divido diagonalmente em duas cores, preto e branco.
 
Mas há algo bem mais interessante. A única lei da República era, e sempre foi, apenas uma:perpetua et firma libertas, que podemos traduzir com “Liberdade permanente e duradoura”, escrita na porta de acesso da Igreja da Annunziata (que ainda existe).
 
Em Cospaia não existiam guardas, exércitos ou prisões. A liberdade das pessoas e das mercadorias era total e tal manteve-se ao longo dos quatro séculos, sem alterações. Nada de taxas ou impostos. Doutro lado, não era utilizada moeda alguma (a não ser o dinheiro estrangeiro), sendo o barato a prática mais comum.
 
As decisões eram tomadas pelo Conselho dos Anciãos e dos Chefes de famílias, que reunia-se na sede da Congregação (até 1613) e na já citada Igreja (até 1826):  as reuniões do Conselho participava também o padre da paróquia de San Lorenzo, na qualidade de “presidente” (talvez por ser a única pessoa não analfabeta), cargo partilhado com um membro da família Valenti (a mais importante da aldeia).
 
Podemos pensar numa aldeia primitiva e pobre: qual realidade poderia ter uma aldeia anárquica (do grego ἀν-ἀρχή, “ausência dum governador”)?
Na verdade as coisas não eram tão más.
Aliás: Cospaia começou a prosperar.
 
Em primeiro lugar, Cospaia manteve boas relações com as cidades vizinhas: San Giustino eSansepolcro, o que permitiu a utilização dos serviços de moagem dos cereais e a assistência médica. A economia das famílias (na prática, todas ligadas às actividades agrícolas) melhorou, pois tudo o que era produzido ficava disponível pela alimentação ou o barato (como dito: nada de taxas/impostos).
 
Mas a grande mudança aconteceu cerca de um século depois.
 
No ano de 1574, o cardeal Niccolò Tornabuoni,Núncio Apostólico em Paris, enviou ao seu neto, o abade Alfonso bispo de Sansepolcro, as sementes de uma planta medicinal recentemente entrada em uso na França: o tabaco. Em breve, o cultivo do tabaco tornou-se a actividade principal da minúscula República, onde até foi construída uma pequena barragem para facilitar o processo de irrigação.
 
O tabaco fez a fortuna dos habitantes, que podiam cultivar o produto e oferece-lo no mercado com preços muitos favoráveis (sempre por via da falta de taxas e impostos).
 
A independência acabou em 1826, após a tempestade napoleónica: o projecto da nova Europa não previa a República de Cospaia que assim voltou a ser ocupada pelas forças do Papa.  
 
O que sobra é a experiência duma comunidade que, segundo as ideias da nossa sociedade, nem poderia ter existido: nada de leis, nada de Democracia, nada de dinheiro, nada de taxas ou impostos. Só Liberdade.
E durou 400 anos.
 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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6 Comentários
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  1. aliancaliberal

    23 de outubro de 2014 2:59 pm

    Adir e como o PT vai cobrar

    Adir e como o PT vai cobrar 3% senão tem como vender facilidades.

    1. Fernando Lopes

      23 de outubro de 2014 4:10 pm

      Quem falou de PT??

      Poxa cara … Isso é ideia fixa? O cara escreve um texto para você refletir e antes de pensar você já sai com uma frase feita estilo “coxinha”?

      Depois você fica reclamando que os outros chamam seu raciocínio de restrito…

      1. aliancaliberal

        23 de outubro de 2014 5:27 pm

         “raciocínio de restrito”

         “raciocínio de restrito” quem disse que ele não é.

        A coisa e bem simples mesmo, de um lado esta quem quer transformar este país em um pais socialista, ou seja um país onde o estado mande em tudo e todos, para que eles sejam a elite da burocracia e ganhe milhões sem trabalhar, de outro que defende a liberdade.

        PAra mim vocês são tudo nazistas, simples assim.

        um petista e um nazista são farinha do mesmo saco.

        1. ANTONIO CARLOS DE MORAES

          23 de outubro de 2014 5:54 pm

          Meu Deus, quanta falta de

          Meu Deus, quanta falta de leitura!

          1. aliancaliberal

            23 de outubro de 2014 8:01 pm

            Pelo contrário.

            Pelo contrário.

    2. sergio ribeiro

      23 de outubro de 2014 5:20 pm

      Durou bastante tempo porque

      Durou bastante tempo porque não produziam coxinhas.

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