10 de junho de 2026

O que o navio Esperanza, do Greenpeace, está fazendo?

O nosso maior navio participa da campanha internacional “Proteja os Oceanos”, que expõe as ameaças aos mares e pressiona pela criação de santuários marinhos
O Esperanza em águas da Guiana Francesa, durante a expedição científica para documentar o recife dos Corais da Amazônia, este ano © Pierre Baelen / Greenpeace

do Greenpeace 

O que o navio Esperanza, do Greenpeace, está fazendo?

Engajado na proteção dos mares, o navio Esperanza, um navio-bombeiro adaptado com equipamentos científicos, participa de uma expedição de um ano que saiu do Ártico e vai até a Antártida para expor diversas ameaças aos oceanos, que vão da exploração de petróleo, da sobrepesca aos perigos do plástico.

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expedição começou em abril, no Oceano Ártico, onde mostramos como as mudanças climáticas vêm derretendo o Polo Norte e aumentando a quantidade de água onde antes era gelo e iceberg. Quanto mais gelo derrete, mais a indústria da pesca predatória e do petróleo se beneficiam. Enquanto isso, animais como os ursos polares perdem seu habitat e minguam de fome.

Depois, a expedição passou pela Cidade Perdida, uma complexa rede de fontes hidrotermais que forma um ecossistema incrível a 800 metros de profundidade. Porém, o local está ameaçado por mineradoras que querem explorar minérios lá embaixo, colocando em risco esse local sensível, antes mesmo que tenhamos mais conhecimento sobre ele.

Na sequência, em agosto, o navio passou pelo Mar dos Sargaços, onde as tartarugas-marinhas bebês se abrigam, mas estão ameaçadas pelo plástico.

A pesquisa nos Corais da Amazônia

Entre agosto e setembro, foi a vez da Guiana Francesa, onde mostramos o que de fato está em risco com a exploração de petróleo na região: um sistema recifal único no mundo, conhecido como Corais da Amazônia, que foi revelado ao mundo apenas em 2016. Um derramamento de óleo ali pode ser catastrófico, matando a vida marinha, como baleias e tartarugas em nome do lucro e de uma atividade que vai agravar as mudanças climáticas.

Lá, o navio realizou uma expedição de documentação e pesquisa, e pela primeira vez mergulhadores humanos puderam registrar imagens incríveis desse recife. Nesta oportunidade, também convidamos a atriz Giovanna Lancellotti, nossa embaixadora dos Oceanos, e acompanhar esse trabalho conosco e engajar mais pessoas nesta luta contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha.

Essa foi a terceira vez que o Greenpeace esteve nos Corais da Amazônia. Com a mobilização de mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo em defesa da biodiversidade da região, conseguimos barrar que a petroleira francesa Total perfurasse e explorasse o local.

Agora o navio está no Uruguai, indo em direção ao Sudoeste do Atlântico, onde ocorrem casos gravíssimos de pesca predatória, ilegal e sem regulação. Mais tarde o navio ainda segue para Antártida, que está esquentando até três vezes mais do que outras regiões do planeta. Isso causa o derretimento de geleiras e, consequentemente, do aumento do nível do mar. O pinguim-imperador, por exemplo, depende das geleiras para ter seus filhotes. E, o krill, um minúsculo camarão que é base da cadeia alimentar das baleias, também dependem das geleiras para pôr seus ovos.

Nosso navio Esperanza ajudou a revelar as primeras imagens dos Corais da Amazônia para o mundo

Saiba mais sobre o Esperanza

O Esperanza é o maior navio da frota do Greenpeace. Com 72 metros de comprimento, a embarcação iniciou suas atividades em 2002 e é ideal para missões que exijam pesquisa científica, rapidez de resposta ou uma permanência longa em alto mar – inclusive no gelo. É capaz de abrigar 40 pessoas a bordo, além de equipamentos de pesquisa e campanha.

A campanha “Save or Delete”, que denunciava a destruição das florestas tropicais inaugurou as atividades do Esperanza. Nos anos seguintes, ele se tornou o principal navio do Greenpeace para as campanhas pela preservação dos Oceanos e sua diversidade, como a defesa dos Corais da Amazônia.

O Esperanza se tornou uma referência em embarcações amigáveis ao meio ambiente, após uma série de reformas. Confira algumas dessas medidas:

– Seu sistema de propulsão diesel-elétrico é mais eficiente, emitindo menos CO2 e ainda gera energia elétrica para todo o barco;

– O sistema de combustível foi reforçado para evitar qualquer derramamento de óleo – não deixa rastros;

– Toda a água residual (esgoto) passa por purificadores 15 vezes mais eficientes que padrão determinado pela legislação internacional – assim, o cocô de ninguém vai pro mar, só água limpa é devolvida;

– O sistema de dessanilização tem capacidade de produzir 50 m3 de água potável por dia, seja por sistema de osmose reversa quanto evaporação.

–  A refrigeração e o ar-condicionado são a base de amônia em vez dos gases CFC, que reduzem a camada de ozônio e são tóxicos;

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. veras

    25 de outubro de 2019 6:37 pm

    Algum técnico em navio, por favor, pode responder: esse navio teria capacidade para transportar toneladas de óleo? O tal ministro pelo menos checou isso antes de fazer a acusação?

    1. Renato Lazzari

      25 de outubro de 2019 9:58 pm

      “Checou”?! A turma que diz que a Terra é plana? Os seguidores do Olavo de Carvalho e Steve Bannon?

    2. Nelson

      29 de outubro de 2019 10:43 am

      O ministro não disse que o óleo derramado foi transportado pelo navio Esperanza. O que ele disse ter estranhado foi o Greenpeace ter navegado pela área do derramamento e não ter visto nada suspeito. E mais estranho ainda é esse navio ter feito essa rota diversas vezes no período.

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