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José do Patrocínio, o hábil articulador abolicionista
José Carlos do Patrocínio, uma das personalidades mais importantes do movimento abolicionista e republicano. Viveu intensamente 51 anos, entre 09 de outubro de 1853 e 29 de janeiro de 1905. Conhecido por sua trajetória como jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro, após concluir o curso de farmácia na Faculdade de Medicina em 1874, passou a lecionar para sobreviver. Foi dando aulas que conheceu a aluna Maria Henriqueta, com quem se casou em 1879. Destacou-se como um hábil articulador de comícios, manifestações e promoção de espetáculos pela causa abolicionista; foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão em 1880; contribui para a articulação e criação da Confederação Abolicionista, congregando todos os clubes abolicionistas do país; auxiliou na fuga de escravizados; coordenou campanhas de captação de recursos para comprar alforrias; tornou-se proprietário do jornal Gazeta da Tarde; exerceu função pública como vereador municipal do Rio de Janeiro; e acima de tudo, dedicou-se integralmente e com paixão à causa da libertação dos escravizados e à luta contra os que exigiam indenização.
Filho do padre João Carlos Monteiro e de sua escravizada de 13 anos, Justina Maria do Espírito Santo, conhecido oficialmente como José Carlos do Patrocínio, que era Zeca para os amigos, Zé do Pato para o povo e Proudhomme para os combatentes da abolição. Ele foi um homem complexo que viveu na fronteira de mundos distintos, se não conflitivos. A começar pela fronteira étnica: pai branco, mãe negra, um mulato, como se dizia na época. Depois, a fronteira civil: mãe escravizada, pai proprietário de escravizados. A fronteira do estigma social: oficialmente registrado como “exposto”, só mais tarde constando o nome da mãe e nunca legalmente reconhecido pelo pai. A fronteira entre o mundo interiorano, no qual nasceu e viveu até os 15 anos, e o mundo da corte, onde exerceu a atividade profissional e política. Ainda, a fronteira intelectual de uma formação superior, mas de baixo prestígio, a de farmacêutico, convivendo com a formação dos bacharéis em direito, medicina e engenharia. Por fim, a fronteira entre o reformismo e o radicalismo políticos.
Tinha um grande objetivo: a libertação do escravizados no Brasil. Para tanto, mudava estratégias, articulava com diferentes atores sociais e se ajustava as condições necessárias para fazer o enfrentamento. Era inegável a paixão de Patrocínio com a qual se dedicou de corpo e alma à luta abolicionista e sua visão democrática da política, que se baseava na ideia de uma nação construída com a participação do povo. Por isso, é inquestionável a sua fundamental contribuição de levar para a rua a batalha contra o regime escravocrata e seu papel central na construção do primeiro grande movimento político popular da história do país.
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