Jornal GGN – O Banco Central (BC) reduziu a projeção de crescimento da economia para este ano: segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pela autoridade monetária, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos, deve apresentar expansão de 0,7%, ante a previsão anterior de 1,6%. Para o período de 12 meses encerrado em junho de 2015, a estimativa de crescimento do BC para o PIB é 1,2%.
Segundo o documento, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) pondera que, no cenário doméstico, as taxas de crescimento da absorção interna e do PIB se alinharam e que o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013. “No médio prazo, o Comitê avalia que mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. O consumo agregado tende a continuar em expansão, em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes, e os investimentos e as exportações tendem a ganhar impulso”.
A autoridade monetária diz que tais mudanças antecipam uma composição do crescimento de médio prazo mais favorável ao crescimento de longo prazo (crescimento potencial). Porém, o comitê ressalta “que a velocidade da materialização dessas mudanças e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e de famílias”.
O Copom observa que o mercado de crédito segue tendência de expansão moderada e consistente com a posição cíclica da economia. Importa destacar que, após anos em forte expansão – arrefecida com a introdução de medidas macroprudenciais em finais de 2010 –, o mercado de crédito voltado ao consumo passou por uma moderação, de modo que, nos últimos trimestres, observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos, de outro, desalavancagem por parte das famílias.
De acordo com o BC, a produção agropecuária deverá crescer 2,3% – a estimativa anterior era 2,8%. A produção da indústria deverá recuar 1,6%, contra a previsão anterior de retração de 0,4%. O crescimento do setor de serviços caiu de 2% para 1,2%.
O consumo das famílias deve crescer 1,6%, contra 2% previstos em junho. Os investimentos – Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – devem apresentar retração 6,5%, ante 2,4% previstos em junho. A projeção para o consumo do governo passou de 2,1% para 1,7%. As projeções para as exportações e as importações foram revisadas de 2,3% para 3,6%, e de 0,6% para 1%, respectivamente.
No âmbito internacional, o colegiado avalia que os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados desde o relatório divulgado em junho, em particular, os derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras.
“No horizonte relevante para a política monetária, entretanto, o Comitê avalia que a aversão ao risco e a volatilidade dos mercados financeiros internacionais tendem a reagir à publicação de novos indicadores e/ou sinalizações feitas por autoridades que apontem início ou aprofundamento do processo de normalização das condições monetárias em grandes blocos, em particular, nos Estados Unidos”. Outra fonte potencial de distúrbio são eventos geopolíticos. Dessa forma, eventuais aumentos de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados internacionais tendem a ser transmitidos, ainda que parcialmente, aos ativos domésticos
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