19 de junho de 2026

Lava Jato, Bolsonaro e a vitória do Departamento de Justiça dos EUA

Cinco anos de Lava Jato passaram, e somente em 2019, com André Mendonça no comando da AGU, é que autoridades brasileiras, enfim, sentaram na mesa de negociações com os Estados Unidos

Jornal GGN – É destaque na revista CrusoÉ desta sexta (20): a Advocacia-Geral da União (AGU) participa da negociação de 15 acordos de leniência com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o DoJ.

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“No mês passado, uma equipe da AGU viajou para tentar acelerar o fechamento dos acordos.” As negociações representam 62% dos acordos de leniência atualmente conduzidos pela AGU.

A presença da AGU – e do Ministério Público Federal (leia-se: Lava Jato em Curitiba), mais a Controladoria-Geral da União, a CGU – na mesa do DoJ é uma novidade do governo Bolsonaro.

O primeiro acordo envolvendo as autoridades brasileiras e norte-americanas saiu em junho de 2019.

Até então, as empresas investigadas na Lava Jato, inclusive as companhias estratégicas para o desenvolvimento do País, eram colocadas do banco dos réus nos Estados Unidos e os órgãos nacionais permaneciam de braços cruzados.

Não se ouviu falar em AGU quando a Petrobras foi processada pelos norte-americanos e levada a celebrar um acordo de 853 milhões de dólares com o DoJ, em setembro de 2018.

Nem se viu movimentação do governo brasileiro quando Odebrecht e Braskem, por exemplo, foram penalizadas pelo DoJ, em 2016, em mais de 6,9 bilhões de reais – uma das maiores multas já aplicadas com base na FPCA, a lei anticorrupção norte-americana.

Quando esses processos começaram a tramitar, o Brasil transitava do já arruinado segundo mandato de Dilma Rousseff para o governo de Michel Temer.

Cinco anos de Lava Jato passaram, e somente em 2019, com André Mendonça no comando da AGU, é que autoridades brasileiras, enfim, sentaram na mesa de negociações com os Estados Unidos.

Embora o primeiro acordo tenha sido celebrado em 2019, o flerte com o DoJ rola ao menos desde 2018, quando Mendonça participava de acordos de leniência de empresas investigadas na Lava Jato, pelo lado da CGU.

Quando o primeiro acordo entre MPF, CGU, AGU e DoJ foi anunciado, Mendonça – já advogado-geral da União – falou em “salto internacional”.

“É a primeira vez que as três principais instituições brasileiras sentam à mesa com os Estados Unidos, e buscam uma construção conjunta que atendam aos interesses dos dois países, e dão segurança jurídica às empresas”, disse.

“Nós não temos dúvidas”, continuou ele, “de que, a partir de hoje, outras empresas internacionais buscarão o Brasil” com a “segurança” de que podem “revelar os fatos ilícitos que ocorreram no seio da corporação.”

Segundo Mendonça, a atuação conjunta brotou do interesse do Brasil em importar os parâmetros aplicados pelos EUA contra empresas que pagaram suborno a autoridades públicas.

“Os parâmetros trazidos para o Brasil, quando nós ainda trabalhávamos na CGU, se pautavam no modelo americano. Um ano atrás [2018], nós discutimos nos Estados Unidos uma atuação conjunta. Apresentamos aos americanos a nosso metodologia, e eles disseram: ‘olha, é igual à nossa’.”

Alguns críticos da Lava Jato e especialistas em Direito afirmam que, nos Estados Unidos, a FCPA é utilizada como uma arma geopolítica comercial. Há décadas, o governo norte-americano se esforça para levar os princípios dessa lei anticorrupção a outros países.

O argumento é o de que as empresas dos EUA estão sujeitas a uma legislação muito rigorosa para suprimir crimes de colarinho branco. E isso teoricamente as colocam em desvantagem em relação a outras empresas internacionais, que pagam propina em troca de negócios vantajosos em vários países.

Exportando seu modelo de negociações, o Departamento de Justiça ganha mais um ponto. Conseguiu penetrar um pouco mais no sistema de Justiça brasileiro pela brecha criada na Lava Jato.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. peregrino

    20 de dezembro de 2019 5:57 pm

    Acertou quem antecipou que lava jato era para proteger as empresas americanas…
    e isto em tempo de dificuldades para todas, sendo que as únicas que não passaram impunes pela justiça local foram as brasileiras

    realmente nascemos e morreremos de calça arriada e de quatro para os americanos, eternamento
    tomando na tal brecha

  2. altamiro souza

    20 de dezembro de 2019 8:31 pm

    agora fazem acordos com os golpístas – os originais – de lá tb….

  3. nilo filho

    21 de dezembro de 2019 7:00 am

    O mantra de que a Lava Jato de Curitiba foi um operação de combate à corrupção necessita ser desmistificado. A Lava Jato de Curitiba foi – na verdade – uma operação privada (particular) de ataque aos elegidos como inimigos de seus interesses políticos, geopolíticos e econômicos

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