30 de junho de 2026

Aliança de Bolsonaro com Trump pode ter impacto considerável

Alinhamento incondicional do governo brasileiro com os Estados Unidos deve comprometer comércio exterior e posicionamento diplomático
Foto: Alan Santos / PR (via fotospublicas.com)

Jornal GGN – O governo brasileiro adotou o apoio aos Estados Unidos na operação determinada pelo presidente Donald Trump que vitimou o general Qasem Soleimani, o principal líder militar do Irã.

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A nota de alinhamento do Itamaraty com os Estados Unidos foi compreendida pela comunidade diplomática internacional como claro suporte do país às ações norte-americanas na região – e causou incômodo ao Irã, a ponto de o país chamar a encarregada de negócios da Embaixada brasileira em Teerã para se explicar.

Especialistas consultados pela BBC Brasil ressaltaram que a postura adotada pelo governo Bolsonaro (tomar posicionamento em um conflito que não diz respeito diretamente ao Brasil) destoa da tradição diplomática do Brasil, e reforça a tendência do país de promover um alinhamento incondicional com os Estados Unidos. Apenas o Brasil e Israel adotaram tal posição.

Um dos impactos desse alinhamento pode ser visto no relacionamento comercial com o país persa – no ano passado, o Brasil exportou US$ 2,1 bilhões ao Irã, sendo que o superávit comercial foi positivo em mais de US$ 2 bilhões. Dados do Ministério da Economia mostram que, em 2019, o Irã foi o segundo maior comprador de milho brasileiro, quinto maior importador de soja e sexto maior comprador de carne bovina no ano que passou. Caso as relações piorem, o setor exportador será afetado diretamente.

Por muitos anos o Brasil manteve boas relações políticas e comerciais, e a capacidade de dialogar com todos e respeitar as posições da ONU (Organização das Nações Unidas) era o chamado soft power brasileiro. Se a imagem do país for arranhada de alguma maneira, o Brasil perde essa vantagem.

Para os especialistas, o governo brasileiro espera obter favores do governo Trump na forma de concessões em acordos bilaterais em troca das declarações de apoio. Porém, não se sabe ao certo se isso vai realmente acontecer.

Redação

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. peregrino

    8 de janeiro de 2020 5:39 pm

    Com todos em conflito…
    o momento mais valioso de uma relação comercial é um momento de silêncio

    isso para quem ama o seu país, não o Trump

  2. Marcos K

    9 de janeiro de 2020 6:05 am

    Se eu conheço bem a história americana eles não fazem concessões. Antes, desprezam e humilham os idiotas lambe-saco.

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