19 de junho de 2026

Os desafios enfrentados pelo mercado de petróleo

Mercado simbólico para medir a economia, ele tem enfrentado a maior crise de sua história devido ao coronavírus e a componentes políticos

Jornal GGN – O petróleo é uma commodity simbólica para quem acompanha o mercado financeiro, uma vez que sua demanda está diretamente relacionada ao ritmo da economia global.

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E o segmento está passando pela maior crise de sua história. O mercado de petróleo não só foi influenciado pelo impacto da pandemia global, como também por questões políticas – recentemente, um acordo fechado entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros produtores, incluindo a Rússia, colapsou.

A proposta de acordo fechada anteriormente entre as partes buscava limitar a produção de petróleo como forma de dar um suporte aos preços, mas os valores acabaram caindo depois que países como a Arábia Saudita começaram a brigar por mais participação de mercado.

Analistas internacionais dizem que, em apenas três semanas, Riad acabou com a estrutura de preços existente – o país apostava em oferecer quantidades ilimitadas de combustível por um preço muito baixo, mas o tiro saiu pela culatra e o país não está conseguindo encontrar clientes para a oferta extra de petróleo que tem feito.

Como não poderia deixar de ser, o segmento também sentiu o impacto da pandemia global de coronavírus. Agora, além de lidar com excesso de oferta, a Arábia Saudita tem de lidar com a menor demanda e com as taxas mais altas de frete que têm sido praticadas. Com isso, a cotação do petróleo no mercado futuro nas principais bolsas se aproximou do patamar de US$ 20 nesta segunda-feira.

A guerra de preços do segmento de petróleo também afetou os produtores de gás e óleo de xisto nos Estados Unidos, que contavam com o encarecimento do petróleo para ganharem espaço.

E esse impacto, evidentemente, vai se refletir nas ações das empresas do setor. O índice S&P Energy, que acompanha 26 grandes empresas do setor de energia nos Estados Unidos, chegou a cair perto de 7% na última sexta-feira, mas mostrou uma leve recuperação nesta segunda-feira. E uma análise do desempenho no ano mostra que todas as empresas do índice acumulavam perdas ao longo do ano – companhias do porte de Chevron e Exxon Mobil registravam mais de 40% de desvalorização.

No Brasil, a empresa referência neste segmento dentro da bolsa de valores é a Petrobras. E o papel também tem sentido a instabilidade externa, assim como todos os desdobramentos do mercado doméstico. Em 12 meses, a ação preferencial da estatal acumula uma desvalorização de 53,2%.

Ao final desta segunda-feira, o preço do contrato futuro de petróleo WTI nos Estados Unidos para o mês de maio operava em queda de 6,42%, negociado a US$ 20,13. Em Londres, o contrato futuro de petróleo Brent para o mês de maio caiu 0,15%, negociado a US$ 26,30.

E se os produtores estão sentindo o impacto desse ajuste agora, no médio prazo esse menor preço pode ser um componente interessante para ajudar na recuperação da economia global.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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