10 de junho de 2026

A lógica por trás da estratégia populista de Bolsonaro

É por isso que a oposição falha em antecipar os próximos passos de Bolsonaro - ele não se baseia na análise política, mas sim em um processo criativo próprio

Por Oliver Stuenkel

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Os protestos no Brasil contra as medidas de distanciamento social ñ são uma coincidência. Pelo contrário, são produto de uma estratégia sofisticada q revela uma semelhança entre todos líderes populistas: a necessidade de mobilização constante dos apoiadores.

Bolsonaro está apenas aplicando uma estratégia adotada por outros populistas com tendências autocráticas, como Chávez e Orbán. Protestos pró-regime não ocorrem em democracias saudáveis. Eles são produto de um líder pedindo a seus seguidores que ataquem um inimigo escolhido.

No caso da Venezuela, Chávez pedia a seus apoiadores que protestassem contra os Estados Unidos. Na Hungria, Orbán pediu que se mobilizassem contra imigrantes. No Brasil, Bolsonaro induz os seguidores a protestarem contra as medidas de distanciamento social.

única maneira de manter os seguidores mobilizados é induzindo o medo. Pessoas NUNCA saem às ruas porque admiram um líder. Alemães que gostam de Angela Merkel nunca saem às ruas para apoiá-la. Portanto, o trabalho de Bolsonaro é imaginar e sugerir ameaças para despertar temores.

Isso requer muita criatividade. Também envolve transformar qualquer tema em guerras ideológicas. Literalmente, tudo, até mesmo o carnaval. Não importa como: basta criar divisão e medo. Até agora, Bolsonaro teve sucesso.

Existe uma maneira relativamente simples de responder à pandemia. 1. Ouvir os especialistas 2. Negociar com os governadores. O problema é que isso não mobilizaria os seus seguidores. Como conseqüência, é melhor transformar a pandemia em uma guerra ideológica contra o comunismo.

Ao compreender Bolsonaro por meio dessa lente, sua estratégia parece guiada por uma lógica e disciplina clara. Qualquer problema que surgir no Brasil, Bolsonaro analisará e perguntará: Como posso transformar isso em algo realmente assustador para meus seguidores?

É por isso que a oposição falha em antecipar os próximos passos de Bolsonaro – ele não se baseia na análise política, mas sim em um processo criativo próprio. Exemplo: a ideia de que o bloqueio pandêmico é um plano secreto para impor o comunismo. Isso é excepcionalmente criativo.

De fato, conseguir aproveitar a pandemia – uma crise q tende a unir as pessoas – para aprofundar a polarização exige habilidades raras. Às vezes, os movimentos de Bolsonaro me lembram do que aprendi nas aulas de escrita criativa no ensino médio: para a imaginação, não há limites.

Tudo para poder se projetar, no final das contas, como o salvador da pátria que protege a população das muitas ameaças, imaginárias ou reais, e justificar medidas excepcionais — leia-se anti-democráticas — para supostamente defender o país.

Oliver Stuenkel é professor de Relações Internacionais da FGV-SP

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    21 de abril de 2020 10:31 am

    Você recebe jma foto de um infeliz nadando no esgoto e com uma legenda dizendo algo idiota como brasileiro nada em esgoto e não pega nada não vai pegar covid19 , até ri sabendo que nào devia , não tem coragem de reproduzir a piada naquela reunião “online” do trabalho.
    O presidente fala sério em cadeia nacional …
    E vocês tentam teorizar …

  2. 21 de abril de 2020 12:07 pm

    A direita mundial segue sua toada: para criticar Bolsonaro, deve-se associá-lo a Chavez. Afinal, Chavez representa todo o mal incrustado na Latinoamerica. A frase chave é: Pessoas NUNCA saem às ruas porque admiram um líder. A tecnocracia mundial, gestora do financismo, agradece.

  3. Renata Silva

    21 de abril de 2020 12:30 pm

    O sujeito coloca Chavez e Orban na mesma régua? Parei aí.

  4. João Ferreira Bastos

    21 de abril de 2020 2:53 pm

    Bolsonaro faz o jogo dele ha 1 ano e 4 meses

    nossas oposições até agora não conseguiram antecipar o jogo dele.

    Incompetentes, fracos, distantes da realidade e completamente sem senso de urgência

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