10 de junho de 2026

O fantástico trem de pouso do cargueiro Embraer KC-390: made in Brazil, por Paulo Gala

São poucas as empresas no mundo capazes de fabricar um componente desses. A Eleb se junta ao pequeno grupo que domina todo o processo de desenvolvimento de trens de pouso de um avião

O fantástico trem de pouso do cargueiro Embraer KC-390: made in Brazil

por Paulo Gala

Uma das coisas incríveis do novo cargueiro militar da Embraer, o KC-390, é o trem de pouso capaz de suportar o peso de cargas gigantes. Quem produziu foi uma empresa brasileira chamada ELEB, hoje uma JV alemã/Embraer (portanto não mais brasileira). São trens de pouso capazes de suportar as 84 toneladas do novo avião militar; a família de jatos Embraer E-145 suporta 24 toneladas. A Eleb nasceu em 1984 para produzir, sob licença, os trens de pouso dos caças ítalo-brasileiros A1 para a FAB. A experiência adquirida com os italianos a capacitou para produzir o trem de pouso da aeronave de caça leve A-29 Super Tucano.

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Para pousos em regiões extremamente inóspitas como Amazônia ou Antártida, a solução foi criar um sistema inédito de distribuição do peso no trem de pouso. A patente da nova tecnologia foi depositada nos Estados Unidos. Diferentemente das opções existentes no mercado, esse produto faz com que o impacto no pouso seja absorvido de maneira mais eficaz pelo trem de pouso de forma distribuída na estrutura e rodas. Para suportar mais peso foi necessário que a empresa entrasse na usinagem de titânio e aço, matérias-primas de alta densidade e com mais resistência para as peças. Para outras aeronaves de menor porte, predomina o uso de alumínio. Foi necessário rever processos e adquirir novas máquinas para a planta industrial onde trabalham 600 funcionários.

As peças do trem de pouso nascem de um grande bloco de metal que pode pesar até 4,5 toneladas. O material é tratado termicamente para triplicar a resistência. Depois de passar horas em fornos a 470 graus e receber choque térmico na água, o valor de resistência do aço aumenta bem até ser capaz de suportar todo o peso requerido do trem de pouso. São poucas as empresas no mundo capazes de fabricar um componente desses no mundo. A Eleb se junta à americana Gooddrich e à francesa Messier Dowty no pequeno grupo que domina todo o processo de desenvolvimento de trens de pouso de um avião.

https://www.aereo.jor.br/2016/05/27/inovacao-a-brasileira-o-trem-de-pouso-do-kc-390/

Short landing:

Sistema de abastecimento no ar:

https://defense.embraer.com/br/pt/kc-390

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5 Comentários
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  1. Bruno Cabral

    29 de abril de 2020 6:18 pm

    A Boeing copiou o projeto no curto periodo em que esteve dona da Embraer??

    1. Anônimo

      29 de abril de 2020 8:25 pm

      Pra que copiar se puderam levar todos os originais? No início do ano, puseram todos os funcionários da Embraer em férias coletivas, e ocuparam os prédios da empresa em São José dos Campos com engenheiros e técnicos da Boeing.

      Se foram muito camarada – “american so good, no?”, diria Kate Lyra -, devem ter deixado cópia para os trouxas na Embraer. Em mídia papel, vale dizer. Vai reclamar aonde? No DoJ? Na ONU?

  2. Junior50

    30 de abril de 2020 12:43 am

    Montadora

    Tanto a ELEB/Liebheer como a Embraer são “montadoras”, partes do C-390 são produzidas em varios locais pelo mundo, na maior parte Estados Unidos, montadas aqui, como ocorre com todas as linhas comerciais, executivas e de defesa da Embraer.

    1. Carlos cathalat

      30 de abril de 2020 9:07 am

      A questão é sempre o projeto, a inovação, a forma de se fazer….!

  3. Lea Paiotti

    30 de abril de 2020 12:18 pm

    Errata: A ELEB não é maia um JV entre Liebherr e Embraer. Hoje, ela é novamente uma empresa 100% Embraer.

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