4 de junho de 2026

Sobre a união das esquerdas, por Guilherme Scalzilli

União das esquerdas

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Por Guilherme Scalzilli

No cenário eleitoral de 2018, há dois setores relevantes do campo progressista: os grupos que orbitam ao redor de Lula e aqueles antipáticos à sua proeminência. Ambos os flancos são inconciliáveis, pois têm como diferencial privilegiado a figura do ex-presidente e as posturas antagônicas que ele provoca.

Essas divergências espelham narrativas opostas sobre fenômenos decisivos da política brasileira recente. Uma delas envolve a natureza golpista do impeachment e o papel do PT no processo. Outra, a ideologização do Judiciário e as “excepcionalidades” da Lava Jato, incluindo o justiciamento ideológico de Lula.

O conflito de versões é inevitável, assim como a cizânia resultante. A esquerda antipetista vê tantas dificuldades em se afastar dos seus apoios velados ao golpe e aos inquisidores judiciais quanto o PT em coadunar com as forças que tentam destruí-lo. Especialmente porque a discórdia está inserida numa dinâmica de responsabilização mútua pela tragédia administrativa e moral que acomete o Poder Executivo.

Mas o problema tem seu lado estratégico. Depois das derrotas municipais e diante da absurda falta de quadros, o PT jamais poderia abrir mão de uma candidatura que as estatísticas apontam como a mais forte da esquerda, senão de todo o espectro partidário. Mesmo não encabeçando a chapa, Lula desfruta de uma popularidade que lhe confere status natural de liderança articuladora no seu círculo de influência.

Já os demais partidos do espectro usam esse antagonista simbólico para resguardar a sua identidade programática, mergulhada em profunda crise representativa. A Rede teve quase o mesmo número de votos, no país todo, que Fernando Haddad na capital paulista. O PSOL nacional perdeu para João Doria. Marcelo Freixo para si mesmo, em 2012. Pouco resta às legendas senão evitar um confronto direto com o antipetismo que dominou os programas conservadores vitoriosos. Ou até adotá-lo.

As pesquisas sobre 2018 sugerem que esse afastamento será fundamental para levar a dissidência progressista ao segundo turno. O desafio exige o enfraquecimento da candidatura associada ao lulismo e a sedução de fatias descontentes do seu eleitorado. O embate interessa também ao PT, que prefere mil vezes polarizar com um adversário abertamente conservador na fase derradeira.

É inútil, portanto, esperar uma aproximação que não agrada a nenhuma das partes envolvidas. E que, sejamos honestos, apenas manteria a esquerda isolada, internamente dispersa em altercações ressentidas e centralizando ataques de todos os outros flancos. A divisão aumentará a diversidade dos questionamentos ao governo Temer, talvez resultando mais danosa à direita do que um bloco frágil e estigmatizado.

Se quiserem mesmo posar de pragmáticas e expeditas, as alas progressistas podem selar um acordo pluripartidário informal, para coordenar estratégias que levem os seus membros ao máximo de cadeiras no Congresso, sem confrontos inúteis, tendo como inimigo comum o pemedebismo fisiológico. Já seria um grande avanço, e talvez o mais urgente na atual conjuntura.


http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/03/sobre-uniao-das-esquerdas.html

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9 Comentários
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  1. Silvia Pimenta V Rocha

    15 de março de 2017 5:26 pm

    ótima análise, me convenceu

    ótima análise, me convenceu

  2. rdmaestri

    15 de março de 2017 5:32 pm

    Olha o que vai acontecer até 2018, só deus sabe!

    Começar a se preocupar com a união das esquerdas para uma eleição em 2018 é uma imensa perda de tempo!

    O que vai acontecer daqui até 2018 ninguém sabe, logo nos preocupemos com 2017, pois é agora que tudo se define e não é através de conchavos entre as esquerdas que se resolverá alguma coisa, o que se deve é AGIR EM 2017, o resto é perda de tempo.

  3. Junior Sertanejo

    15 de março de 2017 5:53 pm

    Politica é minha praia,minha

    Politica é minha praia,minha cerveja sem alcool,(assim como o boçal do Ruy Castro,já utilizei toda minha cota),meu passatempo preferido,por que dela entendo,ao que parece,Guilherme Scalzilli também.Não é birra,malquerença ou imposição ter Lula na cabeça da chapa no campo das esquerdas.Deixarei de lado as questões naturais que obriga a Lula de se-lo,para ater-me  a principal delas:A estrategica como bem colocou Scalzilli,além a da sobrevivência politica,acresento.Ou temos Lula na cabeça da chapa,ou o PT sucumbe.E Lula vai junto.Se os bandidos vestidos de toga o impedirem,aí é outra historia.A proposito do fator “Lula”,Tio Rei,aquele que até a morte correu dele,tem dado um xilique após outro.

  4. Marcelo33

    15 de março de 2017 5:56 pm

    Existe uma esquerda que

    Existe uma esquerda que orbita ao redor de Lula e outraque beija a mão do Aécio Neves e que não briga com Temer por que ele é muito educado.

    Obrigado Chico Alencar por deixar claro que de PIÇOL e afins não podemos esperar nada. Eles falam mal de Temer e do PSDB em público, mas não saem da cama deles em privado.

    Detalhe que foi PInhosol e associados quem deram a partida no golpe.

    No fundo, a esquerda Burguesa universitária é muito afeita a sua classe social de origem, pode ser ver isso pelo seu Udenismo. 

    Como o PT melhorou depois de se livrar dessa gente. Sábioa era Brizola, que definia o PT como “UDN de macacão”.

     

  5. Ninguém

    15 de março de 2017 6:07 pm

    Rede… de esquerda?

    Em que planeta vive o articulista?

  6. Gabriel Moreno

    15 de março de 2017 6:26 pm

    O articulista erra ao tratar

    O articulista erra ao tratar 2018 como um fato normal de uma sociedade democrática normal, em pleno funcionamento de suas instituições. É como se não estivéssemos em pleno golpe. Aliás, a falta de clareza e de ênfase sobre esse assunto (a existência do golpe), que é algo básico e fundamental para toda a análise que se queira iniciar, mostra mais sobre o estado de uma dita “esquerda” do que o próprio objeto da análise do autor. Fora do país (principalmente na Europa), não há dúvida alguma entre os setores progressistas de que o Brasil vive um golpe de estado. Aqui, titubeia-se sobre isso o tempo todo. 

  7. WG

    15 de março de 2017 6:28 pm

    Se a Marina tivesse vencido

    Se a Marina tivesse vencido as eleições, o Banco Central já estaria nas mãos do Itaú bem antes do golpe. Com a marionete, a banca teria tomado o poder, sem necessidade do golpe. 

  8. Maria Luisa

    15 de março de 2017 6:48 pm

    O que se chama de esquerda é capaz de compor com a direita…

    Esta mais facil um meteoro colidir com a Terra do que haver a tal união das esquerdas. Vamos la, se as eleições fossem em 2017, sabemos que apenas Lula teria chance de ser leito e mesmo assim apostaria que Ciro Gomes sairia candidato e o PSOL com outro candidato etc. E pior, ainda tem que aguentar a Luciana Genro e o Ciro atacando o PT, como estratégia eleitoral. Não tem jeito, se não apanhar muito, mas bastante mesmo, não havera nunca união nenhuma. Os partidos ditos de esquerda, à exceção do PCdoB, não querem mais o PT no poder e farão o que puderem para atrapalhar.

  9. Visitante - Nickname - Humberto

    15 de março de 2017 8:17 pm

    – – > Curto e Grosso <- -

    o autor do post-título (aparentemente) promove e cutuca, provoca um dualismo simplório, simplista e superficial: “aqueles antipáticos” .Há setores da esquerda que defendem uma Revolução Democrática (DS Democracia Socialista, minoritária no PT, reunida com Mensagem Ao Partido , de Tarso Genro).Mas eu tô, talvez, à “direita” porque opino que é coerência defender uma Frente Democrática que atraia democratas-liberais, sem partidos, sem o tal bobo ódio da classe média da tola Chauí, e que, num milagre, a FD consiga aproximar as várias correntes e partidos de centro-esquerda e esquerda (o que é difícil, mas não custa tentar).

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