11 de junho de 2026

Um texto importante se você procura uma casa de santo, por Matê da Luz

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Um texto importante se você procura uma casa de santo

por Matê da Luz

Conheço uma pessoa que teve uma experiência mágica no ano passado. Essa pessoa é uma médium que adora o invisível e mantinha, havia uns cinco anos, uma relação suave com sua fé numa casa que se dizia espírita, até que foi conhecer um terreiro de umbanda onde trabalhava um conhecido seu. O toque dos atabaques, a energia, o arrepio na alma, o elã, sabe? Tudo isso a encantou de uma tal maneira que ela achou que aquilo tudo combinava muito consigo mesma dada a intensidade que gostava e sentir as coisas. 

Entrou pra casa. Feliz, satisfeta e experimentando ao mesmo tempo uma liberdade de certa forma esquisita – no que tangia os limites das relações visíveis – e ao mesmo tempo toda a limitação de ter uma mãe de santo. Quem tem sabe: a uma mãe ou a um pai de santo a gente deve um respeito diferente, especial, semi-divino mesmo. E era assim até que o invisível se fez presente e implorou: vaza. 

Ela vazou mesmo que sem entender muito bem na esfera racional o que era tudo aquilo mas, com um pouco de terapia e estudo das ciências interpessoais, entendeu o que acontecera ali: houve uma mistura nociva entre a pessoa física e a figura da mãe de santo que, na totalidade dos casos, não é saudável. “Mas por que diz isso, o que aconteceu?” Vale registrar que uma mãe ou pai de santo é, de certa forma, responsável pela condução da vida do filho, um pouco mais do que os pais carnais – isso porque, teoricamente, o mundo espiritual nos encaminha para a família invisível. Teoricamente, pois a ansiedade em “resolver” – seja lá o que for – faz com que nossos olhos fiquem fechados às ciladas que existem aqui e acolá. 

Neste caso dessa pessoa, estava óbvio que havia algo muito esquisito naquela casa, com os dirigentes e, mesmo que os guias fossem entidades de energia boa e bem intencionados, é de extrema necessidade avaliar a questão das pessoas físicas dentro de uma casa de santo. Isso porque não é a entidade em si quem direciona a vida do filho, mas sim a mãe ou o pai. 

Isso quer dizer que é melhor escolher bem e ficar de fora enquanto não se tem certeza sobre o solo que pisa? Um pouco. Mas, de certa forma, o aprendizado também vem das más experiências e, então, vale confiar muito nos seus guias e manter a vela do anjo de guarda sempre acesa enquanto procura uma casa pra chamar de sua. Essa pessoa está há sete meses sem uma casa oficial e não morreu, não passa mal, não está carregada ou indo de mal a pior – muito pelo contrário. Ao se perceber e se respeitar, um tipo de prosperidade e calmaria de amor começou a acompanhar, efetivamente. 

O descaso e/ou confusão que o “mau gerenciamento” da vida causado pelos pais e mães de santo equivocados é um fenômeno recente e pulsante na comunidade das religiões que têm como figura central estas pessoas. O site “Meu coração africano” escreveu e descreveu muito bem esse cenário e eu indico com veemência a leitura, aqui.

No mais, algumas dicas básicas seja pra quem está iniciando seja pra quem já tem tarimba em terreiro mas está a procura de um lar pra chamar de seu: 

– mantenha-se tranquilo. Entendo que muita gente chega nas casas de santo com temas e aflições enormes, buscando uma resolução pra um problema que parece não ter solução. A ansiedade só serve como ferramenta pra quem é mal intencionado agir em benefício próprio e argumentar que “ali você vai encontrar o que precisa”. O que você precisa está disponível pra você e, mesmo que necessite de orientação e encaminhamento, uma boa mãe ou um bom pai de santo, bem com entidades de atendimento bem intencionadas jamais afirmam que ali é a única solução pra qualquer caso, mas sim conversam e buscam trazer conforto pra quem está buscando. 

– pesquise a evolução da vida dos consulentes/médiuns da casa. O desenvolvimento pessoal em direção à prosperidade deve estar presente no discurso da maioria das pessoas, caso contrário, minha opinião: continue buscando e não se envolva com energias que não geram movimento e, que, de fato, não resolvem nada – estas são as responsáveis por sugar a sua. 

– sinta intimamente o que aquele encontro promove em você. Uma casa boa, uma boa pessoa no comando, um entorno positivo, tudo isso causa efeitos físicos na gente. Um sorriso especial, uma emoção bonita. Sempre alguma coisa boa. Se aquele campo não está bem preparado pra receber as energias carregadas de quem vem da rua, não deveria estar aberto. Uma gira pesada é de responsabilidade do invi’sivel que ali habita e, portanto, não deve contaminar os visitantes. 

 

 

Mariana A. Nassif

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  1. Germano Rivera

    28 de fevereiro de 2017 2:15 pm

    Isso vale para qualquer
    Isso vale para qualquer denominação religiosa, penso que até para as que não são. Até que a pessoa descubra que a verdade, o conforto e o abrigo permanente está dentro dela mesma, sem necessidade de guias, mestres, santos, agentes financeiros rs… e/ou intermediários. Até chegar nesse ponto o conselho da autora é válido para os incautos, como a personagem do texto.

  2. superperplexo

    28 de fevereiro de 2017 6:31 pm

    SENSATO!

    Observações sensatas. Vale complementar com o que já pude observar.

    Em grupos onde se pratica a mediunidade ostensiva (comunicação com seres do mundo invisível) espíritas kardecistas, umbandistas e outros, a excessiva expectativa de quem ingressa pode cegar. E surgem três tipos de desafios ou problemas:

    1) Confunde-se os Espíritos Guias  com os Veículos Humanos (médiuns e dirigentes)

    2) Confude-se Espíritos Guias com Outros Espíritos (que se dispõe a “resolver quaisquer problemas” e não  a “fortalecer a pessoa necessitada”

    3) Os Dirigentes ou Médiuns “se acham” e se confundem com Espíritos Guias, passando a idéia que são sempre uma coisa só.

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