4 de junho de 2026

E a economia? Bolsonaro acha que engana quem com suas ameacinhas?, por Álvaro Miranda

Sendo essas três partes (INDÚSTRIA, COMÉRCIO E CRÉDITO) um encadeamento de sobrevivência recíproca, se não existir indústria fabricando e produzindo coisas, o comércio vai vender o quê?
Foto Repórter Brasil

E a economia? Bolsonaro acha que engana quem com suas ameacinhas?

por Álvaro Miranda

Nem demoro muito com óbvio, qual seja, que, em nenhuma parte do planeta, país algum desenvolve sua economia sem a presença e coordenação do estado. Até liberais já estão assumindo outra pegada diante do desastre do neoliberalismo tendo 2008 como seu mais recente marco emblemático.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Segue então uma análise muito no grosso modo, incompleta e ligeira aqui – e me corrijam, quem tiver paciência de ler se eu estiver errado. O motor central do capital ao longo do século XX, e desde sempre, tem sido a INDÚSTRIA, não o comércio de forma isolada, nem o crédito. Mas claro que indústria não vive sem comércio, muito menos sem crédito, e nem o comércio sobrevive sem indústria e sem crédito.

PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO EM AMPLA ESCALA (que alguns chamam globalização) são encadeamentos umbilicais inevitáveis e muito específicos desse modo de produção, inéditos na história da humanidade – e Marx mostra a importância da velocidade da circulação para a continuidade da produção e da valorização do valor. Valorização do valor que não é para produzir “utilidades” de aprimoramento para a sociedade, mas sim visando à famosa mais-valia e o lucro.

O CAPITAL não é só “acumulação” de riqueza, mas sim um processo social que, além de implicar transformação tecnológica, constitui relação entre indivíduos “dentro” de institucionalidades (estados, países, empresas, pessoas e leis) numa trama envolvendo exploração do trabalho de pessoas num tipo histórico de dominação de uns sobre outros: é a SOCIEDADE SALARIAL, que alguns se enganam pensando ser a sociedade livre, com poucos enriquecendo na valorização do valor e muitos empobrecendo ou até morrendo por falta de trabalho.

Sendo essas três partes (INDÚSTRIA, COMÉRCIO E CRÉDITO) um encadeamento de sobrevivência recíproca, se não existir indústria fabricando e produzindo coisas, o comércio vai vender o quê? E se há gente empobrecendo, essa gente vai comprar o quê? Com o avanço (agora em crise) do neoliberalismo a partir da década de 1990, já perceberam que o ataque cibernético “marqueteiro” principal dos bancos é o oferecimento sem fim do crédito, e não a resolução de dívidas de eventuais devedores?

QUE SOCIEDADE É ESSA que “produz” dinheiro para fazer mais dinheiro sem indústria? Ou com que tipo de indústria? Apenas para a exportação do agro-negócio? E com que objetivo? Evidente que o capital vem se transformando desde sempre, não de forma igual nas várias regiões do mundo, mas conforme os conflitos entre “donos” dos meios de produção e assalariados, sem falar na competição entre corporações internacionais e entre estados nacionais, além das contradições diversas dos afetos humanos num mundo turbulento SEM ESPERANÇAS DE FUTURO.

Se dentre outras questões para além das sociais, econômicas e tecnológicas, o “toyotismo” obrigou a transformação do “fordismo” ao longo do século XX, este último como parâmetro que sinalizava uma falsa estabilidade entre indústria, comércio e crédito, a tal crise da DEMOCRACIA não se resume apenas a uma crise de “representação política” ou de institucionalidade “política” e jurídica do tal ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. É uma crise do modo de produção, MODO DE ESTAR NO MUNDO, modo de ser e conviver. Daí que DEBATER POLÍTICA É DEBATER ECONOMIA!

NÃO DÁ TAMBÉM PARA SERMOS NOSTÁLGICOS pensando numa volta ao passado, isso não existe. O fordismo não volta mais, nem as formas de estado de bem-estar social do pós-guerra. Hoje temos outros tipos de paradigmas industriais (concretos e imaginados), para o bem e para o mal (tem sido para pior, na VALORIZAÇÃO DO VALOR) e as tecnologias de comunicação e informação estão aí, já há três décadas, impactando nossas vidas. ISSO PARA PIOR, o que nos leva a indagar, tantos artefatos novos e mais problemas de desigualdades, pobreza, injustiças, destruição do meio ambiente etc.?

Resumindo: um país como o Brasil com a economia parada há seis anos, sem projeto de desenvolvimento e industrialização (já que um e outra se pressupõem), sem perspectiva alguma, enfim, com esse governo, que só quer armar a população, a sensação é a de que, nas ruas, barulho de motocicleta se aproximando ou é o triste recrudescimento da PRECARIZAÇÃO DOS TRABALHADORES pela “uberização” e “ifoodização” (desculpem o trocadilho na prosódia em alusão aos fodidos escravos contemporâneos) ou é assalto iminente. Ou vamos ser ingênuos de acreditar que mais entregadores de comida circulando por aí, além de bares, restaurantes ou praias lotadas são sinônimo de economia aquecida e desenvolvida?

E Bolsonaro acha e engana quem que vai reverter essa gigantesca crise com AMEACINHAS?

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Marco antonio

    11 de janeiro de 2021 1:01 pm

    Alvaro Miranda.brilhante e claro.acessivel aos menos informados.minhas desculpas enviei ha pouco como sendo artigo do Nassif.mas os cumprimentos que faço sao validos mesma forma.comecei lendo o pequeno jornal circulava em alguns bancos e 1995.parabens a todos.

  2. Bruno Cabral

    11 de janeiro de 2021 1:40 pm

    O comércio vai vender quinquilharias importadas da China…

  3. carlos elisioc

    11 de janeiro de 2021 4:25 pm

    Sempre haverá grana para reembolsar os parças..
    https://www.jb.com.br/pais/informe-jb/2021/01/1027582-bolsonaro-manda-tv-brasil-comprar-novelas-do-bispo-macedo.html

    1. Nêmesis

      11 de janeiro de 2021 6:27 pm

      Agora não entendi mais nada. O Fantoche, no começo, queria fechar a TV Brasil. Agora, manda comprar as novelas do parça.

      Cadê aquele discursinho fajuto de “honestidade”?! Era só conversinha para engar os incautos?

      Vontade de soltar uns palavrões…

  4. Nêmesis

    11 de janeiro de 2021 8:26 pm

    Notícias relacionadas:

    A Ford vai fechar as fábricas no Brasil.

    https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/01/11/ford-anuncia-fim-da-producao-no-brasil-e-fechamento-de-tres-fabricas

    E olha que tem dinheiro público americano nessa empresa. Mas o Bozo não era amigão do Império?

    https://amp.freep.com/amp/5526413002

    Tem aplicativo que virou financeira para seus “parceiros”. Já estava pensando em “servidão por endividamento”. Todavia, os juros ainda são “menos piores” do que em outros lugares.

    De todo modo, é de virar a cabeça que entregadores, assim como pequenos negócios (fornecedores) estejam nesse desespero por crédito.

    https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/01/11/rappi-lanca-banco-digital-com-credito-de-sobra-tem-capital-para-quem-quiser

Recomendados para você

Recomendados