O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a provocar reações no Brasil neste sábado (25), desta vez ao atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Durante a convenção nacional do PL, em São Paulo — evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência —, Milei usou o termo ofensivo ao criticar a decisão que impediu sua visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Em um discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino disse que pretendia reencontrar o ex-presidente durante a viagem ao Brasil, mas relatou não ter recebido autorização para isso. Foi nesse contexto que atacou Moraes, reforçando o apoio a Bolsonaro, a quem chamou de amigo próximo, e afirmando que espera voltar ao país para revê-lo pessoalmente.
A resposta do Judiciário veio ainda no mesmo dia. O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota classificando a fala como uma referência desrespeitosa e reafirmando a autonomia do Judiciário brasileiro diante do episódio. Na nota, Fachin lamentou manifestações incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre chefes de Estado.
O ataque a Moraes não foi o único momento de forte teor político do discurso de Milei. Ele também mirou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “presidiário”, e disse acreditar que Flávio Bolsonaro é o nome capaz de derrotá-lo nas eleições de outubro. Milei repetiu o argumento de que o socialismo levou a Argentina à pobreza e à crise econômica, e defendeu que o Brasil se junte ao que descreveu como uma onda de transformação política de direita na América Latina. Segundo ele, o país caminha para uma crise fiscal por causa da política econômica do governo Lula, que estaria priorizando gastos públicos de olho na reeleição — acusação feita sem apresentar provas, assim como a de que o petista estaria perseguindo opositores.
Ao encerrar a fala, o argentino alertou que a esquerda brasileira deve reagir com força durante a campanha e pediu que Flávio se prepare para uma disputa difícil.
A presença de Milei foi um dos pontos altos do evento do PL, que também recebeu uma mensagem em vídeo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizando Flávio pelo lançamento da candidatura. Mais cedo, o presidente argentino havia passado pelo Palácio dos Bandeirantes, onde foi recebido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e condecorado com a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do governo paulista.
No campo político, a repercussão também partiu do PT: o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, classificou como inadmissível que um chefe de Estado estrangeiro se dirija de forma desrespeitosa às autoridades constituídas do país que o recebe, e afirmou que Milei não estaria à altura do cargo que ocupa.
*Com informações da Agência Brasil e CNN.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário