E a economia? Bolsonaro acha que engana quem com suas ameacinhas?, por Álvaro Miranda

Sendo essas três partes (INDÚSTRIA, COMÉRCIO E CRÉDITO) um encadeamento de sobrevivência recíproca, se não existir indústria fabricando e produzindo coisas, o comércio vai vender o quê?

Foto Repórter Brasil

E a economia? Bolsonaro acha que engana quem com suas ameacinhas?

por Álvaro Miranda

Nem demoro muito com óbvio, qual seja, que, em nenhuma parte do planeta, país algum desenvolve sua economia sem a presença e coordenação do estado. Até liberais já estão assumindo outra pegada diante do desastre do neoliberalismo tendo 2008 como seu mais recente marco emblemático.

Segue então uma análise muito no grosso modo, incompleta e ligeira aqui – e me corrijam, quem tiver paciência de ler se eu estiver errado. O motor central do capital ao longo do século XX, e desde sempre, tem sido a INDÚSTRIA, não o comércio de forma isolada, nem o crédito. Mas claro que indústria não vive sem comércio, muito menos sem crédito, e nem o comércio sobrevive sem indústria e sem crédito.

PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO EM AMPLA ESCALA (que alguns chamam globalização) são encadeamentos umbilicais inevitáveis e muito específicos desse modo de produção, inéditos na história da humanidade – e Marx mostra a importância da velocidade da circulação para a continuidade da produção e da valorização do valor. Valorização do valor que não é para produzir “utilidades” de aprimoramento para a sociedade, mas sim visando à famosa mais-valia e o lucro.

O CAPITAL não é só “acumulação” de riqueza, mas sim um processo social que, além de implicar transformação tecnológica, constitui relação entre indivíduos “dentro” de institucionalidades (estados, países, empresas, pessoas e leis) numa trama envolvendo exploração do trabalho de pessoas num tipo histórico de dominação de uns sobre outros: é a SOCIEDADE SALARIAL, que alguns se enganam pensando ser a sociedade livre, com poucos enriquecendo na valorização do valor e muitos empobrecendo ou até morrendo por falta de trabalho.

Sendo essas três partes (INDÚSTRIA, COMÉRCIO E CRÉDITO) um encadeamento de sobrevivência recíproca, se não existir indústria fabricando e produzindo coisas, o comércio vai vender o quê? E se há gente empobrecendo, essa gente vai comprar o quê? Com o avanço (agora em crise) do neoliberalismo a partir da década de 1990, já perceberam que o ataque cibernético “marqueteiro” principal dos bancos é o oferecimento sem fim do crédito, e não a resolução de dívidas de eventuais devedores?

QUE SOCIEDADE É ESSA que “produz” dinheiro para fazer mais dinheiro sem indústria? Ou com que tipo de indústria? Apenas para a exportação do agro-negócio? E com que objetivo? Evidente que o capital vem se transformando desde sempre, não de forma igual nas várias regiões do mundo, mas conforme os conflitos entre “donos” dos meios de produção e assalariados, sem falar na competição entre corporações internacionais e entre estados nacionais, além das contradições diversas dos afetos humanos num mundo turbulento SEM ESPERANÇAS DE FUTURO.

Se dentre outras questões para além das sociais, econômicas e tecnológicas, o “toyotismo” obrigou a transformação do “fordismo” ao longo do século XX, este último como parâmetro que sinalizava uma falsa estabilidade entre indústria, comércio e crédito, a tal crise da DEMOCRACIA não se resume apenas a uma crise de “representação política” ou de institucionalidade “política” e jurídica do tal ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. É uma crise do modo de produção, MODO DE ESTAR NO MUNDO, modo de ser e conviver. Daí que DEBATER POLÍTICA É DEBATER ECONOMIA!

NÃO DÁ TAMBÉM PARA SERMOS NOSTÁLGICOS pensando numa volta ao passado, isso não existe. O fordismo não volta mais, nem as formas de estado de bem-estar social do pós-guerra. Hoje temos outros tipos de paradigmas industriais (concretos e imaginados), para o bem e para o mal (tem sido para pior, na VALORIZAÇÃO DO VALOR) e as tecnologias de comunicação e informação estão aí, já há três décadas, impactando nossas vidas. ISSO PARA PIOR, o que nos leva a indagar, tantos artefatos novos e mais problemas de desigualdades, pobreza, injustiças, destruição do meio ambiente etc.?

Resumindo: um país como o Brasil com a economia parada há seis anos, sem projeto de desenvolvimento e industrialização (já que um e outra se pressupõem), sem perspectiva alguma, enfim, com esse governo, que só quer armar a população, a sensação é a de que, nas ruas, barulho de motocicleta se aproximando ou é o triste recrudescimento da PRECARIZAÇÃO DOS TRABALHADORES pela “uberização” e “ifoodização” (desculpem o trocadilho na prosódia em alusão aos fodidos escravos contemporâneos) ou é assalto iminente. Ou vamos ser ingênuos de acreditar que mais entregadores de comida circulando por aí, além de bares, restaurantes ou praias lotadas são sinônimo de economia aquecida e desenvolvida?

E Bolsonaro acha e engana quem que vai reverter essa gigantesca crise com AMEACINHAS?

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora