A Mulher ou o Cachorro?
Almir Forte
O século XXI nos trouxe muitas novidades, inovações tecnológicas somente imagináveis pelos grandes ficcionistas como Júlio Verme, Arthur C. Clarke, Isaac Assinov, H.G. Wells, George Orwell e muitos outros que nos levaram a imaginar um futuro para a humanidade.
No Brasil desse inicio de século, a humanidade não para de nos surpreender com fatos que vão além da nossa imaginação, como aqueles que um dia ousaram pensar e se dizer superiores aos demais animais nos autointitulamos os senhores de todas as espécies.
E seguindo a ficção, chegamos em Cachoeiro, capital Secreta do Universo, onde tudo é permitido e ao mesmo tempo proibido. Mas, quem decide o que pode ou não ser feito? Qual autoridade? O Rei? A Rainha? O Prefeito? O Bispo ou o Delegado?
Alguns critérios adotados em Cachoeiro podem surpreender, não pelo fato em si, mas pela forma como são tratados pela sociedade Cachoeirense e intergalática, pois sendo a Capital Secreta do Universo, os fatos aqui ocorridos tem sua importância superdimensionada.
O assassinato de um comerciante, de um traficante, de um jovem, uma ou mais mulheres agredidas, mortas ou violentadas são notícias que algumas pessoas consideram coisas normais e justificam dizendo que é fruto de nosso desenvolvimento, coisa de cidade grande.
Somente neste ano, segundo a imprensa, a Delegacia de Defesa dos Direitos da Mulher registrou mais de mil e duzentas ocorrências de violência contra a mulher. Isso significa que algo em torno doze por cento das mulheres cachoeirenses sofreram algum tipo de constrangimento.
Mas, o fato mais emblemático foi o caso de uma senhora cachoeirense que espancou seu cachorro, alguém filmou e colocou na internet, chamaram a polícia, levaram a mulher para a delegacia e socorreram o cachorro. A repercussão ultrapassou as fronteiras de nossa cidade e chegou a “grande” casa dos nossos representantes estaduais, a Assembleia Legislativa.
A CPI de maus tratos aos animais, tendo como presidente a Deputada Janete de Sá e o vice-presidente Hércules Silveira veio a Capital Secreta na semana passada. Solicitaram reforço na segurança da Câmara Municipal para ouvir o Delegado, a mulher agressora e o cachorro. Na acareação, o cachorro reconheceu a mulher e ficou nervoso, segundo a imprensa, e a mulher chorou e pediu desculpas.
Não sou defensor de qualquer tipo de violência, seja contra pessoas ou animais, no entanto, não tenho nenhuma lembrança de qualquer CPI Estadual ou Federal que tenha vindo a Cachoeiro debater o auto índice de violência contra a mulher.
Será que para nossos representantes estaduais um cachorro tem mais valor que uma Mulher? Uma violência contra um cachorro fere mais que mil e duzentos atos de violência contra a mulher?
Com a palavra, nossos deputados.
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