5 de junho de 2026

A difícil tarefa de culpar com isenção na atual tragédia brasileira, por Francy Lisboa

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por Francy Lisboa

A incapacidade de enxergar o novo não deveria ser crítica proferida por ninguém. O novo foi cantado em verso e prosa quando cartazes diziam não ser por apenas duas dezenas de metal. Quem ali viu o novo não foi capaz de prever que o nascido despertar tiraria das sombras ratazanas suíças, e como a dimensão, o plano vivente,  mudaria para cenário de pesadelo antidemocrático.

Isso diluía a dívida dos patrocinadores do gérmen do golpe? Claro que não, mas por questões de simplicidade, a objetividade jornalística precisa ser reducionista para que a história seja mais palatável.  Predições sempre foram e sempre serão perigosas, e a culpa das desilusões deveria ser encarada com a frustração devida, não há jeito, todos tem sua parcela de culpa.

Sim, infelizmente, dizer que o partido que esteve na presidência da República desde 2003 cometeu erros é chover no molhado. Cobrar autocrítica como “se só o bem lhe quisesse” adiantaria tanto para a mudança do cenário sombrio no qual nos encontramos quanto gritar dentro de um trem com janelas abertas.

Tempos atrás, aqui mesmo nesse espaço, houve um texto dizendo que uma das formas de contemporarização é justamente a diluição de culpados. Obviamente, isso é assumir que culpar é um ato de escolha e não de análise sóbria que usualmente vai contra aquilo que se quer: simplificar para adequar a uma narrativa.

Mas é claro, o partido que não está mais na presidência não pode ficar culpando a mídia, a PF, o Judiciário. Ele deve concentrar toda a culpa pelo desvio de moralidade alheia. Esse discurso é útil, pois, como disse, facilita a construção de um enredo. A nossa natureza punitiva explica isso, mas ao mesmo tempo dá pistas de o porquê de não tirarmos as vendas para enxergar uma verdade inconveniente, em especial para os telecomunicadores: culpar com isenção é complexo demais para atender o desejo de simplificação.

Nossa simplificação, nós mais a esquerda, é associar ao mau qualquer ideia da Direita. Isso simplifica as coisas. Bem, a Direita, por sua vez, também simplifica e muito, em um nível que ultrapassa muitas vezes a barreira do absurdo para fazer surgir o ridículo. No final, tudo é o mesmo,  simplificar para adequar a nossa narrativa.

O cenário brasileiro não permite essas simplificações de que tudo é culpa da miopia política do PT, pode até ser justificável sobre o ponto de vista da narrativa mais fácil da imparcialidade. Aliás, isso é ponto a ser lembrado. O Governo é do Sindicato dos ímpios, mas a narrativa buscando a imparcialidade está levando certo tempo para perceber que o PT já apanhou o suficiente. Talvez, depois da consumação do golpe, o Partido deixa de ser o foco central da simplificação do cenário brasileiro e ceda o bastão para um sei lá quem.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. noctivagovago

    20 de agosto de 2016 2:22 am

    É isto…
    Quem viu ( e classificou ) espontaneidade naquelas ruas de 2013, fica calado e perplexo com o silêncio delas diante de Temer e Cunha, em 2016…

    Camarão que escreve ( e dorme ) sem ler, a onda leva…

  2. Bonobo de Oliveira, Severino

    20 de agosto de 2016 4:07 pm

    A tragédia atual é permanente…

    O texto parece um tanto complexo para a limitada capacidade de compreensão de um primata. Então vale propor uma reflexão sobre o tema. A tal tragédia que nos assalta perplexos e estarrecidos pode ter cores, atores e narrativas diferentes, mas o fulcro é o de sempre e permanente. O amaldiçoado governo que teve início em 2003 já iniciou-se demonstrando a sua fragilidade política porque, para ser aceito, teve que pedir permissão e declarar publicamente a garantia de “não mexer em contratos”! Se não o fizesse talvez já fosse naquele momento vitimado pela regra do Carlos Lacerda. Não pode ser candidato, se candidatar-se não pode ser eleito e, se for eleito, tem que ser derrubado. Nas cláusulas complementares não publicadas daquele contrato talvez estivessem contempladas garantias para as concessões públicas de canais de comunicação e certamente estavam as garantias de preservação das aberrações instituídas pelos agiotas rentistas, consistente na fraude chamada de “Dívida Pública”.Que a Professora Maria Lucia Fattorelli diz, com muita propriedade, que é a maior ação de corrupção já havida no país. A promessa de “paz e amor” só foi aceita porque era certo e sabido que o governo da senzala não duraria um mandato. Já em 2005 entraram em campo os capitães do mato da Casa Grande para garantir que não chegaria vivo em 2006 o movimento político desalinhado com seus interesses de donatários da Capitania. Mas, porém e todavia, o Governo do nordestino, semi-analfabeto, sem dedo, foi um sucesso extraordinário em todos os segmentos da administração pública federal. Alguns estudiosos mais arrojados ousariam dizer que foi o primeiro GOVERNO FEDERAL havido no país, desde os tempos das Capitanias. A Casa Grande tolerou e ruminou, mas nunca engoliu a administração daqueles comunistas que fizeram aumentar os salários das mucamas que lavam as fraldas dos bebes bem nascidos e encareceram os custos dos porteiros dos edifícios. E estancaram a migração da mão de obra barata que vinha lá do nordeste. As forças da sociedade que foram mobilizadas contra a nova “intentona comunista” são as mesmas que levaram Getúlio ao suicídio em 1954 e depuseram Jango, em 64. O que se abate hoje sobre o país é a mesma tragédia permanente que nos assola há mais de 70 anos. 

  3. LF Pereira

    20 de agosto de 2016 6:16 pm

    ??????????????????

    Texto bobo. Diz nada. 

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