
por Matê da Luz
Sábias palavras vêm, usualmente, de pessoas felizes. E eu, sortuda que sou, tenho algumas destas pessoas presentes (em ambos os sentidos) na vida.
E daí que fui encontrar o pessoal feliz do Ceará e mal via a hora de apresentar a Clara, vida da minha vida, pra eles. Só que levei a mocinha pro samba, feijoada e calor humano num momento (de idade, de sono e de tantas coisinhas mais) um pouco inapropriado.
Chegamos, comemos, demos beijos e abraços e logo aquilo ficou chatinho pra ela. Eu, que me divertia de monte, fiquei incomodada ao perceber a pessoa incomodada. E errei feio: briguei, achei que deveria se esforçar pra ficar feliz e acabei estragando o momento – poderia simplesmente ter me contentado em estar feliz ali e, ah, é a vida, nem sempre dá pra todo mundo estar feliz ao mesmo tempo, ficar mais um pouquinho e fim.
Mas não. Fiz que fiz que deixei a Clara triste, fiquei triste e assim foi.
Daí, no caminho de volta, com toda a sabedoria que só uma filha com tanto amor tem, ela me diz: “mãe, eu acho que você precisa relaxar um pouco. Aliás, precisa relaxar muito. Fica nessas de querer fazer tudo perfeito – trabalho, em casa, comigo, com todo mundo – que esquece de curtir. Se eu quisesse uma mãe perfeita, comprava um Barbie-mãe”. E me desmontou. Porque ela sabe, mais do que ninguém, que eu me cobro muito mesmo e que esta cobrança toda só pode resultar em insatisfação – uma vez que acabo querendo me superar, que o bom nunca está bom, coloco os olhos no ótimo e esqueço a máxima do “simples e feliz”. Complico e me estrumbico.
Sábio tio Euvaldo que, querido que ele só, acolheu minha neninha e disse: “calma, Clarinha… um dia as mães amadurecem”. Mais um dos momentos compartilhados e inesquecíveis com essa gente que canta e é feliz.
Play!
maria rodrigues
8 de agosto de 2016 12:47 pmNão tive a sorte de poder ser
Não tive a sorte de poder ser mãe, porém sempre amei demais as crianças pela forma pura e sincera de todas elas. Sempre que estive ao lado dos sobrinhos ainda crianças percebia que eles tinham muito mais a me oferecer que o contrário. Eles são atentos a tudo. Ouvem e enxergam como os pássaros. Às vezes, sem nem bem saber falar direito, dizem coisas que impressionam demais os adultos.
Um dia, minha irmã diridia com a filha muito pequena no banco traseiro. De repente, a menina se saiu com esta: “Mamãe você é uma debi mental”.
A garota estava recriminando a mãe por andar em alta velocidade nas ruas de Brasília. Certamente reproduzia o que ouvira pela televisão.
Assim são as crianças, que amo de paixão.
As mães amadurecem, sim, pelo simples fato de conviver com seus filhos.