5 de junho de 2026

Jornalismo da PUC-SP repudia revista Veja

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Jornalismo da PUC-SP repudia revista Veja

“O Departamento de Jornalismo da PUC-SP repudia, nos termos mais veementes e inequívocos, a capa da edição 2.530 (17.mai.2017) da revista semanal Veja.

A capa traz a reprodução de uma foto em preto e branco de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, morta em 3 de fevereiro de 2017, com a manchete “A morte dupla” e uma legenda “explicativa”: “Em seu depoimento ao juiz Moro, Lula atribui as decisões sobre o tríplex no Guarujá à ex-primeira-dama, falecida há três meses”.

O que há de errado em atribuir à própria esposa e companheira uma decisão qualquer que afete a vida da família? Nada, absolutamente nada – a menos, é claro, que a revista parta da premissa de que as supostas “decisões” atribuídas a dona Marisa tenham envolvido ações ilegais, e que Lula tenha se aproveitado do fato de que sua mulher está morta para jogar-lhe o peso da responsabilidade por tais supostas ações.

A revista, portanto, já fez o seu julgamento. Já lavrou a sentença condenatória: Lula adquiriu o tríplex como propina, e para se livrar da cadeia manchou a reputação de dona Marisa. Não contente com se antecipar à Justiça, assumindo o lugar do júri e do carrasco, a revista ainda se arroga o direito de interpretar as motivações mais íntimas de Lula, e expor a sua figura à execração pública da forma mais vil, covarde, inaceitável e desumana.

É a revista Veja, não Lula, que pisoteia sobre o cadáver daquela que, durante oito anos, foi a primeira-dama de nosso país. Ao atacar a memória de dona Marisa, a revista fere o sentimento de dignidade do povo brasileiro. A exposição de sua foto, na capa, cumpre a função de punir exemplarmente, a exemplo dos rituais da Sagrada Inquisição, uma mulher simples, do povo, que cometeu a ousadia de ocupar o Palácio do Planalto. A Casa Grande não perdoa.

Quando todos achavam que nenhuma vileza superaria a capa da própria revista Veja de 26 de abril de 1989, dedicada ao cantor Cazuza – “uma vítima da Aids agoniza em praça pública” -, a revista prova, mais uma vez, que não há limites para a patifaria, para a infâmia e a ignomínia.

São Paulo, 12 de maio de 2017″

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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6 Comentários
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  1. Marcos Antônio

    13 de maio de 2017 1:27 pm

    Não tinha nada contra as

    Não tinha nada contra as Lojas Marisa, mas depois de surfar nessa onda – passei a vê-la negativamente!

  2. maria rodrigues

    13 de maio de 2017 1:34 pm

    Mônica Yosi se colocou contra

    Mônica Yosi se colocou contra as Lojas Marisa pelo absurdo cometido com um cartaz instigando o povo a odiar Lula. Para a artista, não se trata de defender Lula, mas de respeitar uma falecida, mãe e avó. 

    Cada dia mais eu fico impressionada com o que sai nas redes sociais e imprensa contra Lula. Quererem, agora, porque a mulher está morta, e morta por não ter aguentado a pressão da imprensa e de Moro, se valerem do depoimento de Lula para jogá-lo no canto onde homens não tem respeito pelas suas esposas, é o máximo da violência a quem sempre demonstrou por atos e fatos ter sido um marido, um pai e um avô exemplares, coisa impossível de ser apagada da memória do Brasil.

    Se um dos filhos de Lula entrasse nas lojas Marisa e rasgasse esses cartazes, por certo seriam presos, mas nem dá pra imaginar o que se passa na cabeça de Lula e de todos da família com essa avalanche de mentiras.

     

  3. Lucio Vieira

    13 de maio de 2017 1:38 pm

    Pessoas com o mínimo de decência e dignidade pediria para sair

    Há muito que a chamada grande imprensa está em decadência, sejam em números, interesse ou capital. Vive de algo que ainda é fácil de fazer: acabar com coisas e pessoas. Não notam que a cada dia estão acabando com o “campo” para arar. Cada vez vão perder espaço mesmo nas mídias novas. Há mais de 30 anos que assinei pela última vez a veja (em minúsculo prefiro anotá-la. Não merecem o maiúsculo). Hoje assim como faz muito tempo que não preciso para deformar minha paz interna dos programas da globo e assemelhadas, evito me ater demais aos portais dos grandes grupos. Nem falo da questão do mau jornalismo que fazem. O problema ainda maior é o de deformação de caráter que podem estar a promover junto aos que estão lá dentro destas redações. Nem falo dos de mais idade pois se já lhes convém há muito agir assim, difícil demais mudá-los. O que me dói é pelos jovens. Que ambiente ruim para quem ainda tenha um ou outro idealismo com relação a estar contribuindo a criar um mundo melhor, participando de uma atmosfera de ódio, falsidade e mediocridade.

  4. Antonio Uchoa Neto

    13 de maio de 2017 2:06 pm

    Está na hora de uma carta

    Está na hora de uma carta aberta aos jornalistas – e apresentadores – da grande mídia.

    Um apelo à consciência de todos – afinal, todos sabemos que é necessário, para sobreviver, vender nosa força de trabalho, pelo menos enquanto ainda há quem a queira comprar – mas não é necessário incluir a consciência no pacote.

    Sei que é terrível ficar desempregado – eu estou, tenho 54 anos e não tenho formação superior – e espero que jamais tenha que, de alguma forma, me emascular, seja como for, para ter um emprego.

    Mas essa situação está ficando intolerável, para quem tenha um mínimo de consciência e formação moral.

    Não se está a querer simpatia por esta ou aquela tendência política, este ou aquele político, esta ou aquela visão de mundo – mas, simplesmente, um mínimo de consciência, o que hoje, só é possível  conservar rejeitando, com firmeza, qualquer  espécie de submissão – vale dizer, escravidão –profissional, como a que estes jornalistas estão se submetendo.

    Evidentemente há, entre estes, os que concordam com a linha de seus empregadores, seja por convicção, ou ignorância, mas é visível que inúmeros deles estão desconfortáveis.

    Deixem os estagiários proliferarem nas redações, saiam desse ambiente degradante, tornem-se livres, independentes!

    Não submetam suas consciências a essa absurda emasculação!

    Não vendam suas consciências!

  5. Rpv

    13 de maio de 2017 2:07 pm

    Não basta indignação é preciso um combate permanente

    Não há limites para o lucro e o poder.

    O poder só se controla com equilíbrio de forças.

    Só espero que essa iniciativa de se opor a Editora Abril não seja fugaz, pois, nesse caso será totalmente infrutífera. Não abalará em nada o que ainda resta do poder dessa empresa.

    Ou seja, se queres controlar o poder te coloque diante dele como uma muralha da China e não uma manifestação esporádica, que, se assim for, não passará de um traque.

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