A liderança da manifestação verde amarela que tomou conta da Avenida Paulista desde quarta-feira tem uma forte razão para continuar lá. A repórter do Valor Econômico Cristiane Agostine informou (17/3) que a FIESP está a oferecer almoços gourmet para organizadores da manifestação conservadora: “filet mignon, massa, torta, purê e arroz”, constatou a repórter para o mesquinho jornal. Que não permitiu que copiasse e colasse o caro menu desses “manifestantes” boa vida.

Crédito Foto: Janaína Garcia
Não é a toa que ninguém quer sair de lá. Com o quilo do filet-mignon a variar entre R$ 82,00 e R$ 44, 95 na região de São Paulo, quanto custou o almoço de cada manifestante? A FIESP é uma organização traiçoeira e um dos pilares da atual tentativa de golpe contra o regime democrático. Que segue firme e ainda ameaça a democracia. O comentário valioso do Valor é o que se chama em jornalismo de “matéria de cor”. Servem para dar brilho e contexto a outros conteúdos mais sérios. Relaxam os leitores com detalhes curiosos. Desta vez, a cobertura da Cristiane invadiu territórios editoriais que escapam à política editorial do periódico.
A assessoria de imprensa da FIESP assumiu a condição da instituição empresarial como “a casa do impeachment de Dilma”. Ela conversou com Bruno Balestreiro, 27 anos, ator e administrador de empresas. Que passou a noite na avenida e filou o almoço da FIESP. Ele – informou Cristiane Agostine – conversou com um “representante da FIESP”. Que reiterou o apoio da entidade aos manifestantes e ao impeachment de Dilma Rousseff. “Não foi estrutura nenhuma”, informou Bruno. “Foi só uma gratificação”, declarou o rapaz. “Foi uma boa ação de uma entidade como a FIESP”.
A manifestação segue a logística diária da FIESP. Ampliada para espalhar seu cardápio do dia aos líderes dos manifestantes da classe-média paulistana que protestam contra Dilma e “tudo isso que está aí”. O ator a administrador também disse que manifestantes conseguiram fechar os dois lados da Avenida “com a ajuda da PM”, publicou o Valor.
O Globo, no mesmo dia, noticiou que a FIESP negou ter oferecido almoço a manifestantes. No mesmo artigo, desmentiu a si mesmo:
“A FIESP diz que ofereceu almoço para lideranças de movimentos de rua que participam de reuniões na entidade na condição de parceiros em atos pró-impeachment. Ainda segundo a Fiesp, foi montada uma espécie de estação, um ponto de almoço. A comida servida foi a mesma oferecida aos funcionários. Nesta quinta-feira, o cardápio teve carne com purê de batata e massa (penne ao sugo)”.
Em março do ano passado (13/3), o Valor Econômico e a mesma repórter acusaram os manifestantes pró-Dilma de receberem R$ 35,00 para comparecerem a manifestação pró-governo. Foram 320 mil “curtidas” no Facebook em 2015 na matéria sobre o pobre lanche para gente simples. A matéria sobre o banquete dos verde amarelos rendeu apenas 18 mil na mesma rede este ano.
Dois pesos e duas medidas para dois Brasis: um lanche pobre e algumas caronas em boléias de caminhões causaram furor na burguesia paulistana em 2015. A imprensa e o público encheram-se de indignação. O apoio luxuoso da FIESP aos manifestantes da Avenida Paulista este ano foi “uma boa ação”. Não causou espanto ou desconforto a ninguém.
Que ninguém se assuste com os resultados quando o Brasi do filet-mignon encontrar o país da mortadela e refrigerante. A desigualdade que vai ditar os acontecimentos na manifestação do PT é a mesma que divide o país entre democracia e golpismo.
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