5 de junho de 2026

O Brasil precisa enfrentar a demonização dos impostos, urgente! Por Francy Lisboa

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por Francy Lisboa

As notícias sobre a “falência” do sistema de saúde são tão velhas quanto os nossos tataravôs. Diuturnamente somos bombardeados por tragédias pessoais que se unem em torno da falta de investimento na saúde. De fato, peço que a sorte me atenda principalmente quando o assunto for saúde. Sim, porque não dá para depender do SUS e muito menos da chamada saúde suplementar.

O cenário inquietante para todos aqueles que prestam atenção no reclamar cotidiano do manicômio Brasil é aquele em que os patrícios tupiniquins acreditam que pagamos impostos demais. Essa cantinela é puro veneno, é entidade ruim que se apossou do imaginário brasileiro há anos para, convenientemente, lhe aliviar do diabo que insiste em aparecer diante do espelho toda a vez que é confrontado com sua própria ignorância.

A frase de que não existe almoço grátis serve para todas as facções. Não é possível termos saúde sem dinheiro, não é possível termos atendimento digno sem impostos. Nada vem de graça no contexto, gostemos ou não, capitalista. Então, por que gritar chega de impostos e ao mesmo tempo pedir saúde universal de boa qualidade? Será que somos tão malucos assim? Será que no fundo acreditamos que para ter dinheiro basta rodar as máquinas da casa da moeda por algumas horas e pronto?!

Há quem acredite que a corrupção é o motivo das pelas mazelas na saúde. Sim, concordo, mas não apenas a corrupção daqueles que exercem cargos eletivos, os demonizados políticos. Gente, não dá porque NÃO HÁ DINHEIRO SUFICIENTE, somado à falta inerente de escrúpulos daqueles que compõem essa banda triste e que atuam como personagens diretos das tragédias da saúde brasileira. Certamente não há registro sobre isso, mas aqui vai: a má vontade já matou muita gente buscando atendimento no SUS.

Nesse ponto surge a questão: dinheiro compra boa vontade? Melhorando: melhores salários e condições de trabalho são capazes de direcionar o ser humano do desprezo até a empatia? Essas questões sempre surgem porque a todo momento é possível detectar centros de tensão que poderiam ser resolvidos com a simples vontade de fazer, fazendo com que seja duvidosa a tese de que basta ter dinheiro para as coisas andarem. Contudo, nesses focos de tensão os beligerantes têm discurso comum para a questão fiscal: o Brasil tem muitos impostos.

Onde nós costumamos identificar a aplicação de impostos? Saúde e educação são lugares comuns, mas a aplicação do dinheiro tributado está em milhares de coisas que nem mesmo enxergamos. Dito isso, façamos o exercício de imaginar um Brasil livre de impostos como o senso comum, fruto do “Exu Tranca Tributo” demonizador de impostos, objetiva. A partir de agora, por alteração da Carta Magna, o Estado não cobraria mais impostos de seus cidadãos e todos os serviços outrora fornecidos seriam deixados a cargo da iniciativa privada, do Mercado.

Em resumo, isso seria a declaração de que a partir de agora é cada um por si e a sorte por todos. Os vencedores poderão ter saúde de ponto, na medida que paguem. Os vencedores poderão manter seus filhos em boas escolas, na medida que paguem. Os vencedores poderão mandar suas crias para estudar no estrangeiro, na medida que paguem. Enfim, LIBERDADE PLENA! Um Brasil sem impostos.

Posso até vislumbrar os milhares de trabalhadores enfim teriam dinheiro para custear todos esses sonhos de consumo. Sobraria dinheiro, afinal, não há mais o leão devorador. O Estado foi resumido e com ele os grilhões ao seu serviço. Que não podia agora pode. Maravilha, um mundo capitalista onde só vencedores existiriam, campeões por serem capazes de manter-se por si só, sem aquilo que o Estado que o estado chamava de imposto.

É preciso falar sobre isso. É preciso que o Brasil enfrente um dos seus principais sintomas de ignorância: a demonização dos impostos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. Vladimir

    28 de fevereiro de 2016 1:14 pm

    A demonização dos impostos

    A demonização dos impostos tem dois lados perversos e de mesma origem: De um lado,os ricos,que não querem e fazem de tudo para não pagar os impostos (vide CARF),de outro,os pobres,que se äpropriam”do discurso dos ricos porque não podem pagar impostos.

    O grande xis da questão está na elevação da base de contribuintes que somente será alcançada com a melhor distribuição de renda e crescimento econômico.

    O presidente Lula sempre disse,de forma irônica,que o sonho do trabalhador brasileiro era pagar imposto de renda pois,no dia que ele pagasse imposto de renda,ele sabia que estava pelo menos ganhando um salário minimamente justo.

  2. Andre Araujo

    28 de fevereiro de 2016 1:15 pm

    A carga fiscal no Brasil é a

    A carga fiscal no Brasil é a mais alta entre todos os emergentes e boa parte dos impostos arrecadados são usados para pagar supersalarios de até 600 mil por mês nos poderes Legislativo e Judiciarios, só na Camara há 2.300 supersalrios,

    a Assemnleia Leislativa do Rio, SP e Minas há 1.500, é dinheiro perdido igualzinho ao da corrupção. O Judiciario brasileiro custa seis vezes mais em relação ao PIB que o da Alemanha.

    A carga fiscal do Mexico é 22% do PIB, a do Brasil é 38,6% mais 5% de defict que aumenta a divida publica, dá 43,6% do PIB.

    1. Francy Lisboa

      28 de fevereiro de 2016 2:04 pm

      Então quer dizer que a

      Então quer dizer que a dinheiro suficiente per capita para atender ao paternalismo de cada brasileiro?

      Se há então por que de não termos serviços decentes?

      A gente bate no peito para dizer que somos meritocráticos, mas se formos deixados a nossa prórpia sorte seria uma catástrofe regada de muito, mas muito choro.

      O território brasileiro merecia uma gente mais coesa…

  3. Bobo

    28 de fevereiro de 2016 1:50 pm

    Imposto é taxa, sem organizar

    Imposto é taxa, sem organizar as taxas na figura do estado que é baseado no interesse público o interesse privado se apropriaria de realizar a taxação das coisas sem limite, por exempl quer atravessar uma estrada que está no terreno de alguém? 1000% ou não passa. Ou seja são contra o estado organizar os impostos para criar tributação privada para viver sem ter que trabalhar.

  4. ST_Gardot

    28 de fevereiro de 2016 3:28 pm

    Dinheiro dos Outros…BOM DEMAIS !!!!!

    Quanta bobagem escrita por gente que consumiu dinheiro público em sua educação…triste…

    Vê se apende a lição com a velha senhora…mil anos luz da ignorância pátria…um dia teremos essa consciência no povo brasileiro.

     

    https://www.youtube.com/watch?v=WFIN5VfhSZo

  5. Pedro Mundim

    28 de fevereiro de 2016 6:55 pm

    Impostos são uma necessidade, mas…

    O Estado, para funcionar, precisa de impostos, já que não cria riqueza. Isso é ponto pacífico: como diz o ditado, as únicas coisas inexoráveis que existem são a morte e os impostos. Mas não existe uma fórmula mágica para se calcular a alíquota ideal, isso depende do grau de competência e honestidade dos governos para administrar a receita de impostos. Em países como os da Escandinávia, onde a excelência da administração é reconhecida, é possível ter alíquotas da ordem de 50%. Mas em países como o nosso, onde a competência e a honestidade do governo são aquelas que conhecemos, é preciso lutar para que as alíquotas sejam as mais baixas possíveis, de modo que a poupança do país fique nas mãos de quem é capaz de empreender e não seja drenada para o bolso de ladrões que só sabem criar empregos para parentes e contratar empresas de amigos.

    O fato da carga fiscal do Brasil ser significantemente mais alta que a dos demais países emergentes é sinal suficiente de que alguma coisa está muito errada aqui. Quem defende o aumento da carga fiscal para acabar com a pobreza do país por certo acredita que o dinheiro dos ricos está todo embaixo da cama, prontinho para ser confiscado e transformado em escolas, hospitais e estradas. Ocorre que o dinheiro dos ricos está aplicado de várias maneiras, e quem confisca-lo joga na pobreza todos aqueles que dependem direta ou indiretamente da forma como aquele dinheiro está aplicado.O que é melhor para o país: que a poupança nacional fique nas mãos de quem é capaz de criar riqueza, ou nas mãos de quem só sabe dilapidar riquezas?

    1. Francy Lisboa

      28 de fevereiro de 2016 7:48 pm

      Em países como os da

      Em países como os da Escandinávia, onde a excelência da administração é reconhecida, é possível ter alíquotas da ordem de 50%. Mas em países como o nosso, onde a competência e a honestidade do governo são aquelas que conhecemos, é preciso lutar para que as alíquotas sejam as mais baixas possíveis, de modo que a poupança do país fique nas mãos de quem é capaz de empreender e não seja drenada para o bolso de ladrões que só sabem criar empregos para parentes e contratar empresas de amigos.

       

      Há uma diferença gritante entre os escandinávos e nós: eles não tem o diabo no espelho. A velha argumentação de governo isso o governo aquilo é sintomática de um paternalismo instrínseco. O governo escandinavo é bom porque o povo não é corrupto.

      1. Pedro Mundim

        29 de fevereiro de 2016 1:40 am

        Concordo

        Concordo. Antes de pensar em aumentar os impostos, os brasileiros precisam aprender a ser honestos. E isso só se aprende no dia-a-dia, nas mediações de pessoa para pessoa e de empresa para empresa, sem a intermediação de um governo corrupto. É por isso que enquanto o povo não aprender a ser honesto, os impostos têm que ser pequenos para manter pequeno o Estado, personificação maior da falta de escrúpulos de seus eleitores.

  6. V. Lara

    28 de fevereiro de 2016 7:20 pm

    Liberais são criaturas
    Liberais são criaturas curiosas. Não estudam história e se recusam a observar a realidade que não se encaixa em seus dogmas.

    Primeiro, para mostrar como as grandes potências se tornaram países desenvolvidos em uma perspectiva histórica, recomendo a leitura do livro Chutando a Escada, disponível para leitura gratuita em português em pesquisa no google.

    Segundo, para os que acreditam nesses contos da carochinha contados pelos liberotários recomendo a entrevista da Mariana Mazzucato na Globonews, onde ela mostra como boa parte das tecnologias modernas como internet, GPS, tela touch, Siri, etc. foram desenvolvidas com recursos públicos:

    https://youtu.be/EWyrZYFPO3w

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