5 de junho de 2026

O lado de dentro é sempre o mais bonito, por Matê da Luz

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O lado de dentro é sempre o mais bonito, por Matê da Luz

Ando encantada com um aplicativo de meditação que uma amiga apresentou, chamado Headspace. Consegui finalizar o primeiro turno de meditações diárias e tenho sentido vontade de meditar, veja bem, logo eu que sou tão agitada! Este movimento de olhar pra dentro tem tomado um tanto do meu tempo desde o ano passado e, confesso, a agitação que me é peculiar causa tumultos quase impossíveis de apaziguar – é um tal de querer fazer e acontecer que briga com a necessidade (inclusive a física!) de ficar mais recolhida, gostando de mim em silêncio. 

Daí que além de tudo isso, o aplicativo tem um blog delicioso com textos desses que poderiam ter sido escritos por mim, sabe, cheios de emoção e soluções prósperas e escolhi um deles pra compartilhar com vocês. Ele está em inglês neste link aqui e, enfim, vale dar uma olhada nos conteúdos de amor que eles postam por lá. Traduzi por aqui com a rapidez de quem precisa postar logo, então me dêem um desconto, combinado? 

Aproveito pra dizer que concordo com tudo o que a fofinha que escreveu o texto falou, achei de uma delicadeza e olhar amoroso que só. 

Redes sociais e auto-preservação
por Anne Sage 

2013 foi um ano difícil. Mudei de São Francisco para Los Angeles. Abri mão do negócio próspero que eu tinha ajudado a construir. Encerrei meu casamento.

Hoje, contatos profissionais ainda me convidam para eventos na Bay Area, em SF, e se surpreendem ao saber que eu não vivo lá há quase três anos. Novos colegas expressam choque quando me digo como o co-fundadora de um portal online bem conhecido. E conhecidos casuais lidam com descrença quanto à revelação de que não apenas sou divorciada, mas que já fui casada, em primeiro lugar.

Antes do surgimento das redes sociais, eu não teria esperado que ninguém, exceto meus amigos mais próximos, soubesse dos detalhes íntimos de minha vida. No entanto, à medida que cada vez mais transmitimos nossas minúcias diariamente para uma rede cada vez maior de seguidores vagamente conectados, não é inimaginável supr que nosso cabeleireiro saiba dizer o que comemos no café da manhã antes mesmo de sentarmos em sua cadeira. Leve em conta ainda o fato de que desde 2008 eu adquiri um pequeno grau de reconhecimento na internet através do meu blog de estilo de vida diário The City Sage, e parece estranho o fato de que esses pontos cruciais da minha história pessoal se mantenham relacionados.

No entanto, um olhar para trás em meu feed do Instagram partindo desse momento tumultuado não revela nada sobre meu divórcio, sobre minha revolta na carreira ou o caos emocional que veio com ambos. A galeria de fotos se parece mais com um almanaque modernoso de uma dona de casa – rosas! cafés chiques! lojinhas bacanas! – do que tem gosto da realidade de luto que eu vinha experimentando. Não há nenhuma menção das farras pra mais de meia-noite, do tanto de junk food ou dos acessos de choro no chão do banheiro, os cheques devolvidos ou os pedidos de crédito rejeitados. Dado o verniz brilhante que eu filtrei sobre as minhas lutas, não é de admirar que poucos fora do meu círculo íntimo sabem que eu era uma bagunça absoluta por mais de dois anos.

É possível rolar para trás para essas fotos e misturá-las com uma questão que tem atraído muita atenção ultimamente: as preocupações sobre o FOMO (fear of missing out – medo de perder) e a pressão que o acompanha para que seja projetada uma imagem on-line impecável, dessas que desafia a realidade. E, na verdade, eu sou a primeira a admitir que grande parte desses registros filtrados veio do desejo de esconder minha verdadeira imagem. No entanto, em retrospectiva, hoje eu ​​posso dizer que este desejo surgiu em menor grau quanto ao que pensa o mundo externo do que a manutenção um profundo senso de auto-preservação. Mais do que eu gostaria de ter likes e comments, eu desejava a paz de cura da privacidade.

Colocando claramente, eu não estava pronta para contar a minha história. Nem era exclusivamente minha para dizer a verdade. As relações recentemente alteradas eram tênues demais, os laços recém-cortados ainda eram muito crus. Então eu recuei por trás da parede que nos protege dos meios de comunicação online e me protegi. Eu experimentei o prazer de tirar fotos do sol dando-lhes legendas incisivas, descoloridas por minhas sombras interiores. Enquanto isso, eu fazia morada na minha vida sem amor, sem trabalho. Tudo isso refletiu na busca de um futuro mais calmo, em detrimento a um passado super-exposto. Minha restrição on-line representava uma expressão do cuidado e respeito que eu tinha anteriormente negado meu casamento, meus parceiros de negócios, e eu mesma; e minha determinação em manter uma presença otimista nas redes sociais inspirou uma busca contínua de motivos para sorrir. Surgiu, a partir deste momento contemplativo, a parcepção sobre como eu não era presente em meus valores, minhas responsabilidades, e sobre o peso da minha intenção de deixar um legado positivo ao longo da minha memória da Internet.

Em nossa atual obsessão cultural com chavões como “autenticidade” e “transparência”, nos esquecemos de que há um tempo e um lugar para arejar a nossa dor e que a Internet não é sempre o melhor deles. Enquanto vulnerabilidade pública pode realmente diluir os efeitos de isolamento de FOMO por nos aterrarmos na experiência comum, uma base igualmente sólida nos espera quando removemos nossos corações de nossas mãos em fúria para digitar e o transportamos para nossos peitos, afim de mantê-los quietinhos. Meu feed do Instagram daqueles anos difíceis não desafia a realidade, mas sim apóia uma poderosa verdade: que mesmo através de um véu de dor e confusão, podemos optar por buscar e compartilhar um momento de beleza. E que quando estamos vagando perdidos no escuro, até mesmo rosas e artes na espuma do café podem ser uma luz radiante no final do túnel.

Mariana A. Nassif

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2 Comentários
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  1. Georg Tuppy

    24 de fevereiro de 2016 2:33 pm

    Sobre meditação

    Cara Matê. Sou um velho praticante e estudioso das práticas meditativas. São realmente uma forma de aquietar a mente, viver com mais consciência , fazer menos mal a si e aos próximos. Se tiver interesse procure a Associação Palas Athena à Al Lorena em São Paulo ( eu moro em Araçatuba) . São pessoas honestas e sérias que entre muitas coisas boas ensinam as Práticas Meditativas.

    Abraços fraternos, Georg Tuppy

  2. Ze Guimarães

    24 de fevereiro de 2016 10:20 pm

    Meditar é ótimo

    O ser humano “civilizado” desenvolveu apenas o intelecto, que dá poder e riqueza. Mas a parte do cérebro intuitiva, que dá paz interior, equilibrio emocional, só pode ser desenvolvida com a intuição, que se manifesta com a meditação.

    Meditar é esvaziar a mente de pensamentos.

    Todas as coisas que são criadas pelo ser humano e tem beleza, harmonia  ou equilibrio, foram criadas pela intuição, pois o intelecto não é capaz disto. Desenvlover a intuição pelo esvaziamento dos pensamentos, é a solução para todos os problemas humanos sobre a Terra.

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