
Por Rui Daher
A fantasia ou o dinheiro, poderão perguntar os leitores deste blog. Prefiro não arriscar resposta. Dizem que dinheiro não se rasga, mesmo sendo louco. Hoje em dia, creio que fantasias também não. É um tal de “ele fez isso e recebeu aquilo … fiz não, recebi nada”. Vejo, assim, crescer a densidade populacional de fantasiados na Federação de Corporações.
Daqui a três semanas delatoras teremos o início do Tríduo de Momo, evento brincalhão, alegre, musical, dançarino e, também maçante, de acordo com a escolha que se faça.
Dizem que sua origem foi em Veneza, dias em que as pessoas saíam às ruas vestindo as mais diversas máscaras e roupagens.
O que começou na Itália veio dar no Brasil e, assim como no futebol, passamos a ter “o melhor Carnaval do mundo”.
Nem todos os povos aderiram ao costume veneziano. Aqui virou epidemia, ainda mais depois que nele entramos de cabeça, seios e bundas.
Por muitos anos foi gostoso, bonito, o povo foliando, fazendo cultura. Até que as cidades do Rio de Janeiro e Salvador resolveram enterrá-lo em cova rasa e a mesmice se espalhou. Falem aí, meus camarotes!
Mas isso não vem ao caso. Seria uma discussão muito complexa para modesto e desinformado blog.
Fato é que muitos acreditam existir Carnaval, o mesmo que se faz com Papai Noel, o fim da corrupção, e os cabelos de Ana Maria Braga. A crença vem de que, no Brasil, todo engodo faz poucos ganharem muito dinheiro.
Escrevendo a coluna de agronegócios para CartaCapital, a certa altura, distraí-me, e saí do assunto.
“Apesar de meu otimismo para 2016, na contramão (sempre) do que escrevem os colunistas “casa-grande”, o fundamental é ser criativo.
Dentro do espírito “Pequenas Empresas Grandes Negócios”, invista rápido em projeto de fabricação e venda de fantasias para o Carnaval inspiradas no “japonês bonzinho da Polícia Federal”. Tiro (ops) certo! Escrevam aí: vai pegar”.
Não corresponderia ao meu bom coração, justamente neste quarto de fundos que conta com a lealdade dos amigos, eu não entregar outras sugestões que, se não renderem dinheiro, poderão, pelo menos, trazer alguma galhofa às marchas expedicionárias da Globeleza.
BANCO CENTRAL (Categoria Persistência): Máscara de Alexandre Tombini.
Na parte superior, a palavra SELIC com o símbolo % se desdobrando, como sanfona, pra frente, e na parte inferior, a palavra INFLAÇÃO e o % sanfonando no sentido inverso. Ideal para casais. Como nunca acontecerá, no momento do emparelhamento a transa será permitida.
BANCADA RURALISTA (Categoria Desinibição): Máscara de Ronaldo Caiado.
Cocar indígena, berrante preso na região anal, como fosse um rabo, que é de onde saem as ideias. Canga com os dizeres “impeachment já” e botas “colhões do Lula”.
INVEJA DE VIRA-LATA (Categoria Luxo no Itaquerão): Máscara de Neymar.
Peito nu flechado como o de São Sebastião. Adereços: na mão direita, cartaz com os dizeres: “Me deixem em paz”; na esquerda, “Juro ser pior que Messi e Cristiano”. No boné: “E que o Suárez também”.
CICLOVIA (Categoria Originalidade): Máscara de Jilmar Tatto.
Corpo inteiro pintado de vermelho. Na camiseta: “Eu não li Habermas, mas quem manda na cidade sou eu”. Demais cidades, a cor é livre, e o dístico sugerido: “Panturrilhas do Futuro”.
3,4 MILHÕES A MAIS É EMPATE (Categoria Efeitos Especiais): Máscara de Aécio Neves.
Na cabeça, um gira-gira que simula hélices. Tanga na forma de biruta de aeroporto (cuidar para que a ponta do funil fique para baixo). Camiseta “Eu amo Cláudio … a cidade”.
IMPRENSA LIVRE E NEUTRA (Categoria Luxo): Máscara de William Bonner.
Não pense em uma roupa-colagem de capas de Veja, Folha, Isto É, Época, O Globo, Estadão. Seria muito óbvia e de pouco apelo comercial. Use apenas um capacete com o logotipo BR e um macacão laranja escrito Petrobras.
Bem, creio suficiente. Temos tempo ainda. Nesta levada, vocês serão muito mais criativos do que eu. A galhofa tá fácil.
Nas músicas, Anunciação que logo chegarei a Pernambuco.
Evoé!
medroso curitibano
17 de janeiro de 2016 5:58 pmótimo ttexto.
acrescento que
ótimo ttexto.
acrescento que é preciso tb rasgar a fantasia, desmascarar,
esse conluio grande mídia et caterva.
desnudar a máfia das infanias….
emerson57
17 de janeiro de 2016 8:41 pmGostei
Denúnciar o rei nú é para os puros.
Frederico Firmo
20 de janeiro de 2016 1:50 amSe me permite,
Algumas sugestoes:
Na categoria Contra -Zelotes:
Mascára do Conde Waack Dracula – com os dizeres – Uncle San(gue) want you
Mascara do Merval – lendo o resultado da eleição
Mascara do Bonner – sem nenhum dizer.
Mascara de Ali Kamel com seus fantoches
Na categoria Além do Jardim
Mascara de Peter Sellers com os dizeres — Je suis FHC
Mascara de palhaço com o nariz branco com os dizeres —Apenas neves
Mascara de Vampiro com uma bolinha de papel na cabeça- não preciso dizer o nome.
Mascara da Caipora atraz da Marina- cantando AI se eu te pego se eu te pego.