4 de junho de 2026

A evolução da estratégia criacionista

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A estratégia usada por criacionistas para tentar impor sua visão de mundo mudou ao longo das décadas.

 Biólogo analisa essas mudancas.

 

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/17/ciencia/1450308758_163091.html

     FANATISMO

Darwin contra os criacionistas

 

Estudo publicado pela ‘Science’ usa a biologia evolutiva para expor as estratégias dos criacionistas que pretendem expulsar a ciência das escolas

 

Os criacionistas defendem que os humanos conviveram com dinossauros

Há um século se trava nas escolas dos Estados Unidos uma guerra para excluir a ciência dos currículos. Tudo aquilo que soa aCharles Darwin é visto como uma heresia entre os ultraconservadores dos estados do sul. Por meio de inúmeras artimanhas legais, os políticos que representam essa direita fundamentalista pretendem eliminar a evolução do ensino escolar. É o chamado criacionismo, que luta para fazer com que os estudantes aprendam que a vida só pode ser explicada pela existência de Deus. Sabemos, agora, que esse movimento se desenvolve e evolui como os seres vivos, deixando sua herança genética de lei em lei, com propostas de normatização cada vez mais avançadas, mais bem adaptadas ao seu ambiente, para conseguir vencer dentro do ecossistema jurídico.

 

   “O antievolucionismo continua vivo e golpeando… e em evolução”, ironiza o biólogo evolucionista Nick Matzke, que acaba de publicar na revista Scienceum estudo muito original sobre o criacionismo. Matzke usa Darwin e as ferramentas científicas derivadas de seu trabalho para fazer uma retrospectiva das investidas legais dos ultras norte-americanos para levarem as escolas a ensinarem a Bíblia nas aulas de ciências. Pois o criacionismo é muito teimoso e, como na vida, abre caminhos se adaptando à situação para poder se reproduzir.

 

    “Hoje em dia, um de cada oito professores de biologia do ensino médio considera o criacionismo como cientificamente crível, e estes projetos de lei pioram a situação”, avalia Matzke, que analisou a 71 propostas legais apresentadas em 16 estados diferentes. Para revelar os segredos que esse movimento traz em seu DNA, ele as comparou utilizando as ferramentas estatísticas da biologia evolutiva. Descobriu, assim, que elas procedem de ancestrais  — legais — comuns e que pequenas mudanças se produzem no código genético entre uma proposta e a seguinte, como se fossem seres vivos, conseguindo se adaptar melhor ao seu ambiente. As leis criacionistas dão razão a Darwin.

 

   Tudo começou — a primeira centelha da vida criacionista — na década de 1920, quando, no estado do Tennessee, tentou-se proibir o ensino de teorias contrárias à história da Criação Divina. Esse tipo de texto legal foi considerado inconstitucional em 1968, pois a Constituição norte-americana deixa bem claro, em sua Primeira Emenda, que não se pode legislar em favor de uma doutrina religiosa. No entanto, essa derrota não conteve o criacionismo, que se adaptou à mudança do ecossistema com novas tentativas.

 

     A partir de 1968, desenvolveu-se a segunda onda de iniciativas no sentido de enterrar Darwin nas escolas, segundo a análise genealógica dos textos legais concebida por Matzke. A estratégia, a partir de então, evitava o confronto direto e sugeria que outras “teorias” para explicar a vida na Terra deveriam ser ensinadas: o design inteligente, que defende a existência de uma mão divina invisível por trás de tudo. Essa nova estratégia fracassou do ponto de vista legal em 2005, dados os seus visíveis contornos religiosos: a atenção voltada contra a evolução demonstra que não há interesse pela ciência, mas sim pela Bíblia.

 

 

Redação

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